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quinta-feira, março 12, 2026

Identidades sintéticas são ameaças para exchanges no Brasil, alerta Veriff

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Resumo da notícia

  • Identidades sintéticas já estão entre as fraudes mais perigosas para exchanges e plataformas Web3 no Brasil.

  • A Veriff alerta que criminosos usam dados reais e falsos para passar pelo onboarding com aparência legítima.

  • Para a empresa, o futuro da proteção no mercado cripto depende da união entre biometria, antifraude, inteligência de dispositivos e análise comportamental.

As identidades sintéticas já aparecem entre as ameaças mais delicadas para o mercado de criptoativos no Brasil e devem ganhar ainda mais atenção das exchanges nos próximos meses.

O alerta vem da Veriff que vê esse tipo de fraude como um dos maiores desafios do onboarding no ecossistema Web3. Segundo Júlia Monteiro, senior account executive da companhia no Brasil, o problema é grave porque mistura dados reais com informações falsas, criando perfis que parecem legítimos e conseguem atravessar filtros iniciais de cadastro com relativa facilidade.

Na prática, esse tipo de fraude preocupa porque permite que criminosos construam contas com aparência confiável, ganhem tempo dentro da plataforma e só revelem a fraude quando já estão inseridos no sistema.

Para exchanges e plataformas Web3, isso abre espaço para golpes, lavagem de dinheiro e até manipulação de mercado. O risco, segundo a executiva, é maior justamente porque muitas vezes não existe uma vítima imediata e visível no momento da abertura da conta. Quando o problema finalmente aparece, o fraudador já passou pelo onboarding e conquistou acesso ao ecossistema.

Verificação de identidade

Em entrevista ao Cointelegraph Brasil, ela destacou que esse cenário ajuda a explicar por que as plataformas cripto passaram a tratar a verificação de identidade como uma área central da operação.

O amadurecimento do mercado brasileiro trouxe mais usuários, mais empresas e maior sofisticação tecnológica. Ao mesmo tempo, também atraiu grupos fraudulentos mais organizados, capazes de explorar falhas técnicas e comportamentais com muito mais eficiência do que no passado. Para a Veriff, segurança e confiança se tornaram condições essenciais para o desenvolvimento do setor.

O avanço da regulação brasileira também entra nessa equação. Segundo a Veriff, as regras do Banco Central e o reforço de procedimentos de diligência pela Receita Federal devem obrigar exchanges a ampliar processos de compliance, identificação de usuários e monitoramento de atividades.

A avaliação da empresa é que isso tende a trazer mais previsibilidade para o setor e elevar a confiança no mercado no longo prazo, ainda que exija adaptação operacional das plataformas.

Confira a entrevista completa

Fraude e inovação

Cointelegraph Brasil (CTBR): O mercado cripto brasileiro amadureceu, mas os golpes também ficaram mais sofisticados. Como você avalia essa corrida entre inovação legítima e fraude cada vez mais profissionalizada?

Júlia Monteiro (JM)O crescimento do mercado cripto no Brasil trouxe mais adoção e mais players, mas também chamou a atenção de fraudadores cada vez mais organizados. Hoje, vemos golpes com mais estrutura, que usam tecnologia e exploram brechas tanto em sistemas quanto no comportamento dos usuários.

Isso faz com que segurança e confiança se tornem fatores centrais para o desenvolvimento do setor. À medida que o mercado evolui, as plataformas também precisam fortalecer seus mecanismos de verificação de identidade e prevenção à fraude para acompanhar esse movimento.

CTBR: De que forma a inteligência artificial já está sendo usada por fraudadores no ecossistema cripto, especialmente em golpes com deepfakes, automação de contas e engenharia social?

JM: A inteligência artificial tem facilitado que fraudadores escalem os golpes, além de torná-los mais sofisticados. Já vemos, por exemplo, o uso de deepfakes para tentar simular identidades em processos de verificação e a automação para criação de contas falsas em grande volume.

Além disso, a IA também tem sido usada para aprimorar estratégias de engenharia social, tornando abordagens fraudulentas mais convincentes. Isso aumenta a importância de soluções de verificação capazes de identificar sinais de manipulação e comportamentos suspeitos durante o onboarding.

Identidades sintéticas

CTBR: As identidades sintéticas viraram um dos maiores desafios do onboarding digital. Na prática, por que esse tipo de fraude é tão perigoso para exchanges e plataformas Web3?

JM: Identidades sintéticas são particularmente perigosas porque combinam dados reais com informações fabricadas para criar perfis que parecem legítimos à primeira vista. Para exchanges e plataformas Web3, isso permite que fraudadores passem com sucesso pelos processos de onboarding, estabeleçam contas e construam credibilidade ao longo do tempo antes de usarem essas contas para atividades como golpes, lavagem de dinheiro ou manipulação de mercado.

Um dos maiores desafios é que a fraude de identidade sintética muitas vezes não tem uma vítima imediata. Ela só se torna visível quando a conta já está integrada ao ecossistema, o que torna a detecção precoce durante o onboarding criticamente importante.

CTBR: Com a regulação do Banco Central já em vigor e com a Receita reforçando procedimentos de diligência, o que muda de verdade na operação das exchanges no Brasil?

JM: A tendência é que as exchanges tenham que reforçar processos de compliance, diligência e identificação de usuários. Isso inclui políticas mais severas de verificação de identidade e monitoramento de atividades.

Apesar de exigir adaptações, a regulação tende a trazer mais previsibilidade para o setor e a fortalecer a confiança no mercado, o que pode atrair mais investidores e usuários no longo prazo.

Regras x oportunistas

CTBR: Você acredita que regras mais robustas tendem a afastar operadores oportunistas e elevar o padrão de segurança do setor, ou existe o risco de empurrar parte do mercado para ambientes menos transparentes?

JM: Regras mais claras e bem estruturadas costumam ajudar a elevar o padrão do mercado e afastar operadores oportunistas. Isso é importante para o amadurecimento do setor.

Ao mesmo tempo, é fundamental que a regulação acompanhe o ritmo da inovação tecnológica. O desafio está em encontrar um equilíbrio que aumente a segurança e a transparência sem limitar o desenvolvimento do ecossistema.

CTBR: Hoje, verificação de identidade virou apenas uma exigência regulatória ou já se tornou uma vantagem competitiva para quem quer construir confiança no ecossistema Web3?

JM: Ela deixou de ser apenas uma obrigação regulatória. Em um ambiente como o das criptomoedas, onde a confiança é de extrema importância, garantir que os usuários são quem dizem ser se tornou um grande diferencial.

Plataformas que investem em processos de verificação eficientes conseguem reduzir fraudes, oferecer uma experiência mais segura aos usuários e também proteger a própria empresa de se tornar vítima de atividades fraudulentas. No fim, isso contribui para fortalecer a confiança no serviço e a reputação da plataforma no mercado.

Brasil

CTBR: Olhando para os próximos dois anos, qual será o diferencial das plataformas cripto mais confiáveis no Brasil: tecnologia antifraude, biometria avançada, inteligência de dispositivos, educação do usuário ou tudo isso junto?

JM: Não será uma tecnologia única, mas sim as plataformas que conseguirem conectá-las em uma camada contínua de confiança. Tecnologia antifraude, biometria e inteligência de dispositivos são tão fortes quanto seu elo mais fraco. Quando operam em silos, os fraudadores exploram as lacunas entre elas.

As plataformas cripto mais confiáveis no Brasil serão aquelas que unificam esses sinais — verificação de documentos, biometria de vivacidade, fingerprinting de dispositivos e análise comportamental — em uma única decisão em tempo real, desde o onboarding até cada transação.

A educação do usuário continua importante, mas não como substituto para uma proteção invisível e inteligente. Plataformas que obrigam os usuários a serem seus próprios analistas de fraude já perderam. O verdadeiro diferencial está em tornar a segurança tão embutida que usuários honestos mal a notem, enquanto fraudadores encontram barreiras em cada etapa.

[Fonte Original]

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