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segunda-feira, março 23, 2026

MotoGP Volta Ao Brasil, Movimenta Mais de R$ 800 Milhões e Destaca Diogo Moreira

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O retorno do MotoGP ao Brasil, no último domingo (22), foi muito além do ronco dos motores. Depois de 22 anos fora do calendário nacional, a principal categoria da motovelocidade mundial transformou Goiânia em vitrine global e em plataforma de negócios, turismo e serviços. Estudo do Instituto Mauro Borges (IMB), ligado ao governo de Goiás, indica que a realização da etapa movimentou mais de R$ 800 milhões na economia goiana, além de gerar ao menos quatro mil empregos.

O número ajuda a dimensionar o peso do evento. A título de comparação, o GP de Fórmula 1 realizado em São Paulo, no fim do ano passado, teve impacto econômico na casa de R$ 2 bilhões, segundo a SPTuris. Já a etapa brasileira da Fórmula E deixou em São Paulo mais de R$ 180 milhões. Dentro desse recorte, o MotoGP chegou a Goiás em um patamar relevante e colocou Goiânia em um grupo restrito de cidades capazes de receber uma competição desse porte.

A estimativa do IMB considera os preparativos para a corrida e também a semana do evento. A pesquisa aponta que a etapa atraiu mais de 150 mil pessoas, sendo 12% do exterior e 32% de outros estados. O estudo avalia que gasto médio foi de R$ 3.180 por pessoa, em uma conta que incluiu ingresso, hospedagem, alimentação e lazer. A arrecadação tributária do Estado, por sua vez, está calculada em R$ 130 milhões, com ICMS e ISS.

Na prática, a movimentação foi percebida em toda a cidade. Goiânia, com aproximadamente 1,5 milhão de habitantes, parou para receber a prova. Restaurantes criaram cardápios especiais, enquanto muitos garçons passaram por treinamento para atender em outras línguas, principalmente inglês e espanhol. O impacto não ficou restrito à capital. Segundo a análise do IMB, cerca de 67 mil pessoas precisaram de hospedagem, ocupando a rede hoteleira de Goiânia e também de municípios próximos, como Aparecida de Goiânia, Anápolis, Trindade e Caldas Novas.

Entre os setores mais beneficiados ficaram transporte, hotelaria, comércio de alimentos e bebidas, publicidade, televisão e cinematografia. A operação para receber o MotoGP também exigiu investimento público e planejamento de longo prazo. A parceria que estabeleceu Goiânia como sede das etapas brasileiras tem vigência de 2026 a 2030. Para isso, o Autódromo Internacional Ayrton Senna passou por ampla reforma, com custo estimado em cerca de R$ 50 milhões. O objetivo era adequar a estrutura às exigências internacionais e preparar o complexo para receber o maior público de sua história.

Nem tudo, porém, saiu sem tensão. Depois das fortes chuvas que atingiram a região no final de semana, surgiu um problema no asfalto da reta principal do autódromo. Após reparos realizados no circuito, o MotoGP no sábado (21) teve início adiado para 16h20 no horário local, e houve mudança na programação: a classificação da Moto3 ficou para depois da Sprint, enquanto o treino classificatório da Moto2 foi transferido para a manhã de domingo, pouco antes do warm up do MotoGP. O episódio expôs o nível de exigência técnica envolvido em uma etapa desse porte.

DivulgaçãoDiogo Moreira: piloto brasileiro

Como foi a corrida

Na pista, o fim de semana terminou com um feito histórico para a Aprilia. Marco Bezzecchi venceu o Grande Prêmio do Brasil e alcançou sua quarta vitória consecutiva, algo inédito para a marca. O italiano ainda assumiu a liderança do campeonato. Para completar o domingo perfeito da fabricante de Noale, Jorge Martín terminou em segundo e confirmou a dobradinha. Fabio Di Giannantonio fechou o pódio em terceiro, levando a melhor sobre Marc Márquez na disputa que marcou a reta final da prova.

Bezzecchi acertou a largada no domingo, garantiu o holeshot e controlou a corrida. Marc Márquez chegou a assumir a segunda posição na volta 2, enquanto Pedro Acosta protagonizou uma boa largada. O momento decisivo veio na volta 6, quando Di Giannantonio e Márquez passaram reto, e Martín aproveitou para assumir o segundo lugar. Mais adiante, a disputa pelo terceiro voltou a esquentar. A cinco voltas do fim, Márquez retomou a posição sobre Di Giannantonio, mas errou na sequência e viu o rival recuperar o posto, desta vez de forma definitiva.

O fim de semana em Goiânia também teve um personagem central para o público local: Diogo Moreira, piloto da LCR Honda e único brasileiro na competição, patrocinado pela Red Bull. Em entrevista exclusiva à Forbes Brasil antes da etapa, o piloto de 21 anos resumiu o peso simbólico de correr no país. “Acho que depois de tantos anos que eu estou na Europa, já são 10 anos, fico muito contente de voltar ao Brasil, ainda mais para correr no MotoGP”, afirmou. Ele também chamou a pista de “bem rápida e muito técnica” e apontou o asfalto e os pneus como o principal desafio do fim de semana.

Diogo não largou tão bem e terminou na 13ª posição, repetindo o resultado obtido na abertura da temporada, na Tailândia, e voltou a somar pontos. Ainda assim, sua presença já foi, por si só, um dos elementos mais simbólicos do evento: o retorno do MotoGP ao Brasil coincidiu com a volta de um brasileiro ao centro da cena em uma etapa nacional.

Esse encontro entre esporte, negócios e imagem é o que ajuda a explicar o tamanho do MotoGP em Goiás. No fim, o GP do Brasil mostrou que uma prova desse porte não movimenta apenas arquibancadas. Move cadeias inteiras de consumo, infraestrutura, emprego e reputação. Em Goiânia, o MotoGP voltou ao calendário e, junto com ela, colocou mais de R$ 800 milhões na conversa.

[Fonte Original]

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