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quinta-feira, março 5, 2026

Crítica | Bat-Man: Segundo Cavaleiro – Plano Crítico

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Dan Jurgens e Mike Perkins retornam à versão original do Batman, a de luvas roxas, orelhas mais pontudas e ainda grafada como Bat-Man, seguindo o mesmo formato da excelente Bat-Man: Primeiro Cavaleiro, ou seja, três edições na encadernação levemente maior e mais caprichada do selo DC Black Label que coloca o Cruzado Encapuzado contra a ameaça representada pela união do Carrasco com o Espantalho em uma Gotham City de 1940, logo depois de Hitler invadir a Polônia, mantendo a Segunda Guerra Mundial, portanto, como importante pano de fundo. E, como se isso não bastasse, a dupla criativa trata de expandir esse universo trazendo ninguém menos do que o Superman para a história, ainda que eu creia que o Azulão merecesse uma minissérie solo, o que espero que esteja nos planos para breve.

Na história, o Carrasco – desenhado por Perkins de maneira bem próxima ao Justiça Encapuzada, de Watchmen, mas fazendo-o branco – toca o terror em Gotham assassinando pessoas aleatórias de maneiras criativamente horríveis sem um objetivo maior que não seja realmente instilar medo na população. Seu “trabalho” consegue o alcançado com o bônus de atrair a atenção do Espantalho, já mascarado e com seu famoso gás, que o recruta para seu parceiro em sua empreitada de ampliar o escopo desse pavor todo, algo que, claro, tem um objetivo ainda mais perverso por trás e que se conecta com a guerra em andamento na Europa, o que funciona muito bem para amarrar as histórias. Bruce Wayne, ainda vivendo sozinho em sua mansão e usando uma casa adjacente à ela para guardar seu traje e gadgets dentro de um cofre, não demora a investigar, apesar da reprovação de sua namorada, a atriz Julie Madison, que está na cidade para a première de seu novo filme produzido pelo bilionário.

A entrada do Superman na história se dá por intermédio de Lois Lane, do Daily Star (que era o nome original do Daily Planet, vale lembrar), que está em Gotham para cobrir a première, logo encetando uma amizade com Julie e sendo visitada por seu protetor e colega Clark Kent. O que funciona maravilhosamente bem é que Jurgens lida com o Superman exatamente da mesma maneira que lida com o Bat-Man, ou seja, retornando ao básico, ao que ele era no começo, antes das modificações que o transformaram em um ser tão poderoso que torna muito difícil contar histórias significativas. Aqui, Superman pula alto no lugar de voar, é à prova de balas, mas sente o impacto delas, é rápido, mas não absurdamente, o que torna seu pareamento com o Bat-Man muito mais crível e interessante, sem que seja necessário recorrer a vilões igualmente poderosos ou o famoso “preparo”, nome esperto dado às conveniências de roteiristas sem freio.

Se o roteiro de Jurgens acerta em cheio novamente, a arte de Perkins dá outro show de realismo com uma Gotham suja, feia, escura, um Bat-Man esbelto e não uma massa de músculos, além de um Superman com uniforme extraído da versão dos incríveis desenhos dos estúdios Fleischer e Famous no começo dos anos 40. Fazendo uso generoso de quadros de página inteira para ampliar o impacto de sua arte, Perkins consegue dar intensa vida ao que Jurgens escreve, ecoando a desesperança que a história passa pelos eventos em Gotham e pelo fantasma da guerra no segundo plano, com direito a belíssimos flashbacks do Comissário Gordon durante a Primeira Guerra Mundial. Mas os personagens “normais” também brilham vale dizer, primeiro com a quase literal luz que emana de Julie e Lois, mas também passando pelo rabino amigo de Bruce Wayne e que, como Julie, sabe de seu segredo, e que funciona também eco dos horrores antissemitas de Hitler e sua laia. Também gosto muito como ele desenha o Bruce Wayne em trajes civis, ou seja, não exatamente como um homem perfeito, viril e assim por diante, mas sim como uma pessoa comum, algo que Jurgens amplifica ao fazê-lo sentir os ferimentos que sofre quando uniformizado.

Bat-Man: Segundo Cavaleiro é outra minissérie de Jurgens e Perkins que consegue triunfar com o básico, retornando décadas no tempo para nos apresentar versões de queridos personagens que já esquecemos ou, em alguns casos, que nem sequer conhecíamos. Existe material suficiente para mais e para um spin-off do Superman, talvez até mesmo com participações de outros heróis dos anos 40 da DC como o Arqueiro Verde e Shazam, sem trair toda a ambientação criada aqui.

Bat-Man: Segundo Cavaleiro (The Bat-Man: Second Knight – EUA, 2026)
Roteiro: Dan Jurgens
Arte: Mike Perkins
Cores: Mike Spicer
Letras: Simon Bowland
Capas principais: Mike Perkins
Editoria: Matthew Levine, Chris Conroy
Editora original: DC Comics (DC Black Label)
Datas originais de publicação: 17 de setembro e 17 de dezembro de 2025; 25 de fevereiro de 2026
Páginas: 159



[Fonte Original]

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