Crédito, Reuters
- Author, Paula Rosas
- Role, BBC News Mundo
Tempo de leitura: 8 min
No total, foram alvos dos ataques Catar, Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Jordânia e Iraque, além de Israel.
Teerã começou o dia prometendo uma “resposta esmagadora”, destacando que as agressões ocorreram “mais uma vez durante as negociações” com Washington sobre o programa nuclear iraniano.
Na primeira bateria de ataques, durante a manhã de sábado, o regime dos aiatolás reagiu lançando mísseis contra Israel, o que foi confirmado pelo exército do país, e contra várias nações da região onde os Estados Unidos possuem interesses militares ou que são aliadas.
“Todos os territórios ocupados e as bases criminosas dos Estados Unidos na região foram atingidos pelos potentes impactos dos mísseis iranianos. Esta operação continuará sem descanso até que o inimigo seja derrotado de forma decisiva”, afirmou a Guarda Revolucionária do Irã.
Na tarde de sábado, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica anunciou uma nova onda de ataques com mísseis contra bases americanas no Oriente Médio, segundo informa a agência de notícias AFP, citando a televisão estatal iraniana.
A amplitude dos alvos de Teerã nesta resposta é muito diferente da reação controlada de junho do ano passado, quando reagiu ao ataque dos EUA com o lançamento de alguns mísseis contra bases americanas na área, mas sem outros avanços.
Segundo Frank Gardner, correspondente de Segurança da BBC News, “isso é diferente”: “É mais grave e perigoso do que qualquer outra coisa anterior”.
Outro correspondente de segurança, Jonathan Beale, citou que o ataque iraniano à base da Marinha dos EUA no Bahrein “destacou lacunas nas defesas aéreas, o que vai preocupar Washington e seus aliados na região”.
A análise argumenta que apesar da superioridade militar dos EUA, o volume de mísseis e drones do Irã, que incluem milhares de mísseis balísticos e drones de ataque, significa que Washington pode não conseguir impedir completamente ações contra seus interesses na região.
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, informou que o país tem o direito de responder e proteger sua integridade.
Araghchi manteve conversas telefônicas com seus homólogos de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Iraque, comunicando que o Irã utilizará “todos os seus recursos defensivos e militares em virtude do legítimo direito à autodefesa”.
Ele também ressaltou que estes países têm a “responsabilidade de impedir o uso indevido de suas instalações e territórios” por parte dos Estados Unidos e de Israel para realizar ataques.
Por sua vez, o Conselho Supremo de Segurança Nacional (SNSC) do Irã apontou que o “inimigo” assumiu erroneamente que o povo iraniano “se renderia às suas mesquinhas demandas mediante ações tão covardes”.
Segundo o SNSC, as forças armadas do Irã já haviam começado a tomar medidas de retaliação e se comprometeram a “manter continuamente informado o querido povo”.
Além disso, advertiu que as operações dos Estados Unidos e de Israel poderiam continuar em Teerã e outras cidades, instando os cidadãos a “manter a calma” e viajar para áreas mais seguras quando fosse possível para evitar perigos.
Segundo informou a agência oficial de notícias iraniana Fars, o país tinha como objetivo atingir as bases aéreas Al Udeid no Catar, Ali Al Salem no Kuwait, Al Dhafra nos Emirados Árabes Unidos e a base naval da Quinta Frota dos Estados Unidos no Bahrein.

Crédito, Reuters
Israel
Em Israel, as sirenes soaram em cidades como Jerusalém, e o país confirmou que as Forças de Defesa de Israel haviam interceptado mísseis lançados do Irã.
Não houve informações de feridos.
No entanto, as Forças de Defesa de Israel advertiram em um comunicado que “a defesa não é hermética e, portanto, é essencial que o público siga as diretrizes” das autoridades.
Emirados Árabes Unidos
Nos Emirados Árabes Unidos, o Ministério da Defesa afirmou em um comunicado que o país foi alvo de “um ataque flagrante com mísseis balísticos iranianos”.
“Os sistemas de defesa aérea dos Emirados Árabes Unidos responderam com grande eficácia e interceptaram com sucesso vários mísseis”, acrescentou.
No entanto, segundo o ministério, os destroços caíram sobre uma zona residencial de Abu Dhabi, a capital, causando alguns danos materiais e a morte de um civil cujo nome não foi revelado.
A BBC, além disso, recebeu uma foto de uma testemunha ocular que mostra uma coluna de fumaça perto do hotel Fairmont The Palm, em Dubai.
O governo de Dubai confirmou posteriormente o incidente e informou que quatro pessoas ficaram feridas e que o incêndio foi controlado.

O governo dos emirados condenou o ataque como uma “escalada perigosa” e um “ato covarde”, e sublinhou que “reserva-se todo o direito de responder”.
Não se sabe com certeza quais eram os objetivos do Irã nos emirados, mas existe presença militar americana no país.
Em Abu Dhabi, a Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos e a dos EUA dividem a base aérea de Al Dhafra.
E o porto de Jebel Ali, em Dubai, é o maior porto que abriga a Marinha dos EUA no Oriente Médio, acolhendo porta-aviões e outros navios americanos.
Bahrein
Bahrein, sede da Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos, também foi alvo de um ataque com mísseis do Irã.
Imagens gravadas por testemunhas, postadas nas redes sociais e verificadas pela BBC mostram uma grande explosão nessa base naval.
O Centro Nacional de Comunicações do Bahrein afirmou que o centro de serviços da Quinta Frota havia sido “objeto de um ataque com mísseis”. Este centro é responsável pelas operações no Golfo, no Mar Vermelho, no Mar da Arábia e em partes do Oceano Índico.
Outras imagens verificadas procedentes do Bahrein mostram colunas de fumaça escura enquanto soam as sirenes em toda a cidade.
A embaixada dos EUA em Manama, a capital do pequeno país insular no Golfo Pérsico, emitiu um alerta de segurança no qual advertia sobre um “ataque iminente com drones ou mísseis no Bahrein”, e instou os cidadãos americanos a se “refugiar no local onde se encontrem, revisar os planos de segurança em caso de ataque e permanecer alerta diante de possíveis ataques futuros”.

Crédito, Getty Images
Catar
Em Doha, a capital do Catar, a correspondente da BBC Barbara Plett Usher também pôde ouvir explosões, e o Ministério da Defesa do país informou que havia interceptado vários mísseis, aparentemente direcionados contra a base aérea de Al Udeid, a maior base militar americana da região.
O Ministério do Interior declarou, no entanto, que os ataques não haviam causado danos.
“Temos recebido alertas de emergência em nossos telefones advertindo a população para que permaneça em suas casas. Ainda há trânsito nas estradas, mas menos que em outros dias”, relatou Plett Usher.
Em Doha, a base aérea de Al Udeid é o quartel-general avançado do Comando Central dos EUA.
Arábia Saudita
A Arábia Saudita confirmou que o Irã atacou Riad, advertindo que se reserva o direito de se defender.
O reino expressou sua “mais enérgica condenação aos flagrantes e covardes ataques iranianos contra as regiões de Riad e a Província Oriental, que foram repelidos”, declarou o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado.
“Diante desta agressão injustificada, o reino afirma que tomará todas as medidas necessárias para defender sua segurança e proteger seu território, seus cidadãos e seus residentes, inclusive com a opção de responder à agressão”.
Os EUA têm mais de 2.000 soldados na Arábia Saudita, alguns dos quais estão destacados a cerca de 60 km ao sul de Riad, na base aérea Príncipe Sultão.
Essa base dá apoio aos ativos do Exército dos Estados Unidos, incluindo as baterias de mísseis Patriot e os sistemas de defesa antiaérea de grande altitude (THAAD).
Os líderes da Arábia Saudita, Catar e Omã haviam instado anteriormente o governo de Donald Trump a não atacar o Irã.

Kuwait
O coronel Saud Abdulaziz Al-Atwan, porta-voz do Ministério da Defesa do Kuwait, publicou no X que a base aérea Ali Al-Salem, onde a força aérea americana está presente, havia sido atacada por vários mísseis balísticos, mas que as forças de defesa aérea do país conseguiram interceptá-los.
A BBC recebeu imagens registradas em uma rodovia do Kuwait que parecem mostrar as consequências de um ataque. Pode-se ver um caminhão em chamas, e o que parece ser um carro dos bombeiros.
Mais tarde, a Autoridade Pública de Aviação Civil do Kuwait afirmou que um drone atacou o Aeroporto Internacional do Kuwait, assegurando que a situação estava sob controle.
Jordânia
Na Jordânia, país vizinho de Israel, as forças armadas informaram que derrubaram dois mísseis balísticos que tinham como objetivo atingir o seu território.
As autoridades jordanianas detalharam que caíram “objetos e escombros” em vários lugares do reino “sem causar vítimas, apenas danos materiais” e disseram que seguiam de perto os acontecimentos na região e reiteraram que a principal prioridade do reino era salvaguardar a segurança da sua população.

Crédito, Getty Images
Iraque
De acordo com a agência Reuters, as defesas aéreas americanas derrubaram um drone sobre uma base militar americana perto de Erbil, no Iraque.
A AFP, por sua vez, relatou que foram ouvidas explosões perto do consulado do país na cidade.
Duas pessoas morreram em ataques aéreos contra uma base militar iraquiana que abrigava o poderoso grupo pró-Irã Kataeb Hezbollah, que ameaçou os Estados Unidos com uma resposta.