O presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vai tratar pessoalmente com Donald Trump, na visita a Washington prevista para março, a retirada de produtos industriais brasileiros do tarifaço imposto pela Casa Branca.
“Precisamos, agora, tirar produtos industriais. Lula deve ir aos Estados Unidos em março para ter um encontro com o presidente Trump, então todo o trabalho é a gente reduzir as alíquotas ou retirar o máximo que puder do tarifaço de 50%”, declarou.
A fala de Alckmin ocorreu durante visita à Festa da Uva, em Caxias do Sul, onde o vice-presidente destacou a importância da região da Serra Gaúcha para a indústria nacional.
No local, Alckmin também se reuniu com representantes do setor de viticultura e disse que, mesmo incluído nos produtos do Imposto Seletivo, o vinho deve pagar menos imposto após a regulamentação da Reforma Tributária.
“O Imposto Seletivo ocorre de acordo com o teor alcoólico, então as bebidas fermentadas devem ter um valor menor. Calculamos, hoje, que é pago no setor de vinhos, 40,5% de imposto, somando PIS/Confins, IPI e ICMS. Os estudos mostram que deve ficar em torno de 33%. É uma redução importante”, disse.
Sobre as preocupações do setor de vinhos em relação ao acordo entre Mercosul e União Europeia (UE), Alckmin afirmou que a abertura comercial será gradual e conta com mecanismos de proteção.
“No caso do vinho, a desgravação [redução gradual dos tributos de importação] se dará em oito anos, e, no caso do espumante, em 12 anos”, disse.
Alckmin ressaltou ainda que o próprio acordo prevê cláusulas de salvaguarda e que o presidente Lula irá regulamentar esse instrumento por decreto, permitindo a suspensão de concessões tarifárias caso haja aumento expressivo das importações e prejuízo à produção nacional.
“Nós teremos a salvaguarda regulamentada, então qualquer problema você pode suspender aquele item se tiver um aumento grande do imposto de exportação”, explicou.
O presidente em exercício afirmou ainda que os indicadores econômicos não apontam “razão para manter” a taxa Selic em 15%. Apesar de manter o patamar na última reunião em 28 de janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou que pode começar o corte da taxa básica de juros no próximo encontro, marcado para os dias 17 e 18 de março.
“Estamos com a menor ‘taxa de desconforto’, ou seja, inflação de 4,4%, abaixo do teto, em tendência de queda, porque o dólar que estava R$ 6,30 veio para R$ 5,20, e a taxa de desemprego também está baixa”, complementou.