18.5 C
Brasília
sábado, março 7, 2026

Dólar recua com petróleo ajudando real, mas avança 2,14% na semana

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

O dólar à vista exibiu desvalorização frente ao real nesta sexta-feira, depois de uma semana de estresse nos mercados cambiais por conta dos conflitos no Oriente Médio. O movimento de hoje destoou daquele observado na maioria dos mercados mais líquidos acompanhados pelo Valor, mas a dinâmica se assemelhou ao que ocorreu em outras moedas mais sensíveis a preços de petróleo. Hoje, os contratos futuros mais líquidos da commodity voltaram a subir com intensidade e deram suporte às divisas de países produtores e exportadores.

Ainda que a variação diária tenha sido negativa para o dólar, no acumulado semanal houve apreciação de 2,14% da moeda americana frente ao real. Pares emergentes, no entanto, foram ainda mais pressionados do que a moeda brasileira.

Encerradas as negociações de hoje, o dólar à vista fechou negociado em queda de 0,81%, cotado a R$ 5,2439, depois de ter encostado na mínima de R$ 5,2389 e batido na máxima de R$ 5,3214. Já o euro comercial recuou 0,54%, a R$ 6,0844.

Entre as moedas que mais se valorizavam no dia estavam o real, a coroa norueguesa e o dólar canadense, todas mais sensíveis a preços de petróleo. Perto das 17h15, no exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,34%, aos 98,982 pontos.

No começo da sessão, o dólar exibiu alta frente ao real, em linha com o movimento predominante no exterior. Ao longo da manhã, no entanto, a dinâmica foi ganhando outros contornos, possivelmente por conta do suporte que os preços do petróleo dão ao real. Hoje, o contrato futuro mais líquido do petróleo Brent (a referência global) avançou 8,52%, enquanto o WTI (referência americana) teve alta de 12,21%.

Operadores disseram que essa valorização dos contratos de commodities energéticas estão guiando a formação de preços dos ativos globais, mesmo em dia de publicação de dados fracos do “payroll” nos Estados Unidos. “O mercado até chegou a ter uma reação tímida após os números do mercado de trabalho americano, mas a preocupação maior acabou se tornando o conflito no Oriente Médio”, diz um gestor na condição de anonimato. “Fora que economia fraca e pressão inflacionária por causa da guerra não são uma combinação que deveria agradar aos mercados.”

Operadores de câmbio apontaram, ainda, que a melhora do real hoje, que destoou dos pares emergentes, pode ser justificada pela combinação do suporte que a moeda recebe da alta dos preços do petróleo e também dos juros elevados.

O banco J.P. Morgan, por exemplo, em relatório semanal de estrategistas, disse que a casa continua otimista com moedas de alto rendimento (juros elevados) que têm sensibilidade limitada ou positiva ao petróleo. “Estaríamos mais inclinados a aumentar a exposição comprada no peso mexicano e no real”, indicaram os estrategistas no texto.

Segundo o banco americano, a menor vulnerabilidade aos preços do petróleo, combinada com o alto “carry” tanto do peso mexicano quanto do real, deixa essas moedas mais bem preparadas para enfrentar o atual cenário turbulento. É por isso que a casa decidiu manter posições existentes nas divisas e fez um adendo: “Consideraríamos aumentar risco sob três condições: progresso concreto na normalização dos fluxos globais de petróleo; evidências de posicionamento mais ‘limpo’ em moedas da América Latina (ou seja, menos posições excessivamente concentradas); ‘valuations’ mais atraentes.”

Os modelos do banco indicam que níveis acima de 17,90 pesos por dólar e R$ 5,35 por dólar seriam atrativos para aumentar a exposição comprada nessas moedas. “No entanto, como já mencionamos, o nível de preço sozinho não é condição suficiente para adicionar posição.”

Também em avaliação do desempenho das moedas de mercados emergentes no contexto de conflito, o banco ING aponta que, olhando pela perspectiva de moeda local, o ranking de perdas no câmbio de mercados emergentes é liderado pelo florim húngaro, peso chileno e rand sul-africano, seguidos por várias moedas da América Latina. “Os déficits de energia são o principal fator por trás dessas quedas, mas parte das perdas na América Latina está mais ligada ao aumento da volatilidade afetando o carry trade, já que moedas latino-americanas de alto rendimento estavam muito favorecidas recentemente”, diz em nota o chefe global de mercados do banco, Chris Turner, fazendo referência principalmente ao real neste caso do “carry”.

Para o banco, provavelmente levará algum tempo para que os níveis de volatilidade retornem para perto do que estavam na semana passada. “No entanto, moedas como o real brasileiro, com rendimento implícito de cerca de 13% via NDFs de três meses, pode ser uma das primeiras a voltar a receber fluxos de capital, caso as condições se estabilizem”, diz. “Um ponto de atenção, porém, seria se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um ano eleitoral, tentar lidar com os altos preços de energia por meio de apoio fiscal. Isso poderia desencadear uma nova rodada de desvalorização do real.”

[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img