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quarta-feira, fevereiro 25, 2026

Atividade econômica da Argentina cresce 4,4% em 2025

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A atividade econômica da Argentina cresceu 4,4% no acumulado de 2025, resultado impulsionado principalmente pelo forte desempenho do setor agrícola e visto como um sinal positivo para o segundo ano de mandato do presidente Javier Milei, que busca consolidar uma retomada consistente da economia. Segundo analistas, o dado deixa um bom ponto de partida para este ano, embora ainda não represente uma recuperação ampla e dinâmica.

O resultado foi divulgado nesta terça-feira (24) pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) por meio do Indicador Mensal de Atividade Econômica (EMAE), índice amplamente acompanhado por antecipar o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB). Em dezembro, a atividade avançou 3,5% na comparação com o mesmo mês de 2024, após a segunda maior economia da América do Sul ter registrado retração de 0,3% em novembro.

“Foi um resultado muito bom em dezembro, influenciado pela colheita de trigo e deixou um bom rastro estatístico para o ano que vem, porque até o dado de novembro a atividade vinha bastante baixa ao longo do ano”, avalia Kevin Sijniensky, analista econômico da consultoria Econviews. “A média anual estava positiva porque os últimos meses de 2024 tinham sido muito bons, mas a atividade estava relativamente estagnada.”

Dos setores que compõem o indicador, onze apresentaram alta na comparação interanual. O principal destaque foi agricultura, pecuária, caça e silvicultura, que cresceu 32%, impulsionado pela produção recorde de trigo. Por outro lado, a Indústria de transformação, recuou 3,9%, e Comércio atacadista, varejista e reparação, que recuou 1,3%.

Após dois anos marcados por forte ajuste fiscal, o governo aposta em uma retomada mais consistente da economia neste ano. Milei conseguiu reduzir de forma expressiva a inflação, em parte por meio de cortes profundos nos gastos públicos, mas ainda enfrenta o desafio de reativar setores ligados à indústria, ao consumo e à construção.

Analistas alertam, no entanto, que o cenário atual é de recuperação gradual e desigual. A inflação segue elevada, a política monetária permanece restritiva e a atividade ainda não mostra sinais de expansão disseminada.

“A heterogeneidade entre os setores — e até dentro dos próprios setores — é enorme”, diz Juan Pablo Ronderos, sócio da consultoria MAP. “ Isso tem a ver com o fato de que o ambiente de negócios na Argentina está mudando em uma velocidade cada vez maior e as empresas não entenderam como essa mudança no marco regulatório e econômico exige também uma mudança nos modelos de negócio.”

Agora, o governo Milei trabalha para aprovar uma ampla reforma trabalhista, que, segundo argumenta, impulsionará a economia e criará mais empregos formais. A proposta enfrenta forte oposição de sindicatos, que afirmam que as mudanças revogariam direitos trabalhistas essenciais.

Na avaliação de Ronderos, a tendência para este ano é de aprofundamento dessa heterogeneidade, com a expansão concentrada em alguns setores, enquanto outros devem permanecer significativamente defasados. “Isso deve se refletir no emprego, no consumo e em outros indicadores. Será um ano desafiador”, completa.

O aumento de 4,4% da atividade econômica argentina em 2025 teve como um dos protagonistas a produção recorde de trigo — Foto: Diego Giudice/Bloomberg

[Fonte Original]

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