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quarta-feira, março 18, 2026

Copom Reduz Selic para 14,75% e Não Se Compromete com Novos Cortes

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Confirmando as expectativas majoritárias do mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil reduziu a taxa básica de juros nesta quarta-feira (18). A Selic passou de 15% ao ano para 14,75% ao ano.

No Comunicado divulgado após a reunião, o Comitê informou que “considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil”. O Comitê acrescentou que “julgou apropriado dar início ao ciclo de calibração da política monetária”, mas que vai esperar por mais informações para poder realizar “ajustes no ritmo dessa calibração”.

Segundo o texto, “os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio”. O Comitê também elevou levemente sua projeção de inflação para o terceiro trimestre de 2027, o atual horizonte relevante da política monetária, que subiu de 3,2% para 3,3%.

A decisão encerra um ciclo de seis reuniões consecutivas em que o Copom manteve a taxa em 15% ao ano. O nível anterior era o mais alto desde julho de 2006, quando a Selic chegou a 15,25% ao ano. O Banco Central havia sinalizado em janeiro que o início do ciclo de cortes ocorreria em março, caso o cenário se confirmasse.

O cenário, porém, não se confirmou como o esperado. Até duas semanas antes da reunião, parte dos analistas apostava em um corte de 0,50 ponto percentual. A expectativa majoritária era de uma queda mais rápida nos juros.

Esse cenário mudou. Os Estados Unidos e Israel atacaram alvos no Irã no dia 28 de fevereiro. A ação militar provocou uma resposta imediata do governo iraniano. O Irã fechou o estreito de Ormuz para o tráfego de navios petroleiros.

O estreito de Ormuz é um dos pontos mais importantes do transporte de petróleo e por ele passam 20% da produção global. O fechamento reduziu a oferta e mandou os preços do petróleo Brent para mais de US$ 100. O petróleo mais caro pressiona os custos de produção e a inflação. O que justifica uma postura mais cautelosa do Copom.

“A alta do petróleo foi o principal fator que freou um corte mais intenso da Selic”, diz o economista Rodrigo Marcatti, CEO da Veedha Investimentos. “O BC está adotando uma estratégia gradual, avaliando com atenção os impactos externos e o comportamento da inflação.” Segundo Raphael Vieira, co-head de investimentos da Arton Advisors, não deve haver um afrouxamento acelerado dos juros. “A ausência de forward guidance reforça que os próximos passos dependerão da evolução dos dados”, afirma.

O corte de apenas 0,25 ponto percentual não foi exatamente uma surpresa. As expectativas de inflação coletadas pelo Banco Central no Relatório Focus já vinham subindo. Na edição da semana anterior à reunião, a mediana das projeções para o IPCA em 2026 estava em 3,91%.

Na edição de segunda-feira, dia 16 de março, essa projeção subiu para 4,10%. O avanço foi de 0,19 ponto percentual em apenas uma semana. O centro da meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo.

A alta das expectativas de inflação também alterou as projeções para os juros futuros. O mercado passou a esperar um ciclo de corte mais lento. A Selic esperada para dezembro de 2026 subiu para 12,25% ao ano na edição do Focus de 16 de março. Na semana anterior, a projeção era de 12,13% ao ano.

A diferença pode parecer pequena, mas indica que os analistas passaram a prever menos cortes de juros ao longo do ano. Cada reunião do Copom que termina com um corte menor preserva o espaço para cortes futuros mais cuidadosos.

A elevação da Selic esperada para o fim do ano confirma que o mercado ajustou sua visão sobre o ritmo de afrouxamento monetário. O ambiente externo mais incerto aumentou o custo de errar na calibragem da política monetária.

[Fonte Original]

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