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domingo, março 15, 2026

Economias do Golfo correm risco de enfrentar a pior recessão desde os anos 1990

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A guerra no Irã ameaça causar impactos significativos para grandes economistas da região do Golfo, como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Catar, caso as disputas não acabem logo.

O Catar e o Kuwait, por exemplo, podem ver o Produto Interno Bruto (PIB) de cada contraindo 14% neste ano, caso o conflito continue durante abril, resultando em uma paralisação de dois meses do Estreito de Ormuz, de acordo com Farouk Soussa, economista do Goldman Sachs.

Isso seria a pior retração para a economia desses países desde o começo dos anos 1990, quando a invasão do Kuwait pelo Iraque engatilhou a Guerra do Golfo e provocou um caos nos mercados globais de petróleo.

A Arábia Saudita e os Emirados dos Árabes Unidos podem ser menos impactados, dada a capacidade de ambos redirecionarem seus fluxos de petróleo para longe da região crítica de Ormuz, mas ainda assim seria provável que o PIB caísse entre 3% e 5%, respectivamente, no maior impacto econômico desde a pandemia em 2020.

Petroleiro durante tensões no Estreito de Ormuz — Foto: Bloomberg

“Para muitas economias do Golfo, a guerra pode ter um impacto de curto prazo maior do que a Covid”, disse Soussa, economista do Goldman para o Oriente Médio e Norte da África. “Quando a poeira baixar, eles vão reconstruir e se recuperar, mas ainda não se sabe quais cicatrizes esse conflito deixará na confiança.”

Essa visão ressalta como a guerra no Oriente Médio criou um cenário de pesadelo para os países árabes do Golfo, que enfrentam um duplo impacto negativo, com danos tanto ao setor de petróleo quanto aos setores não ligados ao petróleo.

O conflito mostra poucos sinais de desaceleração em sua terceira semana, com o Irã continuando a atacar países vizinhos na região em retaliação aos bombardeios dos EUA e de Israel. Já os Estados Unidos atingiram instalações militares no polo de exportação de petróleo iraniano na Ilha de Kharg durante o fim de semana e alertaram que poderão atacar instalações de energia caso Teerã continue interrompendo o tráfego no Estreito de Ormuz, a rota por onde passa cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo.

O petróleo Brent superou US$ 103 por barril na sexta-feira, diante da interrupção no Estreito de Ormuz e das paralisações na produção de petróleo em países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Os mercados globais de gás também foram fortemente afetados pelo colapso das exportações de GNL (gás natural liquefeito) do Catar, enquanto Bahrein começou a reduzir a produção na maior fundição de alumínio do mundo, em parte devido à interrupção em Ormuz.

Essas disrupções, se prolongadas, podem causar os maiores danos às economias petrolíferas de Catar, Kuwait e Bahrein, segundo Soussa.

O quadro é mais complexo para Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que conseguem exportar petróleo por rotas alternativas e devem se beneficiar da alta do preço do petróleo, disseram economistas como Mohamed Abu Basha, da EFG Hermes, e Justin Alexander, da Khalij Economics. Quando se trata do setor não petrolífero, a dor pode ser mais disseminada entre os países do Golfo, já que estão sendo afetados setores que vão de mercado imobiliário a turismo e investimentos.

[Fonte Original]

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