O ex-governador do Rio Wilson Witzel acertou sua filiação ao Democracia Cristã (DC) e confirmou sua pré-candidatura ao governo do Rio. Aldo Rebelo, pré-candidato à Presidência da República pelo partido, confirmou ao GLOBO o acordo. Segundo o ex-deputado federal, o ex-juiz ainda vai formalizar o vínculo com a legenda — a proposta é que isso aconteça em 6 de março.
— Vamos combinar um ato de filiação. [6 de março] Essa é uma proposta. Vamos ver se é possível — afirma Rebelo.
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Witzel ainda não se manifestou publicamente sobre a filiação. Este mês, ele disse aos seguidores que pretendia concorrer por um partido de centro-direita, cujo nome seria anunciado entre o fim de março e o início de abril. Nesta quinta-feira, porém, ele compartilhou em listas de transmissão figurinhas alusivas ao DC e ao número de urna 27.
Este mês, em vídeo publicado nas redes sociais, Witzel argumentou estar “mais experiente, mais cauteloso” para voltar à função. Eleito na esteira da onda bolsonarista em 2018, Witzel tornou-se o primeiro governador a sofrer impeachment no estado desde a ditadura militar.
Witzel foi acusado crime de responsabilidade por seu suposto envolvimento em fraudes na compra de equipamentos e celebração de contratos durante a pandemia da Covid-19. Ficou inelegível e impedido de exercer cargos públicos por cinco anos. No vídeo, o ex-juiz diz ter sido alvo de um linchamento público e merecer uma nova chance.
— Muitas pessoas me perguntam por que a população do Rio de Janeiro deveria dar uma nova chance. Respondo que vivi na prática os limites e as distorções do sistema político e administrativo desse Estado. Passei pelo maior processo de linchamento público da História do nosso estado. Fui afastado antes de qualquer condenação definitiva e sem nenhum direito de defesa. Enfrentei um processo duro e, ainda assim, mantive a minha defesa dentro da legalidade, acreditando na justiça — afirmou, na ocasião.
‘Menos improviso, mais método’
O ex-governador afirmou que, desta vez, tem compreensão “mais profunda do funcionamento real do poder e das entranhas do sistema do Rio de Janeiro”. Em 2019, ele disse, tinha a “energia de quem queria mudar tudo rapidamente”. Hoje, Witzel diz trazer a “serenidade de quem sabe que mudanças duradouras exigem diálogo institucional, planejamento e blindagem técnicas das decisões”.
— Menos improviso, mais método. Menos discurso, mais governança. Considero que paguei politicamente por tudo o que aconteceu — disse.
Afastado em 2020, Witzel foi cassado no ano seguinte. Cláudio Castro, seu vice, assumiu o cargo. Na época, ambos eram filiados ao PSC. O atual governador se elegeu para mais um mandato em 2022, já pelo PL de Jair Bolsonaro. Naquele ano, Witzel tentou se candidatar ao governo do Rio pelo PMB, mas teve o registro cassado por estar com os direitos políticos suspensos.
Como mostrou a coluna Lauro Jardim, do GLOBO, em dezembro, Witzel já vinha articulando a pré-candidatura nos bastidores. Questionado sobre o favoritismo de Eduardo Paes (PSD) na corrida ao Palácio Guanabara, já tinha resposta de tom irônico na ponta da língua:
— Assim como foi em 2018.
Naquele pleito, Paes liderava as pesquisas de intenção de voto, mas acabou superado pelo “azarão” Witzel, impulsionado pelo eleitorado bolsonarista.