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sexta-feira, março 20, 2026

Com Diogo Moreira, Brasil Volta Ao Mapa do MotoGP após 22 Anos

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Depois de 22 anos, o Brasil volta a receber o MotoGP. Entre os dias 20 e 22 de março, o Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia, reabre suas portas para a principal categoria do motociclismo mundial, em uma etapa que marca não apenas o retorno do país ao calendário, mas também a volta de um piloto brasileiro ao centro da cena.

A etapa de Goiânia, com os treinos sexta (20) e sábado (21), e a corrida no domingo (22), será a segunda do Mundial de MotoGP. A primeira, disputada na Tailândia, foi vencida pelo italiano Marco Bezzecchi. No Brasil, o fim de semana também terá provas da Moto2 e da Moto3. A expectativa é de mais de 200 mil pessoas ao longo dos três dias de programação, em um autódromo que passou por ampla reforma para atender às exigências da categoria. Goiânia já havia recebido o MotoGP entre 1987 e 1989. A última etapa no país aconteceu em 2004, no Rio de Janeiro.

É nesse contexto que surge Diogo Moreira, de 21 anos, piloto brasileiro da LCR Honda e patrocinado pela Red Bull. Em entrevista exclusiva à Forbes Brasil, ele resumiu o peso pessoal e simbólico do momento. “Acho que depois de tantos anos que eu estou na Europa, já são 10 anos, fico muito contente de voltar ao Brasil, ainda mais para correr no MotoGP”, afirmou.

A fala ajuda a dimensionar o tamanho da ocasião. O retorno da prova ao Brasil já seria, por si só, um acontecimento relevante para o esporte. Mas a presença de um brasileiro no grid transforma o GP de Goiânia em algo maior: um reencontro entre o país e uma categoria que, por décadas, fez parte do imaginário dos fãs de velocidade.

Diogo chega a esse momento com a consciência de que correr em casa não significa facilidade. Pelo contrário. Ao falar sobre o traçado goiano, ele destacou a combinação entre velocidade e exigência técnica.

“Vai ser uma pista bem rápida e muito técnica também”, disse. Segundo o piloto, a parte do miolo do circuito promete ser especialmente interessante, mas o principal desafio deve estar em outro ponto: a leitura do asfalto e dos pneus. “Acho que o principal aqui vai ser entender bem como é que está o asfalto, entender bem o pneu, que vai ser a principal dificuldade.”

O desafio, porém, não se limita ao circuito. Para Diogo, a temporada de 2026 também exige uma adaptação mais profunda à moto atual da Honda. Em sua avaliação, este é um ano longo e complexo, ainda mais porque o desenvolvimento da nova moto para a próxima temporada já começou.

Embora ele ainda não tenha testado o novo equipamento, o brasileiro disse que há um teste programado para o meio do ano, no fim do verão europeu, e demonstrou confiança no trabalho da marca. “A gente já viu que do ano passado até esse ano eles mudaram muito, então estou bem ansioso.”

Na prática, essa evolução técnica ajuda a explicar o salto entre o Moto2, em que ele foi campeão em 2025, e o MotoGP. Diogo falou à Forbes Brasil sobre essa mudança de patamar e destacou que a principal diferença está na quantidade de variáveis que o piloto precisa administrar durante a corrida.

“A gente tem que aprender a usar a eletrônica no MotoGP e pensar em uma estratégia durante a corrida”, afirmou. “Tem que ajustar a gasolina, ajustar freio motor, muita mais coisas para fazer durante a corrida.”

Inspiração: Ayrton Senna

Além do aspecto técnico, o fim de semana em Goiânia também carrega um forte componente emocional. O piloto revelou um capacete exclusivo nas cores verde e amarela com o rosto de Ayrton Senna, um dos maiores ídolos da história do esporte brasileiro.

A escolha reforça a conexão entre gerações e deixa claro o tamanho da influência do tricampeão em sua trajetória. Na entrevista, Diogo citou o pai como sua primeira inspiração, mas também destacou o papel de Senna em sua formação. Disse que começou a entender a história do piloto brasileiro e a se aprofundar em sua trajetória. Já dentro do MotoGP, afirmou que o espanhol Marc Márquez segue como referência.

Mesmo em meio à pressão de correr em casa, Diogo tenta absorver a experiência com naturalidade. Ele contou que chegou ao Brasil há poucos dias e que passou quase o tempo todo envolvido em compromissos com a equipe. Neste fim de semana, porém, terá a família por perto. Sobre o forte calor que deve marcar a corrida no domingo (22), relativizou: não o considera o principal desafio da etapa, embora admita que as temperaturas em Goiânia devam pesar.

No fim, o que ele representa neste GP do Brasil vai além do papel de piloto da casa. “Para mim é uma honra”, disse. Para ele, esse retorno pode servir como incentivo para que os brasileiros voltem a assistir à categoria, voltem a torcer por um representante local e, no futuro, vejam mais pilotos do país na elite do motociclismo mundial.

Goiânia, portanto, não recebe apenas uma corrida. Recebe um marco. E Diogo Moreira é hoje o rosto brasileiro de um retorno que combina memória, renovação e a esperança de recolocar o país, de vez, no radar do MotoGP.

[Fonte Original]

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