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terça-feira, março 10, 2026

Promessa de crescimento de Trump esbarra em dados preocupantes em 2026

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O presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, prometeu que 2026 seria um ano de crescimento para a economia, mas, pelo contrário, o ano começou com perda de emprego, aumento no preço dos combustíveis e incertezas sobre o futuro do país.

Em seu discurso para o Estado da União, menos de duas semanas atrás, o presidente republicano afirmou, com confiança, que “a economia está rugindo como nunca antes”. A última leva de dados de emprego, preço dos combustíveis e mercado de ações sugerem que o rugido a que Trump se referia começa a soar mais como um gemido.

Há uma distância entre o boom que Trump previu e os resultados voláteis que ele atingiu – distância que poderia ditar o tom para as eleições deste ano, conforme o presidente tenta manter a maioria republicana na Câmara e no Senado. Com o drama das tarifas a pleno vapor, a guerra contra o Irã criou preocupações adicionais sobre o aumento da inflação com base no preço do petróleo e gás natural. Para a Casa Branca, o ano ainda está começando, e há espaço para mais crescimento.

Sem sinais de aumento de emprego

“WOW! A Era de Ouro da América está aqui!!!”, postou Trump nas redes sociais em 11 de fevereiro, depois de os relatórios mensais mostrarem a criação de 130 mil postos de emprego em janeiro. Desde então, o mercado evaporou de forma preocupante. O relatório de sexta-feira mostrou que foram fechadas 92 mil vagas em fevereiro. Os números de dezembro e janeiro foram revisados para baixo, registrando a perda de 17 mil vagas em fevereiro. Os dados mensais de emprego podem variar, mas a tendência parece estar se consolidando no sentido de perdas constantes.

Sem o setor de saúde, a economia teria perdido cerca de 202 mil postos de trabalho desde que Trump assumiu a presidência em 2025. Ainda assim, seu governo destaca que os ganhos no setor de construção não residencial apontam para um aumento nas contratações.

Trump costuma se gabar de que as vagas estão sendo preenchidas por americanos, e não por imigrantes. Mas o último relatório mostra falhas nesse argumento. A taxa de desemprego para pessoas nascidas nos EUA nos últimos 12 meses foi de 4,4% para 4,7%. Isso significa que uma proporção maior das pessoas que Trump disse que conseguiriam empregos devido ao estrangulamento da imigração estão, na verdade, procurando emprego.

Preços na bomba estão subindo

“Cortar o preço da energia é uma das ações mais importantes que nós podemos tomar para reduzir os preços para os consumidores americanos”, disse Trump em um discurso no Texas em fevereiro, pouco antes de os EUA e Israel atacarem o Irã. “Porque quando você reduz o preço da energia, você corta na verdade – você corta o custo de tudo.” O presidente disse várias vezes aos americanos que manter baixo o preço da gasolina era a chave para combater a inflação. Ele tem enfeitado a queda, citando números que estão bem abaixo da média nacional para convencer o público de que dirigir estava ficando mais barato.

Mas os ataques ao Irã que começaram em 28 de fevereiro têm arrasado com essa narrativa. Os preços na bomba saltaram 19% sobre o mês passado para uma média nacional de US$ 3,45, segundo a Associação Automobilística Amerciana (AAA). O banco de investimentos Goldman Sachs alertou, em uma análise de investimentos, que, se os preços da gasolina continuarem altos, a inflação pode aumentar dos 2,4% registrados em janeiro para 3% até o fim do ano.

O governo está contando com planos para conter novos aumentos dos preços de energia, essencialmente apostando que o conflito vai acabar logo ou que a administração vai conseguir transportar mais tanques através do Estreito de Hormuz.

Conselheiros de Trump procuraram acalmar a ansiedade da população afirmando neste domingo que o aumento no preço dos combustíveis é um efeito de curto prazo. “Nós não sabemos qual exatamente é a janela de tempo para essa situação”, disse o secretário de Energia Chris Wright à CNN. “Mas no pior dos casos, é uma questão de semanas, não de meses”.

“Vocês sabem, batemos o recorde histórico com a Dow Jones alcançando 50 mil pontos”, afirmou Trump na quinta-feira na Casa Branca. Mas essa fala, já batida, está começando a ficar obsoleta. O Dow Jones Industrial Average, um dos parâmetros preferidos de Trump para medir o sucesso da economia, caiu 5% no mês passado.

As ações estão em alta no seu mandato, mas elas também subiram quando o democrata Joe Biden era presidente. A queda recente pode ser revertida se a guerra com o Irã acabar e as empresas obtiverem lucros sólidos ao longo do próximo ano e nos seguintes. O recuo recente, no entanto, serve de alerta, conforme o governo tem reforçado a importância de mais pessoas investirem no mercado, por iniciativas como as “contas Trump” para crianças.

O mercado de ações tem se transformado em um barômetro para o sentimento das pessoas sobre a economia. Investidores de ações tendem a ter mais confiança, e os cidadãos que não investem tendem a ser mais pessimistas. Joanna Hsu, diretora da pesquisa de consumo da Universidade de Michigan, notou que em fevereiro, o “significativo” aumento de confiança entre as pessoas que detêm ações “foi totalmente eclipsado por um declínio entre os consumidores que não têm”.

Produtividade sobe, mas não beneficia trabalhadores

Trump pode apontar como uma vitória que a economia tenha se tornado mais produtiva – gerando mais valor por hora trabalhada. Esse é um bom sinal para o crescimento a longo prazo e reflexo de força do setor de tecnologia. A produtividade do trabalho no setor de negócios cresceu 2,8% no quarto trimestre do ano passado, segundo o Departamento do Trabalho divulgou na quinta.

Mas o desafio é que os ganhos possam não estar alcançando os trabalhadores na forma de salários mais altos, uma vez que o salário dos trabalhadores caiu para o menor nível histórico em 2025, segundo Mike Konczal, diretor de política e pesquisa no Economic Security Project, uma organização não governamental alinhada com os liberais.

A economia cresceu mais com Biden

“Sob a administração do Biden, a América foi ameaçada pela estagflação, com baixo crescimento e alta inflação – uma receita para a miséria, o declínio e o fracasso”, disse Trump no Fórum Econômico Mundial em Davos, Suiíça, em janeiro. Os dados no entanto, apontam um cenário diferente, mostrando um desempenho melhor de Biden em 2024 do que de Trump no ano passado.

A economia dos EUA cresceu 2,8% no último ano do governo Biden, comparado com 2,2% no primeiro ano do governo Trump. No caso da inflação, a medida usada como base pelo Federal Reserve é o índice geral de preços nos gastos pessoais dos consumidores. Ele foi de 2,6% tanto em 2024 quanto em 2025.

Trump baseia seu argumento no fato de que a economia está indo melhor com ele que com Biden. Mas, embora ele tenha evitado os picos de inflação que assombraram a presidência democrata, ele não tem entregado crescimento maior nem mais emprego.

O presidente dos EUA, Donald Trump, não está entregando aumento de emprego nem queda da inflação — Foto: REUTERS/NATHAN HOWARD

[Fonte Original]

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