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domingo, abril 5, 2026

Expansão de organizações criminosas pela América Latina é novo desafio, diz vice-presidente do BID

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A expansão das organizações criminosas é o novo desafio enfrentado na América Latina e no Caribe, afirmou a vice-presidente de Setores e Conhecimento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ana Maria Ibañez. Segundo ela, esses grupos, que antes estavam concentrados em alguns países, passaram a se expandir por diferentes partes da região e também para outras áreas do mundo, exigindo novas respostas dos governos e maior coordenação para conter o avanço do crime organizado.

O banco já contava com uma divisão voltada ao apoio aos países membros na área de segurança. Segundo Ibañez, porém, a expansão da insegurança e do crime não significa que as iniciativas tenham sido ineficazes, mas indica a existência de um novo desafio que exige respostas adicionais.

“Eu não diria que não temos sido eficazes. Nós temos, de fato, e podemos mostrar muitos exemplos de sucesso, mas agora temos um novo desafio. E é um novo desafio que precisamos lidar. E aqui, no grupo do BID, estamos prontos. Estamos prontos para ajudar os países a se moverem em frente”, comentou. A declaração foi dada a jornalistas durante o encontro anual do banco, realizado nesta semana em Assunção, no Paraguai.

Questionada sobre se a eventual classificação de organizações criminosas como grupos terroristas poderia limitar a atuação do banco, Ibañez afirmou que o BID trabalha com o Estado como um todo, apoiando o fortalecimento de suas capacidades institucionais. Segundo ela, esse apoio ocorre de forma transversal nas áreas de segurança e justiça, mas reiterou que cabe a cada país definir as ações que considera mais adequadas para melhorar sua própria segurança.

Como mostrou o Valor, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem atuado para evitar que grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) sejam classificados como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Parte da política internacional da segunda gestão de Donald Trump está concentrada em perseguir cartéis de drogas e o crime organizado na América Latina.

No ano passado, o BID lançou uma nova divisão dedicada exclusivamente à área de segurança cidadã, com o objetivo de ampliar o apoio aos países da região no enfrentamento ao crime e à violência. A iniciativa busca apoiar governos no desenho de políticas públicas voltadas à prevenção da criminalidade, com base em evidências e em estudos que identificam programas eficazes para reduzir a violência e fortalecer as instituições de segurança e justiça.

Por meio dessa iniciativa, o BID prevê aportar cerca de US$ 2,5 bilhões em operações voltadas à área de segurança até 2028. Os recursos do banco não são distribuídos por região específica, mas direcionados conforme as necessidades e projetos apresentados pelos países membros.

A América Latina e o Caribe enfrentam um dos cenários de segurança mais críticos do mundo. A região abriga cerca de 8% da população global, mas concentra cerca de 30% dos homicídios mundiais. Além disso, cerca de 50% dos homicídios da região vêm do crime organizado.

Além do impacto humano, a violência também tem efeitos econômicos relevantes: o custo do crime na região alcançou 3,44% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022, de acordo com estimativas do próprio BID.

No caso do suporte ao Brasil, o banco mantém, na área de segurança, um memorando de entendimento com a Polícia Federal para o desenvolvimento de projetos e geração de conhecimento, com foco em inteligência e pesquisa voltadas ao enfrentamento do crime.

Outro exemplo de iniciativa apoiada pelo BID está o programa Centros Juvenis, no âmbito do Programa Oportunidades e Direitos, no Rio Grande do Sul. A iniciativa implantou seis centros em Porto Alegre, Alvorada e Viamão, voltados a jovens em situação de vulnerabilidade.

Nas áreas atendidas, a taxa de homicídios de jovens caiu 8,3%, enquanto nas regiões sem os centros a redução foi de 1,6%. As localidades também registraram queda da evasão escolar entre 35% e 40%, acima da redução de 9% observada no Estado.

O BID também apoiou iniciativas de segurança pública em outros Estados. No Paraná, um programa com a Polícia Militar do Paraná focado em treinamento e na atuação em “pontos quentes” de criminalidade contribuiu para uma redução de 14% nos roubos. Já no Ceará, o Programa Integrado de Prevenção e Redução da Violência (Previo) resultou em aumento de 700% na produção de laudos periciais e em redução de 54% no tempo de denúncia policial.

*A repórter viajou a convite do BID.

[Fonte Original]

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