A Seven-Eleven Japan, operadora da rede de lojas de conveniência 7-Eleven no país, começará neste ano a apoiar práticas de agricultura regenerativa em uma grande plantação de café no Brasil, em parceria com a trading Mitsui & Co., apurou o “Nikkei Asia”.
Com a área global apta ao cultivo de café encolhendo gradualmente devido às mudanças climáticas e a outros fatores, a varejista japonesa decidiu investir diretamente no apoio à produção para garantir estabilidade no fornecimento de grãos. O café fresco preparado nas lojas tornou-se um dos principais produtos da rede.
A agricultura regenerativa reúne técnicas de conservação e recuperação ambiental para tornar a atividade agrícola mais sustentável. Entre as medidas adotadas estão a melhoria da qualidade do solo, a redução do uso de pesticidas e o corte nas emissões de gases de efeito estufa. Grandes empresas globais vêm ampliando o apoio a esse tipo de iniciativa.
No Brasil, a Seven-Eleven fornecerá recursos para a adoção dessas práticas em uma plantação no sudeste do país, por meio de uma subsidiária local da Mitsui. A área envolvida soma quase 4 mil hectares.
O projeto utilizará a técnica de cover cropping, que consiste no plantio de vegetação entre as fileiras de café. Serão cultivadas gramíneas que melhoram o solo, como a braquiária, além de medidas para aumentar a retenção de água. A vegetação é cortada na primavera e reaproveitada como fertilizante orgânico. Projetos-piloto já indicaram redução significativa no uso de herbicidas.
A empresa planeja expandir o programa para outras fazendas. Em setembro do ano passado, a Seven-Eleven Japan estimou que uma retração de cerca de 30% nas áreas produtoras de café até 2050 poderia gerar perda de aproximadamente 50 bilhões de ienes (US$ 320 milhões) em vendas.
Para suas bebidas preparadas na hora, a rede compra grãos de países como Brasil, Guatemala e Colômbia. Atualmente, o café brasileiro representa menos de 1% do total adquirido, em um contexto de preços internacionais elevados.
Outras grandes companhias do setor de alimentos também vêm aderindo à agricultura regenerativa. A suíça Nestlé planeja investir 1 bilhão de francos suíços (US$ 1,26 bilhão) até 2030 para tornar sua produção de café mais sustentável. A francesa Danone começou a incorporar matérias-primas provenientes desse modelo em 2017, incluindo-as em sua cadeia de suprimentos de laticínios.
No Japão, empresas como a Kirin Holdings também passaram a adotar iniciativas semelhantes. Com as mudanças climáticas e as tensões geopolíticas reforçando a necessidade de cadeias de suprimento mais resilientes, a tendência é de ampliação desse movimento. A consultoria indiana Coherent Market Insights projeta que o mercado global de agricultura regenerativa alcance US$ 37,3 bilhões até 2032 — cerca de 2,8 vezes o nível estimado para 2025.