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quinta-feira, março 19, 2026

BC reduz a Selic pela 1ª vez desde 2024 e cita incertezas sobre o preço do petróleo

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O Comitê de Política Monetária (Copom) cumpriu sua sinalização e reduziu a taxa básica de juros nesta quarta-feira mesmo com o cenário de incerteza em relação aos preços de petróleo. A Selic passou de 15% para 14,75% ao ano na primeira queda após cinco reuniões seguidas de manutenção do patamar de juros.

Em comunicação, o colegiado reafirmou a sua mensagem de “serenidade e cautela” na definição dos juros para compreender melhor os efeitos inflacionários do choque do petróleo. “No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo, diz comunicado.

O Comitê informou que o ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais.

“Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, afirma o comitê.

Segundo o BC, o conjunto dos indicadores do cenário doméstico segue apresentando, “conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência”.

“Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação”, diz o comunicado.

O colegiado informou ainda que decidiu iniciar um ciclo de corte de juros já que os juros altos estão fazendo efeito sobre a economia. “O Comitê julgou apropriado dar início ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica”, disse o Banco Central.

O comunicado segue afirmando que esse quadro cria “condições para que ajustes no ritmo dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta”.

Redução foi sinalizada em janeiro

Na reunião anterior, de janeiro, o colegiado havia sinalizado que iniciaria um ciclo de redução. O colegiado mencionou que faria a redução “em se confirmando o cenário esperado”.

Desde então, houve o início do conflito no Irã, com ataques dos Estados Unidos e Israel ao país islâmico e retaliações iranianas a bases militares norte-americanas na região. O Irã também promoveu o fechamento do Estreito de Ormuz, que tem impactado os preços do petróleo.

A expectativa do mercado estava dividida entre um corte de 0,50 ponto percentual (p.p.) e um de 0,25 p.p. Levantamento do Valor com 103 instituições do mercado financeiro mostrava que 49 casas projetavam um corte de 0,50 p.p. e outras 53 viam uma redução de 0,25 p.p. Apenas uma instituição previa uma manutenção dos juros em 15% ao ano.

Os efeitos do conflito nas últimas semanas, inclusive com o fechamento do Estreito de Ormuz, têm impactado preço do petróleo global. O barril do petróleo Brent chegou a passar o patamar de US$ 100.

O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), manteve a taxa de juros na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano em reunião nesta quarta-feira. No comunicado, o Fed ressaltou que a incerteza para o cenário econômico continua elevada e que as implicações do cenário no Oriente Médio para a economia dos Estados Unidos são incertas.

O relatório Focus mostrou que a mediana de projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025 subiu de 3,91% para 4,10% nesta semana. A meta de inflação é de 3% com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Já as medianas para 2027 e 2028 se mantiveram em 3,80% e 3,50%, segundo o Focus.

Leia a íntegra do comunicado do BC

“​O ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.

As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,1% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,3% no cenário de referência (Tabela 1).

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores do final de 2025 mostraram desaceleração na atividade econômica, enquanto o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho.

O Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil. Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados. O Comitê julgou apropriado dar início ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta.

O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,75% a.a. e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.

[Fonte Original]

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