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sexta-feira, fevereiro 27, 2026

Faturamento de PMEs deve crescer 2,9% em 2026, projeta Omie

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Depois de três anos crescendo, acima do ritmo da economia, as pequenas e médias empresas desaceleraram em 2025, mas a perspectiva para 2026 aponta leve retomada de expansão. Esse movimento deve ser puxado por empresas de pequeno e médio porte mais estruturadas, de acordo com projeções da Omie, que criou o indicador Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs). Para este ano, a Omie projeta crescimento real de 2,9% no faturamento do conjunto de micro, pequenas e médias empresas.

Em 2025, o faturamento médio das PMEs teve avanço real de 1,2%, segundo o IODE-PMEs, que acompanha companhias com receita anual de até R$ 50 milhões. O índice monitora cerca de 750 atividades econômicas distribuídas entre comércio, indústria, infraestrutura e serviços. O resultado ficou abaixo da média das projeções para o PIB do período, estimada em 2,3%, e distante do resultado de cerca de 7% ao ano registrado entre 2022 e 2024 pelas PMEs.

Na avaliação de Felipe Beraldi, economista da Omie, as médias empresas podem ter papel relevante no avanço projetado para este ano. “A média empresa enfrenta uma volatilidade menor e tende a ter um planejamento muito mais estruturado, sabendo melhor onde está pisando”, ressalta.

Por outro lado, a cautela ainda deve ser uma aliada estratégia dos empresários durante 2026, devido ao ambiente de maior incerteza e volatilidade macroeconômica no cenário doméstico e internacional. Beraldi diz que o país deve viver “um ano cheio de volatilidade”, com efeitos tanto do cenário internacional quanto do calendário eleitoral doméstico. Nesse cenário, a tendência é elevar a incerteza nas decisões de investimento e consumo.

Ao mesmo tempo, o economista aponta fatores que sustentam a projeção de crescimento de 2,9%, como a continuidade da expansão da renda, os efeitos da ampliação da isenção do imposto de renda para rendimentos de até R$ 5 mil mensais e a expectativa de início de queda da taxa básica de juros. Para Beraldi, a combinação de maior controle inflacionário e possível abertura para cortes da Selic pode aliviar o ambiente para as PMEs, mas o ritmo deve permanecer abaixo do observado nos anos anteriores a 2025.

Juros e endividamento pesaram em 2025

O desempenho mais fraco de 2025 foi concentrado nos primeiros seis meses. Beraldi observa que, principalmente no primeiro semestre, houve dois choques importantes. “Um choque inflacionário, que passou no final de 2024 e afetou o primeiro semestre das PMEs, e um choque de confiança”, afirma Beraldi. “Nós observamos que a confiança do consumidor sofreu uma queda bastante abrupta entre o final de 2024 e o começo de 2025”, diz.

Para Beraldi, a combinação de ambiente de juros elevados, maior endividamento e cautela de empresários e consumidores levou parte das atividades à retração no início do ano passado. A recuperação no terceiro e no quarto trimestre evitou um resultado ainda mais fraco, embora não tenha recolocado o segmento no ritmo do pós-pandemia.

Indústria sustenta o crescimento

No recorte setorial, a indústria foi o principal vetor de sustentação do crescimento das pequenas e médias empresas em 2025, com alta de 3,9% no faturamento médio. Dos 23 subsetores da indústria de transformação acompanhados pelo IODE-PMEs, 16 registraram expansão no ano.

“O setor que puxou o comportamento do Índice no ano passado foi o industrial, um segmento que tem, naturalmente, os tíquetes maiores, e é associado às médias empresas”, afirma Beraldi.

O segmento de serviços cresceu 2,8%, com avanço concentrado em atividades financeiras e de seguros, transporte, saúde humana e informação e comunicação. Segundo Beraldi, são segmentos “inclinados a um tíquete um pouco mais alto” e formados por empresas mais estruturadas dentro do universo das PMEs. No caso de atividades financeiras e de seguros especificamente, o crescimento foi de 10,6%.

No comércio, houve retração de 2,6% em 2025, segundo o índice. “É a principal dificuldade, porque diversas atividades são mais dependentes do crédito, tanto dos consumidores quanto dos empresários”, diz Beraldi. O economista diz que muitas empresas do varejo operam com margem mais apertada, e o fluxo de caixa mais estrangulado, o que as torna mais sensíveis a juros elevados.

O IODE-PMEs considera microempresas aquelas com faturamento anual até R$ 360 mil, pequenas até R$ 4,8 milhões e inclui médias companhias com receita bruta de até R$ 50 milhões por ano.

[Fonte Original]

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