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domingo, março 22, 2026

Aliado de Trump, como o Paraguai decolou na economia e virou ímã para investidores

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Bloomberg — Espremido entre Argentina e Brasil, o Paraguai tem sido por muito tempo ignorado pela comunidade internacional. Pequeno, sem litoral e pobre, era frequentemente visto apenas como um país de passagem.

Por isso, é um pouco surpreendente — tanto para quem está na capital quanto na região — que o país de 6,1 milhões de habitantes esteja repentinamente vivendo um momento de destaque.

Atraídos por impostos baixos, empreendedores de toda a América Latina estão investindo pesado e se estabelecendo no país, com um aumento de mais de 60% nos pedidos de residência em 2025. Torres estilosas e concessionárias de carros de luxo agora se espalham por Assunção, uma cidade onde a infraestrutura ainda luta para acompanhar esse crescimento.

E investidores de Wall Street estão comprando títulos de dívida do Paraguai, enquanto o presidente conservador, Santiago Peña, alinha seu governo com o de Donald Trump.

O rápido crescimento e reformas econômicas dos últimos anos ajudaram o país a conquistar o status de crédito de grau de investimento pela Moody’s Ratings em 2024 e pela S&P Global no ano passado.

— Antes éramos como a garota mais feia do baile. Hoje, todo mundo nos chama para dançar — disse Selene Rojas, diretora do sofisticado Shopping del Sol, no distrito financeiro de Assunção.

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Peña, um economista de 47 anos que se tornou político, viajou para o exterior mais de 50 vezes desde que tomou posse, em agosto de 2023, para divulgar que o Paraguai está aberto para negócios. Ele apoiou abertamente a iniciativa do presidente Trump de fortalecer a influência de Washington na região. E, neste mês, estava entre os líderes latino-americanos que o presidente dos Estados Unidos reuniu em Miami para coordenar ações de segurança.

— O Paraguai tem sido um grande amigo nosso — disse o subsecretário de Estado americano, Christopher Landau.

O diplomata dos EUA, citando o histórico de votações do país nas Nações Unidas e o reconhecimento contínuo de Taiwan, acrescentou:

— Eles não estão dançando conforme a música da China.

Em uma região dependente do comércio e investimento chinês, o Paraguai é a única nação sul-americana que ainda mantém relações diplomáticas com Taiwan.

Como resultado, não pode vender sua carne bovina e soja para a China, enquanto deixa de receber bilhões de dólares em investimentos de Pequim em infraestrutura. O Paraguai reconheceu Taiwan em 1957 e mantém sua decisão desde então.

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Washington não tem avançado rapidamente com investimentos próprios, e ainda não há voos diretos entre Assunção e os Estados Unidos. Mas, na semana seguinte à cúpula de Miami, parlamentares paraguaios aprovaram um acordo de defesa que permite a entrada de tropas americanas no país.

Peña chama sua visão para o Paraguai de o “renascimento de um gigante”. Ela remete a um período de prosperidade, em meados do século XIX, quando o país era líder regional com avanços tecnológicos como siderúrgicas e ferrovias, até que a Guerra do Paraguai deixou o país em ruínas.

No século passado, o país foi governado por uma ditadura durante 35 anos — uma das mais longas da região, cuja queda, em 1989, foi seguida por uma tumultuada transição para a democracia. A adoção de políticas fiscais e monetárias sólidas pelo Paraguai desde o início dos anos 2000 está agora dando resultado, com inflação de um dígito e crescimento anual em torno de 4% nas últimas duas décadas.

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— O Paraguai continuará crescendo mais do que os outros países da América do Sul — disse Peña à Bloomberg TV, em Washington, no mês passado. — Muito em breve, terá a maior renda per capita, acima do Uruguai e acima do Chile.

Os investidores também estão atentos, colocando dinheiro em fábricas e imóveis. Muitos deles são estrangeiros, com as autoridades de imigração recebendo quase 50 mil pedidos de residência no ano passado. Cerca de metade era de brasileiros, embora também houvesse um grande número de argentinos, alemães, bolivianos e espanhóis.

O Brasil é o maior investidor no Paraguai. A participação do país no investimento estrangeiro direto subiu para cerca de 15% no fim de 2024, ante menos de 12% quatro anos antes, segundo o Banco Central paraguaio.

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As fábricas que se beneficiam de isenções fiscais com base na Lei de “Maquila”, regime de produção industrial por encomenda, atraem investidores. A lei permite que empresas estrangeiras operem no país produzindo para exportação com baixa carga tributária.

Felipe Bertolini, de 24 anos, de São Paulo, é um desses investidores. Ele e seu pai, um investidor portuário, passaram três dias em Assunção em fevereiro solicitando residência no Paraguai. Bertolini reclama da carga tributária que paga, no Brasil, em sua empresa de factoring e securitização.

— O Brasil está empurrando as pessoas para o Paraguai porque seus impostos tornam o empreendedorismo inviável. Empresas fecham no Brasil e vêm para cá — afirmou.

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A Lei de “Maquila” permite que empresas estrangeiras operem no Paraguai produzindo para exportação com uma carga tributária extremamente reduzida. Criada para atrair indústrias e fomentar emprego, a lei se tornou um dos principais motores da economia paraguaia e um atrativo crescente para empresas estrangeiras, como as brasileiras.

As exportações sob o regime de “maquila” de empresas como a Blue Design, liderada pelo empresário têxtil argentino Jorge Bunchicoff, mais do que quadruplicaram na última década, para cerca de US$ 1,2 bilhão no ano passado.

A indústria de Bunchicoff exporta anualmente cerca de um milhão de peças de denim premium, incluindo jeans e jaquetas, de sua moderna fábrica nos arredores de Assunção para mercados globais, como os EUA, o Reino Unido e o Japão.

A empresa fornece para marcas sofisticadas como Lacoste e Good American, enquanto produtos de sua própria marca, Dala, podem ser vendidos por mais de US$ 300.

Bunchicoff, que atua no Paraguai há 30 anos, disse que “jamais conseguiria” fazer isso na Argentina ou no Brasil, por causa dos altos custos e das “relações trabalhistas tóxicas” em ambos os países. O segredo do sucesso da operação paraguaia, argumentou o empresário argentino, é uma combinação de impostos baixos, energia e mão de obra baratas, além de previsibilidade.

A chegada de novos imigrantes ao Paraguai também está impulsionando o consumo. Cerca de 120 mil pessoas por semana visitam o Shopping del Sol, aumento de 30% em relação aos últimos três anos, em parte devido à imigração, disse Selene Rojas:

— Você pode ver claramente a chegada de estrangeiros. Os hotéis estão lotados. Os restaurantes estão lotados. A frota de carros cresceu enormemente. Nosso aeroporto não consegue acompanhar.

Ainda assim, o milagre econômico do Paraguai enfrenta ventos contrários que podem frear o crescimento e a mobilidade social se não forem enfrentados. Apenas a Venezuela o supera como a nação mais corrupta da América do Sul, de acordo com o último índice da Transparência Internacional.

Mais de 60% da força de trabalho atua na economia informal, segundo dados do governo. E, embora a pobreza tenha diminuído drasticamente desde o início dos anos 2000, cerca de um quinto dos paraguaios ainda vive abaixo da linha da pobreza.

Apesar disso, o esforço para tornar o Paraguai mais responsável fiscalmente está dando resultados, pelo menos para a gestão da dívida pública.

Depois de captar cerca de US$ 500 milhões em 2024 com sua primeira emissão de títulos de dívida globais, denominados em guaranis, o Paraguai emitiu um recorde de US$ 1 bilhão em dívida denominada na moeda local no mês passado.

É uma grande mudança em relação a uma década atrás, quando a primeira emissão de títulos de US$ 1 bilhão do Paraguai foi em dólares, disse Carlos Fernández, ministro das Finanças.

— Isso dá um senso de como a credibilidade da economia paraguaia evoluiu — acrescentou o ministro, descrevendo a mais recente emissão em guaranis como “um diploma de graduação”.

© 2026 Bloomberg L.P.

[Fonte Original]

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