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terça-feira, março 17, 2026

Luxo avança no país e desacelera no mundo

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Pressionado por mudanças no comportamento do consumidor, tensões geopolíticas e aumento do custo de vida, o mercado global de luxo atravessa um momento de desaceleração após anos de expansão acelerada. Em 2025, houve avanço de 3% no setor, para US$ 1,5 trilhão, e a expectativa é repetir o crescimento em 2026. O resultado é sustentado principalmente por mercados emergentes, como o Brasil, de acordo com a consultoria Euromonitor.

A empresa projeta crescimento real do setor no Brasil de 6% em 2026 e 7% em 2027, ritmo que, se confirmado, colocará o país como o oitavo mercado de luxo que mais cresce no mundo no ano que vem, superando as médias global e regional. Entre 2025 e 2030, a expectativa é de expansão de 21%, adicionando mais de US$ 2 bilhões ao setor no país – já descontada a inflação.

O avanço é sustentado principalmente pelo aumento da população de alta renda nos países em desenvolvimento e pela necessidade das marcas de diversificar a sua atuação no contexto global. Nas últimas duas décadas, o número de indivíduos ricos em economias emergentes cresceu mais de 300% e outros 2,2 milhões devem ingressar nesse grupo até 2030. Nesse cenário, mais de 55% das empresas de luxo planejam investir mais nesses destinos nos próximos cinco anos segundo a Euromonitor, e o Brasil está nessa lista.

No ano passado, o mercado brasileiro de luxo atingiu US$ 10 bilhões e se consolidou como o segundo maior da América Latina, atrás do México. O país é responsável por cerca de um terço das vendas regionais. “O Brasil permanece como um ponto fora da curva no cenário global de luxo”, diz Fflur Roberts, pesquisadora e líder de luxo da consultoria, durante evento LuxuryLab Global, realizado nesta segunda-feira (16), em São Paulo. “O crescimento é impulsionado pelo aumento da riqueza, expansão do varejo premium e uma população altamente aspiracional.”

Outro fator relevante é o turismo interno. As vendas relacionadas a viagens domésticas no Brasil aumentaram 15%, para US$ 68 bilhões em 2025, colocando o país na nona posição global. A expectativa é de novo avanço de 12% em 2026.

A desvalorização cambial, que encarece viagens internacionais, tem contribuído para manter parte dos gastos de luxo dentro do país. “Se os brasileiros não estão mais comprando em Miami ou em outros lugares, as marcas precisam abrir lojas aqui.” Nesse contexto, hotéis, resorts e experiências premium ganham espaço. A Euromonitor estima que o segmento de viagens e hospitalidade de luxo no país crescerá 31% em cinco anos, adicionando mais de US$ 300 milhões à economia até 2030.

Além de novas geografias, há uma mudança no comportamento dos consumidores que estão mais propensos a investir em experiências no mundo real do que gastar com objetos de luxo. “O luxo não é mais definido apenas pelo que possuímos, mas por como vivemos, como nos sentimos e como nos conectamos”, afirma Roberts.

O turismo é um dos principais motores dessa transformação no mundo. Em 2025, o setor registrou 1,5 bilhão de viagens internacionais, movimentando US$ 4,7 trilhões, com aumento do gasto médio por viagem. O novo perfil do viajante de luxo busca experiências ligadas a bem-estar, sustentabilidade e estilo de vida, o que tem levado empresas a investir em ofertas que combinam hospedagem, gastronomia, arte e atividades culturais.

“Também vemos um crescimento do aluguel, de revenda e do conserto de itens de luxo. Eu posso não ter dinheiro para me vestir da cabeça aos pés de Chanel, mas posso alugar roupas e bolsas por alguns dias.”

[Fonte Original]

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