O governo do presidente americano, Donald Trump, abriu caminho para que a Venezuela venda ouro nos Estados Unidos, em um grande impulso para o país, que enfrenta uma grave escassez de dólares devido às restrições às exportações de petróleo.
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) do Departamento do Tesouro americano emitiu uma licença que permite que entidades dos EUA realizem determinadas transações envolvendo ouro de origem venezuelana que, de outra forma, seriam proibidas pelas sanções, segundo um aviso divulgado na sexta-feira.
A autorização inclui várias salvaguardas, como contratos regidos pela legislação dos EUA e pagamentos depositados em contas controladas pelo governo americano.
A licença não abrange trocas de dívida ou pagamentos digitais; transações envolvendo entidades ligadas à Rússia, Irã, Coreia do Norte, Cuba ou China; nem atividades de mineração ou produção de ouro dentro da Venezuela.
O anúncio ocorre após a visita, nesta semana, do secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, a Caracas, enquanto Washington busca reativar a produção de petróleo e minerais no país sul-americano, ampliando a coordenação com o governo interino venezuelano após a captura, em janeiro, do ex-presidente Nicolás Maduro.
Os EUA e a Venezuela concordaram em restabelecer relações diplomáticas, sete anos depois de Washington suspender as operações de sua embaixada em Caracas.
O governo dos EUA já firmou um acordo pelo qual a empresa estatal de mineração da Venezuela venderia até 1.000 quilos de ouro à trading de commodities Trafigura, segundo pessoas familiarizadas com o assunto consultadas pela agência Bloomberg.
Ao longo dos anos, Maduro recorreu à venda de toneladas de ouro a compradores internacionais ilegais a partir dos cofres do Banco Central da Venezuela para ajudar as escassas finanças do país.
Essas vendas afetaram as reservas de ouro da nação em meio à queda da produção de petróleo após anos de má gestão e corrupção e, mais recentemente, devido às sanções dos EUA.
O ouro ganhou ainda mais importância como fonte de moeda forte para a Venezuela no ano passado, à medida que o ativo de refúgio atingiu sucessivos recordes de preço e o governo dos EUA endureceu as restrições às exportações de petróleo do país.
O banco central venezuelano vendeu quase seis toneladas de ouro no segundo semestre, principalmente em dezembro de 2025, quando os EUA começaram a apreender petroleiros venezuelanos.
O ouro venezuelano foi extraído em uma região concebida pelo falecido Hugo Chávez, conhecida como Arco Minero del Orinoco (Arco Mineiro do Orinoco, em português), localizada no sul do país e aproximadamente do tamanho de Portugal.
Ao longo dos anos, a área se tornou um centro de mineração ilegal e degradação ambiental. A ausência de autoridade estatal deu origem a sindicatos criminosos e grupos armados, mesmo com a presença de militares na região.