19.5 C
Brasília
sexta-feira, março 20, 2026

Méliuz cresce 72% no EBITDA e lucra com estratégia de tesouraria em Bitcoin

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

A Méliuz divulgou nesta quinta, 19, seu balanço anual. De acordo com os resultados, os números do quarto trimestre de 2025 e do consolidado do ano indicam crescimento relevante, com melhora consistente de margens e geração de caixa.

No quarto trimestre de 2025, a empresa registrou receita líquida de R$ 138,3 milhões, alta de 32% em relação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, a margem EBITDA atingiu 25,0%, avanço de 4,9 pontos percentuais, enquanto o EBITDA somou R$ 34,6 milhões, crescimento de 64% na mesma base de comparação.

No acumulado de 2025, os resultados também reforçam a trajetória de expansão. A Méliuz reportou receita líquida de R$ 460,2 milhões, avanço de 26% sobre 2024. O EBITDA alcançou R$ 92,9 milhões, com crescimento de 72%, e a margem EBITDA chegou a 20,2%, um ganho de 5,4 pontos percentuais. O lucro líquido ajustado foi de aproximadamente R$ 54,6 milhões.

A empresa também destacou outros indicadores operacionais relevantes. A base de usuários chegou a cerca de 50 milhões, enquanto a companhia manteve estrutura sem endividamento e com geração de caixa positiva. Somente no quarto trimestre, o caixa gerado foi de R$ 21,8 milhões.

Recompra de ações e eficiência na alocação de capital

No quarto trimestre de 2025, a Méliuz optou por priorizar recompras de ações em vez de ampliar diretamente a posição em Bitcoin. A decisão ocorreu em um momento em que a empresa era negociada a aproximadamente 0,5 vez o EBITDA do negócio operacional.

Nesse contexto, a recompra foi interpretada pela companhia como uma forma eficiente de alocação de capital. Ao reduzir o número de ações em circulação, a estratégia aumentou automaticamente a exposição a Bitcoin por ação, além de incorporar um negócio operacional lucrativo a um valuation considerado descontado.

Como resultado, a empresa registrou um Bitcoin Yield de 3,2% apenas no quarto trimestre. Até fevereiro, com pouco mais da metade do programa de recompra executado, o rendimento acumulado chegou a 4,38% desde o início da estratégia.

A abordagem reforça um modelo híbrido, no qual a empresa combina geração de caixa operacional com gestão ativa de tesouraria em criptoativos. Todo o fluxo de caixa gerado pelo negócio continua sendo direcionado, em parte, para a ampliação da exposição em Bitcoin.

Novo posicionamento no mercado de capitais

A Méliuz também sinalizou que pretende ampliar sua atuação no mercado financeiro a partir dessa estratégia. A companhia busca estruturar produtos que conectem investidores tradicionais ao universo do Bitcoin, incluindo instrumentos de renda fixa e variável com lastro em criptoativos.

A proposta envolve transformar suas ações em um veículo que represente múltiplas dimensões: participação em um negócio operacional, exposição direta ao Bitcoin e potencial acesso a produtos financeiros estruturados.

Esse modelo segue referências internacionais de empresas que utilizam o mercado de capitais para financiar aquisições de Bitcoin, seja por meio de emissões de ações ou instrumentos de dívida. No caso da Méliuz, a estratégia inclui operações como o follow-on realizado recentemente, que levantou cerca de R$ 160 milhões, posteriormente convertidos em Bitcoin.

Atualmente, cada ação da companhia representa mais de 500 satoshis, número que cresceu significativamente ao longo de 2025. A administração afirma que pretende continuar expandindo esse indicador, utilizando diferentes ferramentas financeiras.

Estratégia de tesouraria em Bitcoin impulsiona resultados

Além do desempenho operacional, a Méliuz reforçou o impacto da sua estratégia de tesouraria baseada em Bitcoin. A companhia encerrou o período com 604,7 bitcoins em caixa, o equivalente a cerca de 552,4 satoshis por ação.

A estratégia começou a ganhar forma no fim de 2024, quando a empresa decidiu converter uma parcela significativa de seu caixa em Bitcoin. A decisão foi posteriormente validada pelos acionistas, marcando uma mudança estrutural no posicionamento financeiro da companhia.

Segundo executivos da empresa, o movimento ocorreu em um contexto de desalinhamento entre valor de mercado e fundamentos. A companhia possuía caixa relevante, mas enfrentava baixa precificação na bolsa. Nesse cenário, a administração optou por uma reestruturação que combinasse operação lucrativa com uma reserva de valor alternativa.

O racional econômico considerou fatores como inflação, tributação e rendimento real de aplicações tradicionais. A empresa avaliou que instrumentos como o CDI não preservavam valor de forma eficiente no longo prazo, especialmente após impostos. Com isso, o Bitcoin passou a ser visto como uma alternativa estratégica.

Desde o início da estratégia, a Méliuz acumulou um ganho de aproximadamente 435,8 BTC, com valor estimado em cerca de US$ 38,2 milhões. O valor total da reserva em Bitcoin (BTC NAV) gira em torno de US$ 53 milhões.

A companhia também destacou métricas próprias de desempenho, como o chamado Bitcoin Yield, que mede o crescimento da quantidade de Bitcoin por ação. No primeiro ano, esse indicador atingiu 953%, refletindo tanto a valorização do ativo quanto decisões estratégicas de alocação.

A Cointelegraph está comprometida com um jornalismo independente e transparente. Este artigo de notícias é produzido de acordo com a Política Editorial da Cointelegraph e tem como objetivo fornecer informações precisas e oportunas. Os leitores são incentivados a verificar as informações de forma independente. Leia a nossa Política Editorial https://br.cointelegraph.com/editorial-policy



[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img