Para entender melhor esse fenômeno, é importante lembrar que o interior da Terra é dividido em várias camadas: crosta, manto, núcleo externo líquido e núcleo interno sólido.
O núcleo interno sólido é envolto pelo núcleo externo líquido, o que permite que ele gire de forma relativamente independente do restante do planeta. Essa região é composta principalmente por ferro e níquel. A rotação do núcleo é influenciada pelo campo magnético gerado no núcleo externo, além de ser equilibrada por efeitos gravitacionais do manto.
Durante muito tempo, os cientistas acreditavam que o núcleo interno girava de forma relativamente constante. A pesquisa, porém, indica que se trata de um sistema complexo e dinâmico, influenciado por interações entre diferentes camadas do planeta.
A partir da análise das ondas sísmicas de terremotos, os pesquisadores conseguiram identificar variações na velocidade de propagação dessas ondas dentro do núcleo interno. Isso indica que a rotação dessa estrutura passa por mudanças ao longo do tempo e está longe de ser constante.
O estudo, publicado na revista Nature Geoscience, destacou que, durante várias décadas do século 20, o núcleo interno girava ligeiramente mais rápido que o restante do planeta. Já no fim dos anos 2000, o movimento ficou mais sincronizado com a rotação da Terra, indicando uma desaceleração. Depois disso, pode ter começado uma sutil rotação inversa.