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quinta-feira, fevereiro 19, 2026

Trump vence 1ª batalha por novas regras eleitorais; entenda

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conquistou na semana passada uma vitória legislativa relevante para sua agenda de reformas das regras eleitorais nos Estados Unidos ao ver a Câmara dos Deputados aprovar, por uma pequena margem, o “SAVE America Act”.

O projeto estabelece a exigência nacional de comprovação documental de cidadania para o registro eleitoral e torna obrigatório o uso de documento oficial com foto no momento da votação em eleições federais. O texto é uma versão ampliada de uma proposta semelhante já aprovada na Câmara no ano passado, mas que acabou não tendo sucesso no Senado. Agora o projeto deverá enfrentar novamente um teste decisivo na Câmara Alta.

As discussões ocorrem a poucos meses das eleições legislativas de meio de mandato — as chamadas midterms — marcadas para novembro. Nelas, os eleitores americanos escolherão os 435 membros da Câmara e 35 senadores (cerca de um terço do Senado). Atualmente, ambas as casas são controladas pelos Republicanos.

O texto do “SAVE America Act” foi apresentado pelo deputado Chip Roy, do Partido Republicano, e tem como um de seus principais patrocinadores no Senado o senador republicano Mike Lee. Os defensores da medida afirmam que ela fortalecerá a integridade do sistema eleitoral federal e impedirá, por exemplo, que imigrantes ilegais participem do processo de votação.

Atualmente, embora a legislação federal já determine que apenas cidadãos americanos possam votar em eleições federais, não há exigência nacional de comprovação documental de cidadania no momento do registro eleitoral – etapa em que o eleitor se inscreve nas listas eleitorais administradas pelos estados para poder votar.

O que muda na prática

O “SAVE America Act” determina que os estados passem a exigir prova documental de cidadania – como passaporte americano ou certidão de nascimento – para o cadastro eleitoral federal.

A proposta também estabelece:

  • Obrigatoriedade de documento oficial com foto para votar presencialmente.
  • Regras mais rígidas para o voto por correspondência, com exigência de cópia de identificação válida enviada junto à cédula.
  • Determinação para que estados adotem medidas contínuas de verificação das listas eleitorais.
  • Penalidades para autoridades eleitorais que registrem eleitores sem a documentação exigida.

A votação na Câmara ocorreu praticamente em blocos partidários, com 218 votos a favor e 213 contra. Apenas o deputado democrata Henry Cuellar votou com os republicanos.

Após a aprovação, o presidente da Câmara, o deputado republicano Mike Johnson, pressionou o Senado pela aprovação do texto. “Esperamos que alguns democratas no Senado recobrem o juízo e façam o que é certo para o povo. Caso contrário, terão muito o que explicar”, disse ele.

Em entrevista à Fox Business na semana passada, Johnson classificou o projeto como prioridade para a bancada republicana no Congresso no começo deste ano e para o presidente Trump. Ele também acusou democratas de resistirem à proposta por interesse político.

“Eles [os democratas] querem que [imigrantes] ilegais votem. É por isso que abriram a fronteira por quatro anos sob [o governo Joe] Biden e [Kamala] Harris”, disse o presidente da Câmara. “Eles precisam trapacear, francamente. É isso. Precisam permitir que [imigrantes] ilegais participem das eleições para continuarem vencendo”, acrescentou.

Trump fala em “nacionalizar” eleições em alguns estados

Trump tem defendido publicamente a proposta como instrumento para impedir o que considera fraudes eleitorais nos EUA.

“As eleições dos Estados Unidos são manipuladas, roubadas e motivo de chacota no mundo inteiro. Ou vamos consertá-las, ou não teremos mais um país”, escreveu o presidente no último dia 8 na Truth Social, ao pedir união entre os republicanos para aprovar o “Save America Act” no Congresso antes das midterms.

No começo deste mês, Trump também defendeu a federalização das eleições como uma forma de evitar possíveis irregularidades. Atualmente, a organização das eleições nos Estados Unidos é responsabilidade de cada estado, conforme previsto na Constituição.

“Quero que as eleições sejam honestas e, se um estado não consegue realizar uma eleição, acho que as pessoas que me apoiam deveriam fazer algo a respeito”, disse o presidente. Trump defendeu que o governo federal deve supervisionar já as eleições deste ano.

A Casa Branca tem promovido nos últimos dias o argumento de que “cidadãos americanos, e apenas cidadãos americanos, devem decidir as eleições americanas”.

Operação contra irregularidades na eleição de 2020

A pressão do governo Trump sobre o tema ocorre também por outras vias. No final de janeiro, o FBI realizou uma operação no centro eleitoral do condado de Fulton, na Geórgia, como parte de uma investigação sobre possíveis irregularidades relacionadas à eleição presidencial de 2020, quando Trump não conseguiu a reeleição ao ser derrotado pelo democrata Joe Biden.

Os agentes cumpriram um mandado judicial autorizado por um tribunal federal, no âmbito de uma ação movida pelo Departamento de Justiça, que buscava acesso a materiais eleitorais de 2020.

Na operação, foram apreendidos registros eleitorais, incluindo cédulas utilizadas e anuladas, envelopes de assinatura e arquivos digitais vinculados ao pleito. Segundo a imprensa dos EUA, as autoridades querem verificar se houve falhas ou violações nas cédulas, na contagem dos votos e na guarda dos registros eleitorais.

Na Geórgia, Trump perdeu para Biden por pouco mais de 11 mil votos, margem que levou a recontagens e revisões formais do resultado na época. Naquela ocasião, o republicano acusou os democratas de “roubarem votos”.

A Geórgia é considerada um dos “estados-pêndulo” nas eleições americanas, que podem oscilar entre democratas e republicanos, sendo decisivos em disputas presidenciais. Na época, a Geórgia já era comandada pelo atual governador, Brian Kemp, do Partido Republicano.

Decreto que exige identificação para votar tem sido contestado na Justiça

Em março do ano passado, Trump assinou um decreto para reforçar a verificação de cidadania no processo eleitoral federal. O documento, intitulado “Proteção da Integridade das Eleições Americanas”, determinou medidas voltadas ao endurecimento das regras de registro e fiscalização eleitoral.

Entre as determinações estavam o reforço da checagem de cidadania no registro eleitoral, o compartilhamento de bases de dados federais com os estados para verificação de elegibilidade, a fiscalização das regras estaduais sobre contagem de votos pelo correio e o condicionamento de repasses federais aos estados ao cumprimento das normas de integridade eleitoral.

O decreto, contudo, passou a enfrentar forte contestação na Justiça americana. Estados controlados por democratas, entre eles a Califórnia, ingressaram com diversas ações alegando que Trump estaria extrapolando sua autoridade constitucional de presidente, uma vez que a organização e a condução das eleições são atribuições primárias dos estados, conforme prevê a Constituição dos Estados Unidos.

Os estados argumentam que o Executivo federal não pode impor unilateralmente mudanças em procedimentos eleitorais administrados pelas autoridades estaduais sem aprovação do Congresso.

Tribunais federais emitiram nos últimos meses liminares suspendendo partes centrais do decreto, como a exigência de prova documental de cidadania no formulário nacional de registro de eleitores. Em janeiro deste ano, o Tribunal Distrital do estado de Washington, em ação movida pelos estados de Washington e Oregon, bloqueou permanentemente outros trechos da medida, incluindo a fiscalização das regras estaduais sobre contagem de votos pelo correio.

Diante dessas decisões judiciais, aliados da Casa Branca passaram a defender a aprovação de uma lei federal pelo Congresso como forma de consolidar as mudanças nas regras de fiscalização eleitoral e estabelecer, em âmbito nacional, mecanismos para impedir o registro e a votação por pessoas sem cidadania americana.

“Essa legislação é um passo fundamental para restaurar a integridade eleitoral ao garantir que apenas cidadãos dos Estados Unidos votem nas eleições federais e apresentem identificação. Mais de 80% dos americanos – de diferentes partidos e grupos raciais – apoiam a exigência de documento com foto porque é algo simples, razoável e de bom senso”, disse o autor da proposta, o deputado Roy, após aprovação na Câmara.

Projeto enfrentará desafio no Senado

No Senado, porém, o “SAVE America Act” deve enfrentar um enorme desafio para passar. Para avançar na Câmara Alta, são necessários 60 votos para superar o chamado filibuster, mecanismo regimental que permite à minoria prolongar o debate e impedir a votação final de um projeto que não atinja esse patamar mínimo de apoio.

Neste momento, os republicanos detêm 53 cadeiras no Senado, enquanto os democratas têm 45. Lideranças democratas na casa já sinalizaram que irão tentar bloquear a proposta. Os democratas argumentam que as novas exigências poderiam dificultar o acesso de eleitores americanos ao voto, especialmente os mais pobres, jovens e mulheres que não possuem todos os documentos.

A senadora republicana Lisa Murkowski, do Alasca, também já declarou oposição ao projeto, o que pode dificultar ainda mais as chances de aprovação na casa sem ampla negociação bipartidária.

Casos envolvendo votos de “não-cidadãos” são citados por entidades

A organização Judicial Watch informou em janeiro do ano passado que 388 “não-cidadãos” – pessoas que não possuem cidadania americana, entre elas imigrantes ilegais – votaram na eleição presidencial de novembro de 2024 no Distrito de Columbia.

Segundo a entidade, os dados foram obtidos por meio de registros oficiais locais. No Distrito, “não-cidadãos” que residam na região há pelo menos 30 dias podem votar em eleições municipais, mas não em eleições federais. A Judicial Watch destacou que mais de 230 desses eleitores estavam registrados como democratas e menos de 20 como republicanos.

Já o think tank conservador Heritage Foundation mantém um banco de dados sobre fraudes eleitorais nos EUA que já registrou mais de 1,6 mil casos confirmados de irregularidades eleitorais em diferentes estados do país.

Com base nesses dados, o pesquisador Jesse Richman, professor associado de Ciência Política e Estudos Internacionais na Old Dominion University, apontou, em compilação divulgada em 2024 – quando houve a eleição presidencial vencida por Trump – 79 casos de “não-cidadãos” que se registraram para votar entre os anos de 2002 e 2022. Desses, 67 efetivamente votaram, alguns mais de uma vez.

[Fonte Original]

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