Muito se tem falado sobre saúde social. O modo como nos relacionamos, nos conectamos e nos posicionamos no mundo impacta não só o nosso bem-estar, mas também a nossa saúde física. Essa constatação tem levado muita gente a repensar o sentido das relações interpessoais.
Como quase tudo o que importa, a saúde social pode ser cultivada no dia a dia, a partir de pequenos hábitos. Há muitas formas de fortalecer vínculos com quem amamos e com quem está ao nosso redor. A seguir, cito cinco atitudes que considero essenciais para construir relações mais significativas.
1- Esteja disponível — de verdade
Não se trata apenas de ouvir, mas de escutar. Escutar com presença, sem interromper, sem antecipar respostas ou rebater opiniões como se fosse uma bola de pingue-pongue. Vivemos um tempo marcado pela pressa. Por isso, oferecer escuta ao outro talvez seja um dos gestos mais generosos que você possa fazer.
2- Não economize na expressão do afeto
Muitas relações se desgastam não pela ausência de sentimento, mas porque às vezes esquecemos de expressar o que sentimos pelo outro. Demonstrar que você gosta, que se importa e que valoriza o outro — mesmo em frases simples como “eu gosto de você” — ainda é uma das formas mais simples de fortalecer laços.
3- Pratique o autocuidado
Cuidar de si não é egoísmo, mas condição para estar disponível ao outro.
4- Pratique a gratidão
Agradeça, não de forma automática, mas consciente. Olhe nos olhos de quem compartilha o seu dia e diga “muito obrigado” com intenção. Pequenos gestos de reconhecimento têm um efeito profundo na qualidade das relações.
5- Você tem um papel na construção de um ambiente coletivo melhor
Pequenas atitudes — como recolher o que o seu cachorro deixou na rua — podem parecer irrelevantes isoladamente. Mas elas têm um efeito simbólico importante. Alguém vê o seu gesto, alguém pensa sobre ele, alguém o repete. E, aos poucos, o ambiente muda. E as pessoas que estão nele também.
Vale lembrar que saúde social, assim como a saúde física, se constrói em práticas simples e consistentes. São esses pequenos gestos que, repetidos ao longo do tempo, possibilitam tornar a convivência com os outros mais saudável, robusta e significativa.
*Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.
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