Após um mês sem contato, a ESA restabelece comunicação com a Proba-3, missão que usa eclipses artificiais para observar a coroa solar
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Uma missão solar da Agência Espacial Europeia (ESA) voltou a se comunicar com a Terra após cerca de um mês sem contato. Lançada em dezembro de 2024, a Proba-3 enfrentou uma falha em um de seus satélites, que ficou inativo desde meados de fevereiro. O problema interrompeu temporariamente as operações e gerou preocupação entre a equipe científica.
A missão Proba-3 ganhou destaque ao produzir imagens inéditas da coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol, em junho do ano passado. O resultado foi possível graças a um método inovador: dois satélites operando em conjunto para simular eclipses solares totais no espaço para permitir observar regiões normalmente escondidas pelo brilho intenso da estrela.

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Os dois equipamentos, chamados Coronógrafo e Ocultador, foram lançados juntos a partir da Índia. O Ocultador bloqueia a luz direta do Sol, enquanto o Coronógrafo registra detalhes da coroa solar. Esse trabalho conjunto exige extrema precisão, já que ambos voam separados por cerca de 150 metros, mantendo alinhamento com margem de erro de apenas um milímetro.
A falha registrada recentemente começou com uma anomalia no Coronógrafo, que desencadeou uma sequência de problemas. Segundo a ESA, o satélite perdeu gradualmente sua orientação no espaço e não conseguiu entrar automaticamente em modo de segurança, como previsto. Esse cenário aumentou o risco de danos aos sistemas internos.

O contato foi restabelecido por uma estação terrestre da ESA na Espanha, que recebeu dados importantes sobre o estado do satélite, como temperatura e níveis de energia. As informações indicam que o equipamento está estável e atualmente opera em modo de segurança, utilizado para preservar seus sistemas essenciais.
Apesar da recuperação, a situação ainda exige cautela. Os técnicos seguem analisando se houve danos permanentes. Como o satélite ficou exposto ao frio intenso do espaço por semanas, seus sistemas precisam de tempo para aquecer antes de qualquer ação mais complexa. A continuidade da missão e novos eclipses artificiais dependerão dos próximos testes.
