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sábado, março 7, 2026

Fórmula 1 Entra em Nova Era com Regras e Carros Inéditos

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É praticamente outra categoria. Em um pacote que dirigentes e engenheiros descrevem como a maior revolução em décadas na Fórmula 1, na temporada de 2026 mudam o desenho dos carros, a forma como a potência é gerada e distribuída e até a lista de equipes no grid. “Será uma nova era para a Fórmula 1, em que veremos um conjunto totalmente novo de regulamentos para o nosso esporte, para os carros e para os motores, que serão abastecidos com combustível 100% sustentável”, resume Stefano Domenicali, presidente e CEO da Fórmula 1. Para Mohammed Ben Sulayem, presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), trata-se de “um novo capítulo significativo”, com novas corridas, novas equipes, novos fabricantes e “a próxima geração de carros de F1”.

O pano de fundo é um campeonato com 24 etapas em cinco continentes, mantendo seis corridas no formato Sprint, mais curta e com pontuação para os oito primeiros – China, Miami, Canadá, Grã-Bretanha, Holanda e Singapura – e um calendário reorganizado para reduzir deslocamentos. A preparação também muda: por causa da profundidade das alterações técnicas, a pré-temporada terá três blocos de testes. O primeiro, privado, ocorreu em Barcelona, no fim de janeiro; os outros dois foram no Bahrein, em fevereiro. A largada oficial do mundial está marcada para a Austrália neste domingo, 8 de março.

Um grid de 11 equipes

No pelotão das equipes, 2026 combina continuidade e ruptura. Ao todo, 11 times se alinham no grid, com a chegada da Cadillac e a transformação da antiga Sauber em equipe oficial da Audi, com o piloto brasileiro Gabriel Bortoleto, ao lado de nove estruturas já conhecidas. A McLaren inicia sua 61a temporada como atual campeã de construtores, com Lando Norris defendendo o primeiro título de pilotos e Oscar Piastri como companheiro, sob o comando de Andrea Stella. Mercedes, Red Bull e Ferrari mantêm seus nomes de frente – George Russell e Kimi Antonelli, Max Verstappen (ao lado do novato Isack Hadjar), Charles Leclerc e Lewis Hamilton – e tentam se adaptar rapidamente ao novo regulamento. Williams, Aston Martin, Haas e Alpine buscam aproveitar a oportunidade de embaralhar a ordem de forças em um cenário técnico redesenhado.

A Cadillac é a primeira nova equipe desde a entrada da Haas em 2016. O time, comandado por Graeme Lowdon, terá Valtteri Bottas e Sergio Perez e, enquanto constrói sua própria estrutura de motores, usará unidade de potência e câmbio fornecidos pela Ferrari. A Ford também entra na Fórmula 1, como fabricante de motores da Red Bull Racing e dos modelos da Racing Bulls, time satélite da marca de energéticos.

É na parte técnica, porém, que a transformação é mais profunda. Pela primeira vez em 12 anos, a Fórmula 1 renova de forma ampla as unidades de potência e, em paralelo, redesenha o conceito aerodinâmico dos carros. O objetivo declarado é construir monopostos mais ágeis, relevantes para a indústria e com maior protagonismo do piloto na gestão de energia.

Os carros ficam menores, mais estreitos e cerca de 30 quilos mais leves. A retirada dos túneis de efeito solo reduz de 15% a 30% a carga aerodinâmica e corta até 40% do arrasto, o que tende a gerar velocidades de reta maiores e um comportamento menos “colado” ao chão.

Em troca, entra em cena a aerodinâmica ativa: asas dianteira e traseira passam a ter elementos móveis, permitindo modos específicos para curvas e retas, em um conceito que substitui o antigo DRS por um sistema mais amplo, integrado ao gerenciamento de energia.

Os pneus seguem com rodas de 18 polegadas, mas as larguras dianteira e traseira diminuem. A combinação de carro menor e mais leve, com menos área de contato e menos downforce, devolve importância à aderência mecânica e aumenta a chance de erro do piloto aparecer na tela.

Do lado do powertrain, a filosofia é de equilíbrio entre combustão e eletrificação. A meta é uma divisão próxima de 50% entre motor a combustão interna e parte elétrica. O sistema híbrido é simplificado: o MGU-H desaparece, enquanto o MGU-K tem a potência significativamente elevada, aumentando a capacidade de recuperação e de entrega de energia elétrica nas acelerações. Toda essa arquitetura passa a operar com combustível sustentável avançado, mantendo o nível de desempenho.

Novo vocabulário da F1

As mudanças técnicas vêm acompanhadas de uma revisão de linguagem. Fórmula 1, FIA e equipes trabalharam juntas na criação de termos mais objetivos para explicar as ferramentas à disposição dos pilotos, testando a compreensão em grupos de torcedores e em uma comunidade de 50 mil fãs.

O “Overtake Mode” passa a ser o modo de ultrapassagem: um recurso disponível para carros que estejam a até um segundo do rival à frente, permitindo liberar potência extra para tentar a manobra, em um único trecho ou distribuída ao longo da volta.

O “Boost Mode” é o botão de potência máxima, que aciona o melhor desempenho possível da combinação motor-bateria em qualquer ponto do circuito, para ataque ou defesa.

“Active Aero” designa a própria aerodinâmica ativa, com ajustes dinâmicos de asas em trechos determinados, alternando configurações de curva e de reta. Já “Recharge” descreve os momentos em que o piloto organiza sua volta para recarregar a bateria, recuperando energia em frenagens, alívios de acelerador no fim das retas ou trechos em que não usa toda a potência disponível.

Na visão da categoria, o pacote coloca “mais poder nas mãos dos pilotos”, que passam a decidir em tempo real como equilibrar ataque, defesa, regeneração e consumo em cada stint (sequência de voltas com os mesmos pneus)

O que os pilotos sentiram na pista

No primeiro contato prático com os carros de 2026 no Circuit de Barcelona-Catalunya, as equipes começaram a acumular quilometragem e os pilotos tiveram um retrato inicial do novo comportamento.

Lando Norris, atual campeão, descreveu o novo carro como “divertido de guiar”, com “mais potência e menos aderência”, o que exige controlar e “brigar” mais com o monoposto. O britânico avalia que o carro “parece mais potente e mais rápido” e prevê “mais disputas” e “estratégias diferentes” nas corridas. Oscar Piastri considerou o conjunto desafiador, mas “não tão alienígena quanto se temia”.

Na Ferrari, Lewis Hamilton falou em “muito menos downforce do que nos anos anteriores”, mas classificou a nova geração como “mais divertida de dirigir”: segundo ele, o carro é mais traseiro, escorrega mais, mas é “um pouco mais fácil de corrigir”. George Russell, da Mercedes, chamou a atenção para a força das novas unidades, dizendo que a potência é “bastante impressionante” e que as passagens na reta de Barcelona foram “provavelmente as mais rápidas” que já viu no circuito.

Ao apresentar o pacote, Domenicali reforçou o equilíbrio buscado entre competição próxima, relevância tecnológica e metas de sustentabilidade. Ben Sulayem agradeceu “aos fãs, cuja paixão e o apoio inabalável mantêm vivo o espírito do esporte”. Em comum, os dois dirigentes enxergam 2026 como mais do que um novo campeonato: é o início de uma nova Fórmula 1.

Reportagem publicada na edição 138 da revista, disponível nos aplicativos na App Store e na Play Store e também no site da Forbes.

[Fonte Original]

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