Rafael Ribeiro Leite Góis, alvo de busca e apreensão pela Operação Fallax, deflagrada na manhã desta quarta-feira (25) pela Polícia Federal (PF), é CEO e fundador do Grupo Fictor. O conglomerado ficou conhecido pela frustrada tentativa de compra do Banco Master, divulgada na véspera da liquidação extrajudicial do banco de Daniel Vorcaro pelo Banco Central (BC). O Master é investigado pela Polícia Federal por supostas fraudes financeiras.
Segundo seu perfil no LinkedIn, Góis fundou a Fictor em 2007, inicialmente focada em tecnologia. Posteriormente, transformou a empresa em uma holding de participação e investimentos, com atuação em setores como commodities, indústria alimentícia, infraestrutura, energia e serviços financeiros. O grupo também possui operação internacional em Lisboa, em Portugal, e Miami, nos Estados Unidos.
De acordo com o perfil, ele é formado em Administração de Empresas pela Universidade Candido Mendes e tem MBA pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além de cursar um programa executivo da Harvard Business School.
Góis afirma ter mais de 25 anos de experiência nos setores industrial, financeiro e imobiliário. “Construí minha trajetória com base no trabalho, na escuta ativa e na convicção de que grandes transformações exigem visão estratégica, disciplina e propósito”, diz no LinkedIn.
Segundo ele, sua trajetória profissional começou aos 16 anos no mercado financeiro. “Desde então, percorri diferentes posições de liderança e empreendi em setores diversos, da indústria à tecnologia”, afirma, até criar a Fictor em 2007.
Quando o Grupo Fictor fez a proposta de compra do Banco Master, em novembro passado, Góis e suas empresas ainda eram pouco conhecidos no mercado. O braço de alimentos do grupo, a Fictor Alimentos, entrou na bolsa no fim de 2024 por meio de uma operação conhecida como IPO reverso, após a aquisição do controle da empresa de formação de “traders” Atompar.
Em março de 2025, o Grupo Fictor fez um acordo de patrocínio com o Palmeiras e começou a estampar os uniformes das categorias de base do time. O acordo, de R$ 30 milhões por temporada, tinha duração de três anos, mas foi suspenso após o pedido de recuperação judicial.
“O acordo reforça o compromisso da Fictor em atuar como agente transformador, tanto na gestão empresarial quanto na esfera social, demonstrando a capacidade da companhia de gerar valor compartilhado ao unir forças com instituições de destaque, como o Palmeiras”, disse Góis, em nota, à época.
Segundo a apuração da PF na Operação Fallax, o grupo investigado teria um modus operandi baseado no uso de empresas de fachada, interpostas pessoas (“laranjas”), documentação falsa, simulação de atividade econômica e contratação de empréstimos potencialmente fraudulentos. Só na Caixa as fraudes superariam R$ 500 milhões.
Ainda não está clara como ocorria a participação de Góis, mas outras duas pessoas ligadas ao Grupo Fictor, Luiz Rubini e Rafael Paixão Ferreira Giuseppe, também estão entre os alvos da operação.
Procurada pelo Valor, a Fictor confirmou que Góis foi alvo e afirmou que o empresário teve “apenas o seu celular” apreendido. “Tão logo sua defesa tenha acesso ao conteúdo da investigação, serão prestados os esclarecimentos necessários às autoridades competentes, com o objetivo de elucidar os fatos”, disse, em nota.
Ao todo, a Polícia Federal cumpre 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal de São Paulo, em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
A Fictor Holding e a Fictor Invest entraram com pedido de recuperação judicial no início de fevereiro, após crise de liquidez associada ao Banco Master, com dívida declarada de R$ 4,257 bilhões. O polo ativo depois foi ampliado pela Justiça para 43 empresas — 28 solicitadas pela própria Fictor e outras 13 indicadas pela perícia do processo —, mas deve cair para 22 companhias após decisão em segunda instância que suspendeu a inclusão da joint venture Fictor & WTT e suas subsidiárias.
A crise de liquidez do Grupo Fictor tem relação com sua forma de captação, via Sociedade em Conta de Participação (SCPs). Segundo a petição de recuperação judicial, a Fictor havia captado aproximadamente R$ 3 bilhões por esse instrumento, mas, até o fim de janeiro, os resgates já se aproximavam de 71,4% do valor aportado. Paralelamente, o grupo enfrentou cortes e revisões de contratos comerciais, o que dificultou suas operações e levou à necessidade de liquidação de ativos.
“A crise reputacional se aprofundou rapidamente, com ampla repercussão negativa na mídia nacional e internacional, associações recorrentes do nome do banco a fraudes bilionárias, perdas expressivas para investidores e questionamentos sobre a atuação dos órgãos de supervisão e fiscalização”, afirmou a Fictor na petição, à época.