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sexta-feira, fevereiro 27, 2026

Bloxs aposta no blockchain para transformar mercado financeiro brasileiro

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Resumo da notícia

  • Blockchain digitaliza ciclo de vida dos ativos financeiros

  • Regulação brasileira acelera tokenização e mercado cripto

  • Bloxs conecta emissores e investidores com infraestrutura regulada

A Bloxs quer ocupar um espaço estratégico na transformação do sistema financeiro brasileiro e aposta no blockchain como base para essa mudança estrutural. A empresa revelou ao Cointelegraph Brasil que não enxerga a tecnologia apenas como inovação pontual, mas como camada de infraestrutura capaz de sustentar emissões, registro, liquidação e gestão de ativos no mercado de capitais.

Nos últimos seis anos, a Bloxs estruturou cerca de R$ 300 milhões em ofertas, incluindo captações para projetos ligados ao setor cripto, mineração e ativos alternativos. A companhia começou com emissões via CVM 88 e ampliou o escopo regulatório e tecnológico para operações maiores, passando a atuar também com securitização, gestão de fundos e coordenação de ofertas.

Para Bruno Faria, COO e sócio da Bloxs, o blockchain já deixou de ser uma tecnologia experimental e passou a impactar o mercado de capitais na prática. O principal efeito ocorre na digitalização do ciclo de vida do ativo.

Emissão, registro, controle de titularidade, pagamentos de eventos financeiros, conciliações e trilhas de auditoria passam a operar de forma mais automatizada e rastreável. Isso reduz erro humano, diminui retrabalho e melhora a eficiência operacional, especialmente em estruturas de crédito privado e recebíveis, que tradicionalmente exigem alto volume de processos repetitivos no back office.

Essa transformação não elimina o arcabouço regulatório existente, mas o complementa com uma camada tecnológica capaz de tornar operações mais auditáveis e programáveis. A Bloxs desenvolveu, dentro dessa lógica, o modelo de Investment Banking as a Service (IBaaS), que funciona como uma esteira digital de originação”, disse.

A empresa estrutura operações com seus bankers, organiza a diligência, distribui para investidores cadastrados e cria uma máquina contínua de geração de negócios. A meta é reduzir o intervalo entre originação e distribuição, utilizando dados e padronização para melhorar o chamado “deal match” entre teses de investimento e oportunidades estruturadas.

Nesse contexto, o blockchain surge como base para protocolos ligados a operações de crédito estruturado. A estratégia da Bloxs envolve misturar produtos regulados com tecnologia de ponta, criando uma infraestrutura que permita menor fricção, maior agilidade e transparência nas transações. Em vez de propor uma ruptura com o sistema financeiro tradicional, a empresa aposta na modernização dos bastidores, o chamado “plumbing financeiro”, tornando processos internos mais eficientes.

Regulação como motor de escala e previsibilidade

De acordo com o executivo, o avanço regulatório do Banco Central, especialmente com as resoluções BCB 519, 520 e 521, representa um divisor de águas para o setor de ativos virtuais no Brasil. Essas normas definem critérios de autorização, funcionamento e supervisão para prestadores de serviços de ativos virtuais, trazendo o segmento para o mesmo nível de exigência de governança, controles e conduta aplicado a outros participantes do Sistema Financeiro Nacional.

Na avaliação de Bruno Faria, essas resoluções aumentam a previsibilidade regulatória e reduzem a incerteza jurídica, o que facilita a entrada de investidores institucionais e destrava parcerias estratégicas. A integração com sistemas tecnológicos do Banco Central tende a elevar o padrão de segurança e compliance, criando um ambiente mais robusto para o crescimento do mercado cripto e da tokenização de ativos.

O debate sobre capital mínimo e possíveis impactos sobre startups permanece relevante. Historicamente, novas regulações consolidam mercados, mas não eliminam necessariamente a inovação. Empresas focadas em tecnologia, compliance-as-a-service, infraestrutura, analytics e KYC/AML continuam encontrando espaço como fornecedoras do ecossistema. Já aquelas que atuam diretamente como intermediárias ou custodiantes enfrentam maior desafio, pois precisam atender exigências de capital voltadas à segurança, prevenção à lavagem de dinheiro e qualificação técnica. Ainda assim, o regulador sinaliza abertura ao diálogo, como demonstrou ao ampliar prazos de adequação para o setor”, afirmou.

Outro ponto central envolve a convergência entre Banco Central e CVM em temas como tokenização e duplicata escritural. A tendência é estabelecer padrões de interoperabilidade para identidade do ativo, registro, lastro e eventos, mantendo clara separação entre registro e oferta/distribuição. Essa harmonização evita sobreposição regulatória e cria bases para escala.

Tokenização como modernização estrutural

Segundo Faria, o movimento brasileiro acompanha uma tendência global já consolidada por grandes instituições financeiras. BlackRock, Franklin Templeton e JPMorgan investem de forma consistente em tokenização de ativos e infraestrutura digital. Quando a maior gestora do mundo lança um fundo tokenizado com rotina operacional e pagamentos registrados em rede pública, o recado é direto: ativos financeiros podem nascer com trilhos on-chain.

A Franklin Templeton mantém fundo de mercado monetário com trilha registrada em blockchain, enquanto o JPMorgan desenvolve infraestrutura para liquidação, colateral e mobilidade de ativos. Esses casos mostram que a tokenização não busca substituir o sistema financeiro tradicional, mas torná-lo mais eficiente, rápido e programável, reduzindo riscos operacionais e aumentando a transparência.

Para emissores, a tokenização e a digitalização trazem redução de custos de originação e estruturação, encurtamento do ciclo de documentação e distribuição e melhor gestão de garantias e covenants por meio de trilhas auditáveis e eventos programados. Para investidores institucionais, os ganhos aparecem na transparência, no monitoramento quase em tempo real e na eficiência de colateral, com ativos mais móveis para margem e garantia”, destacou.

Empresas de médio porte também podem se beneficiar. Tradicionalmente, o mid-market enfrenta alto custo fixo e complexidade para acessar o mercado de capitais. Infraestrutura baseada em blockchain reduz o custo por operação, permite emissões mais granulares e melhora a rastreabilidade de recebíveis. O resultado pode ser uma experiência de funding mais próxima de um modelo plug-and-play, com governança e visibilidade aprimoradas.

Desafios e próximos passos

Apesar da maturidade tecnológica, Bruno defende que a adoção em larga escala depende de interoperabilidade entre registradoras, custodiante e plataformas, além de harmonização regulatória contínua entre Banco Central e CVM. A gestão de risco operacional e cibernético, incluindo custódia de chaves e auditoria técnica, também exige atenção.

Outro desafio envolve liquidez secundária. Sem mercados secundários bem estruturados, ativos tokenizados podem continuar ilíquidos, apenas com nova “embalagem tecnológica”. A escala virá quando o ganho de eficiência superar claramente o custo de mudança para emissores e investidores.

Nos próximos cinco anos, o blockchain tende a se consolidar como camada de liquidação, garantias e dados para ativos financeiros, incluindo fundos, recebíveis e crédito privado. A convergência com infraestrutura pública, como Pix e Open Finance, pode ampliar ainda mais os casos de uso.

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