A atividade econômica da Argentina começou o ano com um crescimento de 1,9% em janeiro em relação ao mesmo mês do ano passado, representando sua segunda alta consecutiva, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).
Em comparação com dezembro, o Indicador Mensal de Atividade Econômica (EMAE) ― um indicador amplamente acompanhado e que ajuda a antecipar o Produto Interno Bruto (PIB) do país ― teve um crescimento de 0,4%.
O índice para a terceira maior economia da América Latina ficou acima dos 1,6% projetados por analistas consultados pela Reuters, mas abaixo dos 3,5% registrados em dezembro. O resultado do mês de janeiro está em linha com as estimativas de economistas consultados pela agência Bloomberg.
O ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, utilizou sua conta oficial X para destacar que, em janeiro, a EMAE “atingiu um novo recorde histórico, tanto na série sazonalmente ajustada quanto no indicador de tendência-ciclo”.
Apesar dos resultados positivos, as disparidades setoriais persistiram, representando uma recuperação gradual e desigual da economia argentina.
Dos 16 setores que são analisados pelo indicador, dez apresentaram crescimento em comparação a janeiro do ano anterior. Entre os setores que se destacaram estão a pesca (50,8%), agricultura, pecuária, caça e silvicultura (25,1%) e extração de minas e pedreiras (9,6%).
Por outro lado, cinco setores de atividade registraram quedas nesse período, entre os quais se destacaram negativamente o comércio atacadista, varejista e de reparos (-3,2%), eletricidade, gás e água (-3%) e indústria manufatureira (-2,6%).
Desde que assumiu o cargo, no fim de 2023, o presidente Javier Milei tem buscado ajustar a economia argentina por meio do estímulo às exportações e de fortes cortes nos gastos públicos. Suas políticas ajudaram a derrubar a inflação, que chegou a um pico de quase 290%. No entanto, o crescimento econômico continua irregular.
Nesse cenário, o índice de aprovação do presidente argentino caiu para o nível mais baixo desde que assumiu o cargo, para 36,4%, em meio a alegações de corrupção envolvendo seu governo e aumento do desemprego, segundo uma pesquisa realizada pela AtlasIntel, a pedido da Bloomberg News . Enquanto isso, a desaprovação subiu 6 pontos percentuais, chegando a quase 62%.
Quando questionados sobre o cenário do emprego e economia no país, quase três quartos dos entrevistados descreveram o mercado de trabalho como “ruim”, enquanto 65% descreveram a economia dessa forma.
No quarto trimestre do ano passado, a taxa de desemprego do país foi de 7,5%, o que representa um aumento de 1,1 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024. É a maior taxa para um quarto trimestre desde 2020, durante a pandemia da covid-19.
“A preocupação com o emprego e a atividade econômica começa a ganhar espaço na opinião pública”, afirma o Juan Pablo Ronderos, sócio da consultoria MAP. “ Por enquanto, essa inquietação não se transformou em uma demanda direta ao governo e, portanto, ainda não constitui um problema político. No entanto, a experiência mostra que essas mudanças podem ocorrer rapidamente.”.
Para Ronderos, o desafio da equipe econômica de Milei neste ano será consolidar os avanços em um ambiente mais exigente e complexo. Isso exigirá acumular reservas para recuperar o acesso ao financiamento, sustentar o processo de desinflação e evitar uma deterioração da atividade e do emprego.
“Nesse contexto, normalizar implica sustentar três equilíbrios ao mesmo tempo — reservas, inflação e emprego — em um cenário externo que deixa de oferecer margem para erros, e fazê-lo sem erodir o apoio social que sustenta o programa”, completa.