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sábado, fevereiro 21, 2026

Como Carolyn Bessette-Kennedy Realmente Era, Segundo Aqueles Que a Conheciam

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Muito se falou sobre a importância de acertar a estética de Carolyn Bessette-Kennedy na nova série do Disney+ “História de Amor: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette“, em que Carolyn será interpretada por Sarah Pidgeon.

Mas, para além do tom exato de loiro do seu cabelo ou da Birkin correta no braço (uma nº 40, caso você esteja se perguntando), é preciso falar da mulher por trás da imagem.

Quem foi Carolyn Bessette

Carolyn era afetuosa, gentil e acolhedora com quem a conhecia. Já para o público – que, em grande parte, não a conhecia de fato (embora achasse que sim) – era esquiva e misteriosa.

Depois de se casar com John F. Kennedy Jr. em 21 de setembro de 1996, ela nunca concedeu uma entrevista, e existem apenas duas gravações de sua voz: um trecho de oito segundos na cobertura do programa Entertainment Tonight sobre o Fire and Ice Ball, em 1998, e outro de três segundos, novamente no Entertainment Tonight, durante o evento Newman’s Own/George Awards, em maio de 1999 — apenas dois meses antes de sua morte.

Carolyn morreu aos 33 anos em um acidente de avião, ao lado do marido e da irmã mais velha, Lauren Bessette, em 16 de julho de 1999. Era uma era anterior às redes sociais e à superexposição. Carolyn nunca teve a chance de envelhecer nem de contar sua própria história. Muitos a “conhecerão” apenas pela representação na série.

Sim, acertar a cor do cabelo e a Birkin exata era importante, assim como iluminar quem ela realmente era, e não a “rainha do gelo” retratada pela mídia que a perseguia pelas ruas de Nova York.

Ícone da moda

Por causa do seu silêncio em público, ela usava a moda como veículo de comunicação. Conhecida por uma estética clássica e minimalista, Carolyn era uma mulher de moda – trabalhou com relações públicas na Calvin Klein antes do casamento.

Mas a moda não era tudo o que ela era — nem de longe. Falando ao The Daily News em 25 de julho de 1999, a amiga Colleen Curtis disse que Carolyn “adorava rir”.

“Muitos de seus amigos ficam tristes por ela ser lembrada principalmente como um ícone de estilo. Carolyn também deveria ser lembrada por sua gentileza e generosidade, por seu humor, por sua compaixão e, acima de tudo, por seu grande senso de diversão”.

A entrevista foi concedida logo após sua morte, há 26 anos, e a reputação de Carolyn como “ícone de estilo” só cresceu desde então, exponencialmente. “Ela teria rido de ser chamada de ícone de moda”, disse Michelle Kessler a Elizabeth Beller para o livro de 2024 “Once Upon a Time: The Captivating Life of Carolyn Bessette-Kennedy”, que inspirou a primeira temporada da série.

“Ela não estava tentando ser nada disso. Carolyn queria ter uma vida interessante e viver seu dia a dia sem interrupções.” Kessler acrescentou: “Ela mudava a energia de um ambiente quando entrava.”

A relação de Carolyn Bessette e JFK Jr.

Como mostra a série, conheceu JFK Jr. no início dos anos 1990, quando namoraram brevemente, se separaram e, mais tarde, reataram – quando John se perguntaria por que a deixou escapar.

Embora fosse amplamente considerado o homem mais bonito dos Estados Unidos — com fama à altura —, Carolyn não se impressionava muito (ou só) com isso. Não fazia esforço excessivo para agradá-lo; dizia o que realmente pensava e não se curvava à fama dele e de sua família. Isso foi parte do que o conquistou. Quando ele a pediu em casamento, em 1995, ela respondeu: “Vou pensar”.

“Ela cuidava das pessoas, e John amava isso nela”, disse a amiga Sasha Chermayeff a Beller. “Mas também o confrontava quando ele estava errado, e isso era ótimo.” John e Carolyn eram ambos “movidos pela compaixão”, acrescentou.

Carismática e magnética

Carolyn era a irmã mais nova das gêmeas Lauren e Lisa. Nasceu em White Plains, Nova York, mas, após o divórcio dos pais, mudou-se para Greenwich, Connecticut.

No ensino médio, foi eleita “Ultimate Beautiful Person” (a mais linda de todas) e estudou pedagogia na Universidade de Boston (BU). Tentou brevemente a carreira de modelo e foi capa do calendário “The Girls of BU”. Na Calvin Klein, começou como vendedora e ascendeu na marca até se tornar diretora de publicidade.

Quem conheceu Carolyn diz que ela fazia as pessoas se sentirem como se fossem as únicas no ambiente. As fotos não faziam justiça à sua beleza. Tinha uma risada marcante e iluminava o espaço. Pensava sempre nos outros. Tinha carisma. Era hipnotizante, magnética, elétrica, dinâmica. Lia muito – Charlotte Brontë e Henry James – e tinha ótimo senso de humor.

Seus pratos favoritos eram purê de batatas e bagels escavados, recheados com tomate. Tinha ética de trabalho incansável na Calvin Klein. Não era perfeita e tinha falhas, mas não merecia a fama de “rainha do gelo”. Era intensa, complexa, empática – algo que Beller destacou em seu livro como uma característica que a tornava muito sensível. Não tinha medo de dizer o que pensava. Tinha elegância discreta, preferia uma paleta de cores neutras e usava o batom Bobbi Brown Sheer Lipstick na cor Ruby (que também era o nome de sua gata).

Era conhecida por conversas profundas e interessantes. Tinha sardas no nariz que “brilhavam quando ela ficava corada”, escreveu seu ex-namorado e ex-modelo da Calvin Klein Michael Bergin em seu livro. Ele também disse que ela “transbordava classe”.

Aparentemente, lutava contra questões de abandono, possivelmente decorrentes do divórcio dos pais. Não era muito adepta de exercícios físicos, amava astrologia e queria voltar à universidade para fazer mestrado em psicologia.

Em seu livro de memórias de 2005, “What Remains: A Memoir of Fate, Friendship, and Love”, Carole Radziwill — que foi casada com Anthony Radziwill, primo e melhor amigo de John, e tornou-se muito próxima de Carolyn — contou que ela sempre levava uma pilha de revistas consigo “porque as folheava rapidamente e não gostava de ficar sem”.

Gesticulava ao falar. Não tinha receio do contato físico. Abraçava forte, “como se talvez nunca mais fosse te ver”.

Quando uma fã pediu um autógrafo, Carolyn respondeu, segundo Radziwill: “Ah, você não quer isso. O que faria com ele?” Voltou-se para Radziwill e disse à fã que seria melhor ter o autógrafo dela.

Falando a Beller, Radziwill disse que Carolyn “tinha uma energia incrível e era extremamente autêntica. Era muito divertida, mas também podia rapidamente mergulhar em assuntos profundos”.

Carolyn acompanhou os Radziwill aos tratamentos de câncer de Anthony; não perguntou se podia ir – ela insistiu. Foi Radziwill quem, junto com Carolyn, teve a ideia de que ela usaria a mesma roupa todos os dias — “jeans e camisa branca, cabelo preso em rabo de cavalo e óculos escuros” — para que as fotos dos paparazzi fossem sempre iguais e, quem sabe, eles parassem de persegui-la. Não funcionou.

Na biografia oral de 2024 sobre John, escrita por RoseMarie Terenzio e Liz McNeil, “JFK Jr.: An Intimate Oral Biography”, o amigo Robbie Littell chamou Carolyn de força da natureza e disse: “Ela o intrigou mais do que qualquer outra pessoa.”

“Ela era envolvente, muito dona de si, inteligente e engraçada”, acrescentou Pat Manocchia. “Tinha emprego, tinha diploma. Era forte, não era submissa. Eles eram sempre carinhosos, afetuosos e conectados. Era vibrante.”

Littell disse a Beller que era óbvio “que ela brilhava tanto quanto John. E não era só por sua beleza marcante. Era porque parecia olhar direto para a sua alma, e então piscar.”

Em seu livro de 2012, “Fairy Tale Interrupted: A Memoir of Life, Love, and Loss”, Terenzio escreveu: “Carolyn não era a sombra de John; era sua igual.”

Quando se casaram, em 1996, na ilha de Cumberland, na Geórgia, ela projetou o estilista Narciso Rodriguez ao estrelato ao usar o vestido de noiva que ele desenhou para ela, hoje icônico.

Sempre pensando nos outros, garantiu que houvesse leques de palha em cada banco da igreja para que os convidados se refrescassem no calor da Geórgia.

Atrasou-se para o próprio casamento e não tinha medo de ser ela mesma; depois que John pediu que ninguém usasse preto em uma festa da revista George (fundada por ele em 1995), Carolyn apareceu de preto mesmo assim. “Que se dane, não me importo”, riu. “Eu não trabalho para a George.”

“Ela era o oposto da típica ‘mean girl’ corporativa”, disse Kessler. “Tinha um coração enorme e generoso.” Sean Penn conheceu Carolyn no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, em 1998. “Eu me lembro de dizer às pessoas naquela noite que Carolyn era luz”, contou. “Tão viva e autêntica. Entendi perfeitamente por que ele era louco por ela.”

O amigo John Perry Barlow a chamou de “mágica e especial”: “Era peculiar, imaginativa, surpreendente, meio excêntrica. Era ela mesma. Isso fazia a imprensa ficar ainda mais obcecada. Ela não jogaria o jogo de ninguém.”

No livro “CBK: Carolyn Bessette-Kennedy: A Life in Fashion”, de 2023, Sunita Kumar Nair cita a estilista Gabriela Hearst dizendo que o estilo de CBK “não chamava atenção, tentava desviar a atenção – e, ao fazer isso, fazia as pessoas prestarem ainda mais atenção.”

Ela não tinha estratégia; vestia o que sentia. Era guiada pela intuição, dentro e fora da moda. De alguma forma, Carolyn sabia exatamente o que fazer, o que dizer, como apoiar.

Carolyn jamais terá a chance de contar sua própria história. Até hoje, apenas 11 segundos de sua voz foram ouvidos publicamente. Para além da Prada e dos Manolos, isso é o que realmente importa.

*Rachel Burchfield é colaboradora da Forbes USA. Ela é uma escritora especializada em moda, beleza e bem-estar, celebridades e cultura pop.

*Matéria originalmente publicada em Forbes.com

[Fonte Original]

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