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sábado, março 28, 2026

Lista Forbes Melhores CMOs do Brasil: Veja os 10 Escolhidos

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Em um ambiente que demanda ações efetivas de crescimento e assertividade na tomada de decisões a partir da montanha de dados de interação com consumidores, a importância estratégica do marketing só faz crescer. Tanto que 9% dos Chief Marketing Officers (CMOs) que deixaram seus postos entre 2021 e 2025 foram promovidos diretamente ao cargo principal da empresa, de CEO, de acordo com o estudo global CMO Tenure 2026, da consultoria Spencer Stuart. O mesmo relatório aponta que 37% dos atuais CEOs das maiores empresas americanas têm experiência funcional em marketing.

Um exemplo é Patrícia Borges, que, em agosto de 2024, deixou a vice-presidência de marketing da Diageo no Brasil, Uruguai e Paraguai para assumir a liderança global da divisão de gins e runs da companhia, em Amsterdã. Foi uma expansão natural das responsabilidades, diz ela, que teve passagens por L’Oréal, Mondelēz e Unilever. “Vejo o marketing como um papel integrador que une gestão, execução e responsabilidade direta por resultados.” 

Também Nathalia Garcia passou, agora em março, da atuação como CMO do Bradesco para a presidência da Bradesco Consórcios. A grande mudança, considera, é o controle integral do P&L (lucros e perdas), que garante autonomia e voz ativa nas decisões.

No setor de bens de consumo, Poliana Sousa, que em 2020 esteve entre os Melhores CMOs da Forbes Brasil, tornou-se em setembro de 2024 a primeira mulher a presidir a General Mills no Brasil, após quase duas décadas em cargos estratégicos na P&G, Coca-Cola e Unilever. “Tem sido enriquecedora a oportunidade de gerir um negócio de ponta a ponta”, afirma.

Na mesma lista da Forbes Brasil de 2020 esteve Daniela Cachich, então como CMO da PepsiCo. Hoje ela é presidente da Beyond Co., unidade de negócios da Ambev. “Sempre acreditei no poder de colocar o consumidor no centro. Nessa nova posição, isso deixa de ser uma lente do marketing e passa a ser a lógica que orienta todas as decisões: distribuição, canais de venda, estratégia de portfólio, revenue management, inovação e marca”, diz.

É também como um reflexo dessa ampliação do poder estratégico do marketing que a Forbes Brasil decidiu criar, em 2020, esta lista de Melhores CMOs do Brasil, agora em sua sexta edição. Para a escolha dos 10 nomes, cruzamos quatro eixos:

• a indicação tanto editorial quanto dos pares (principalmente eleitos em listas anteriores) e de especialistas: agradecemos a colaboração de executivos como Álvaro Garcia, Chris Rego, Cintia Hachiya, Claudio Rawicz, Fernanda Romano, João Branco, Juliana Roschel e Sandra Montes.

• a análise da trajetória profissional.

• o momento vivido pela companhia: foram consultados rankings de marketing e branding, como Interbrand e Kantar BrandZ.

• e os projetos e resultados recentes.

Confira, a seguir, os 10 escolhidos em 2026:

Fotos: Victor Affaro

“O marketing me permite aprender novas formas de conexão com o consumidor.”

Caso não fosse uma liderança de marketing, Alessandra Souza poderia facilmente estar na área diplomática, tamanhas suas habilidades de negociação. Sua trajetória no setor automotivo, que já se aproxima de três décadas, é um exercício contínuo de mediação entre culturas, fusões corporativas e a evolução do comportamento do consumidor.

Essa aptidão para o diálogo e a flexibilidade a novas culturas ficou evidente desde os seus primeiros passos na Peugeot Brasil, em 2000, ainda como trainee, atravessando as complexas integrações que deram origem ao Grupo PSA e, posteriormente, à gigante Stellantis, em 2021. Alessandra não apenas acompanhou essas mudanças, mas personificou a capacidade de adaptação exigida em ambientes multiculturais.

A veia diplomática foi posta à prova durante sua temporada na Itália, em 2022, quando assumiu o posto de diretora global de digital & experiência da Fiat em Turim. “Viver e trabalhar no coração da indústria automotiva me permitiu entender as complexidades do negócio em escala global, absorvendo nuances de um mercado em plena transformação e as exigências de uma cultura corporativa internacional.”

Ao retornar ao Brasil, em janeiro de 2025, para assumir a vice-presidência de marketing e comunicação da Stellantis na América do Sul, Alessandra afirma que não trouxe apenas uma bagagem técnica, mas “a visão de mundo expandida”.

Em 2025, a Stellantis consolidou uma liderança histórica, tornando-se a primeira montadora da região a ultrapassar a marca de 1 milhão de veículos vendidos em um único ano, detendo cerca de 30% de market share no mercado brasileiro. Alessandra e seus times foram centrais na estratégia de comunicação que sustentou o lançamento de tecnologias importantes como a plataforma Bio-Hybrid, que trouxe motores híbridos-flex para modelos populares como o Fiat Pulse e o Fastback.

Além disso, ela coordenou a introdução da marca asiática Leapmotor no país, que já resultou em mais de 1,2 mil unidades vendidas nos primeiros meses de operação. Seu trabalho também preparou o terreno para a ofensiva de 16 novos lançamentos previstos para 2026, incluindo modelos aguardados como o Jeep Avenger, produzido em Porto Real, e a nova picape Ram Dakota. “O marketing me permite expandir horizontes para aprender sobre novas culturas e formas de conexão com o consumidor.”

Fotos: Victor Affaro

“Vivemos um ritmo acelerado, com o digital ditando tendências e a IA tornando tudo mais desafiador.”

André Svartman consolidou sua trajetória no varejo e no setor de consumo ao longo de quase três décadas, com passagens por grupos como Walmart, GPA, BRMalls e DPSP. Essa experiência em escala logística e comportamento de compra fundamentou sua chegada à Adidas, onde atua como CMO desde setembro de 2024, liderando a estratégia de uma marca posicionada entre a performance esportiva e a cultura urbana. A operação brasileira acompanha um ciclo de expansão global: em 2025, a Adidas registrou crescimento de 13% em receita.

O executivo associa o desempenho da companhia ao seu próprio estágio profissional. “Estou em um período intenso e divertido, trabalhando em uma marca apaixonante e com produtos nos quais acredito. Como esportista, confio na transformação da vida através do esporte”, afirma. Ele destaca ainda o papel da equipe e os desafios tecnológicos atuais: “Vivemos em um ritmo acelerado, com o digital ditando tendências e a IA tornando tudo ainda mais desafiador.”

De acordo com André, a estratégia atual no Brasil foca a convergência entre o prestígio técnico e o lifestyle da marca, segmento que representa cerca de 35% do faturamento de tênis no país. Com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, a Adidas intensificou ativações como o lançamento da Trionda, a bola oficial do torneio, e a criação de espaços imersivos como a Arena Trionda e exposições na Avenida Paulista e no Rio de Janeiro.

Segundo Svartman, a marca vive uma fase de “presença estratégica nos principais esportes globais”, com crescimento constante de participação na América Latina. Além do futebol, esporte com o qual a Adidas mantém parcerias com clubes como Flamengo, Cruzeiro e Internacional, a empresa firmou acordo com o Comitê Olímpico do Brasil (COB) até 2028. Para o executivo, esse movimento reforça a identidade nacional da marca: “É uma oportunidade de apoiar o Brasil no esporte e celebrar conquistas no cinema, na música ou onde for”.

Fotos: Victor Affaro

“Nosso maior aprendizado foi desenvolver uma nova categoria no Brasil.”

Com uma trajetória marcada pela passagem por gigantes como Unilever e PepsiCo., Cecilia Bottai Mondino lidera o marketing do Grupo Heineken no Brasil em um ciclo de maturidade estratégica. Nos últimos dois anos, a companhia consolidou o Brasil como seu maior mercado global para a marca Heineken em volume, impulsionando um crescimento de receita líquida de dois dígitos na operação brasileira. Bottai conduziu lançamentos importantes, entre eles a Heineken 0.0, que hoje detém cerca de 50% de market share na categoria de cervejas sem álcool, e a estratégia de portfólio que elevou as marcas premium e mainstream plus, como Amstel e Eisenbahn, a patamares competitivos no mercado nacional.

Essa liderança técnica e o foco em resultados sustentáveis marcam, segundo ela, um ponto de inflexão em sua carreira. “Vivo uma transição entre execução e construção de legado, tendo passado os últimos anos focada em escalar negócios e estruturar operações. Embora continue muito próxima da execução, meu foco atual é ter uma visão cada vez mais clara de longo prazo, buscando conectar tecnologia, marca e experiência para gerar uma vantagem competitiva sustentável para o grupo.”

O trabalho de marketing, ressalta, apesar de estar ancorado no negócio, também reflete uma empresa que busca conexões com a cultura e o esporte por meio de plataformas de experiência como o Rock in Rio e o GP de São Paulo. “Desde 2017, com a integração entre Heineken e Kirin, a estratégia tem sido muito bem-sucedida na construção de um mercado premium.” O desafio para 2025 e 2026 é continuar com essa liderança, “especialmente porque a concorrência vem fazendo movimentações agressivas”.

Nesse contexto, a empresa entra agora em uma nova fase, focada em extrair o máximo valor de seu ecossistema – que já inclui logística integrada e soluções de digital sales (B2B) -, marcando a transição de uma fabricante de bebidas para uma plataforma de consumo e experiência. “Essa mudança é estrutural, pois altera a forma como a companhia vende, se relaciona com o cliente e se posiciona no mercado. A marca deixa de ser apenas comunicação e passa a ser, de forma crescente, a experiência prática entregue diariamente em cada ponto de contato da jornada do consumidor.”

Fotos: Victor Affaro

“O marketing deve atuar como coadjuvante e garantir valor de entrega para a operação.”

Em 2026, Daniel Campos celebra 25 anos de uma trajetória no marketing que ele mesmo define como “não linear”. Com uma história dividida entre mais de uma década em bens de consumo, com passagens por Nestlé e Natura, um período como estrategista em consultorias de branding e outra década no setor de serviços e tecnologia, incluindo passagens por Dotz e Cinemark, o executivo afirma que sempre se esforçou por transformar o marketing em uma disciplina coletiva. Desde 2023, lidera a área na RD Saúde, grupo que detém as redes Raia e Drogasil, além de diversas marcas próprias.

Sob sua gestão, o desafio é gerenciar um ecossistema com maturidades distintas. Enquanto a marca corporativa RD Saúde tem apenas dois anos, Raia e Drogasil carregam, respectivamente, 120 e 90 anos de história. De acordo com o ranking de marcas brasileiras mais valiosas da Interbrand, a Drogasil está avaliada em R$ 1,5 bilhão e a Raia em R$ 1,07 bilhão. A missão do time de Daniel é fortalecer essas bandeiras regionalmente, enquanto busca o crescimento em receita por meio de marcas próprias como Needs e bwell.

Os números da RD Saúde refletem a escala do desafio: o grupo encerrou 2025 com receita bruta de R$ 47,6 bilhões, crescimento de quase 14% em relação ao ano anterior. Com 3.547 farmácias, a RD Saúde detém aproximadamente 16,6% de market share nacional, liderando o setor pelo 15º ano consecutivo, segundo dados da Abrafarma.

A estratégia de crescimento, segundo Daniel, também passa por um processo de digitalização estratégico. Os canais digitais, que incluem app, delivery e site, respondem por R$ 2,2 bilhões em receita trimestral, atendendo cerca de 1,3 milhão de pessoas diariamente. “O objetivo aqui é reforçar o papel da farmácia como um hub de saúde e conveniência”, reforça.

O CMO defende que o marketing deve atuar como um “coadjuvante”, garantindo que a comunicação potencialize a operação que já entrega valor na ponta. “Quanto mais crescemos em cadeiras de marketing, menos fazemos coisas autorais e mais articulamos para que os times tenham espaço para criar e executar. Vender histórias e dar ferramentas ao time são os focos que ocupam minha agenda; cada entrega deles me orgulha e faz com que tudo valha a pena”, afirma.

Fotos: Victor Affaro

“O desafio em conectar tecnologia, marca e experiência é constante.”

Felipe Cohen assumiu o posto de CMO do Magalu em agosto de 2025, após 10 anos de atuação no grupo, trazendo a bagagem técnica de quem já liderou áreas críticas como supply chain, operações de e-commerce e a diretoria executiva de marketplace. Sua ascensão ao topo do marketing ocorre em um momento em que a companhia colhe os frutos de sua estratégia de rentabilidade em 2025.

Dentre os principais feitos da reformulação recente da área, explica Cohen, está o esforço para que o marketing “deixe de ser uma ilha de comunicação para se tornar o motor que integra frentes de alta performance, como o Magalu Ads – que saltou 54% em receitas em 2025 – e a expansão da Magalu Cloud, que encerrou o ano com mais de 1.200 clientes externos”.

Essa transição para um modelo de “plataforma de serviços” é o que define o novo capítulo da carreira do executivo. A visão de Cohen reflete os números da operação física, que atingiu vendas de R$ 20 bilhões em 2025, e a consolidação de projetos como a Galeria Magalu, que unifica marcas como KaBuM!, Netshoes e Época Cosméticos em uma experiência física única. “O Magalu construiu, ao longo desses últimos anos, um dos ecossistemas mais completos do varejo com presença em novas categorias, cloud, logística e pagamentos, além de consolidar uma atuação completamente integrada entre físico e digital e uma relação muito próxima com o consumidor”, diz.

Para o executivo, o próximo passo é a sofisticação da inteligência de dados para extrair valor dessa capilaridade. Ele afirma que a empresa entra agora em uma nova fase, focada em extrair o máximo de valor desse ecossistema.

“É a transição de uma grande varejista digital para uma verdadeira plataforma, e isso muda tudo”, considera. “Muda como vendemos, como nos relacionamos com o cliente e como a marca se posiciona. No fim, a marca deixa de ser apenas comunicação e passa a ser cada vez mais a experiência que entregamos todos os dias.”

Fotos: Victor Affaro

“O marketing tem um papel social e cultural de extrema relevância.”

Ao chegar à Diageo, há quase 10 anos, Guilherme Martins trazia consigo uma bagagem profissional construída em empresas de culturas sólidas: Natura & Co, General Mills e Whirlpool Corporation. Pós-graduado em CMM pelo Ibmec, ele desenvolveu uma visão especializada em branding que orienta sua forma de conectar marcas à cultura e gerar impacto real no consumidor.

Na multinacional, dona de marcas como Smirnoff e Tanqueray, Martins foi escalado primeiro para liderar o núcleo de novos negócios e, depois, para dirigir o portfólio Reserve no Brasil, dedicando-se a democratizar a educação sobre coquetelaria. Sob sua gestão, a Diageo ampliou o brand equity e consolidou sua presença no mercado nacional, dobrando de tamanho desde 2019. Em passagem pelo México, assumiu o desafio de desenvolver marcas e mercados.

“Eu definiria minha carreira como uma trajetória de construção constante, sempre guiada por curiosidade, aprendizado e pela vontade de participar de movimentos que mudam o comportamento do consumidor”, diz, lembrando da experiência com a coquetelaria no Brasil. “Esse tipo de construção exige visão de longo prazo, presença nos lugares certos, execução consistente e sensibilidade para entender como as pessoas estão mudando sua forma de socializar, consumir e se relacionar com as marcas.”

Na liderança de marketing e inovação no Brasil desde 2024, Martins tem uma gestão marcada pela valorização de diversidade, equidade e inclusão – iniciativas que, segundo o executivo, são capazes de reforçar compromisso institucional, gerar orgulho nos funcionários e construir fidelização. Segundo ele, o Brasil se consolida hoje como um player global relevante e uma plataforma de inovação dentro da Diageo.

“Foi um ciclo em que conseguimos combinar crescimento com relevância cultural, reforçando a capacidade do Brasil de criar narrativas e produtos que não apenas vão bem localmente, mas também inspiram a companhia de forma mais ampla”, diz. O que torna esse período especialmente significativo é a transformação das pessoas e de uma equipe de marketing e parceiros que se provoca diariamente, que busca deixar uma marca, impactar com legado e transformar a socialização no Brasil.”

Fotos: Victor Affaro

“Um dos nossos principais objetivos tem sido inspirar a construção de uma Nação Esportiva.”

Manoela Penna consolidou sua carreira na conexão entre marketing esportivo e gestão de reputação acompanhando a profissionalização do setor no Brasil. Com formação em comunicação social pela PUC-Rio e pós-graduação pela Universitat Autònoma de Barcelona, sua trajetória também é de transição entre o ambiente corporativo e a operação de grandes eventos, com foco em transformar marcas esportivas em ativos de longo prazo.

Entre 2018 e 2022, foi diretora de comunicação e marketing do Comitê Olímpico do Brasil (COB), onde coordenou a modernização da marca Time Brasil e a estratégia de engajamento para os Jogos de Tóquio 2020. Implementou projetos como a Time Brasil TV, a Media House e a Corrida Time Brasil, além de estruturar a área de Mulher no Esporte e os primeiros processos de sustentabilidade e pautas ESG na entidade.

Sua experiência em gestão de crises e eventos de grande porte incluiu a coordenação de 14 clientes durante os Jogos Rio 2016, abrangendo patrocinadores, confederações e o Comitê Organizador.
Após um período de consultoria em Paris, retornou ao COB em 2025 para liderar frentes de inovação digital e governança esportiva. “Nossa área posiciona a comunicação como um pilar estratégico para a geração de receita e sustentabilidade do esporte nacional, dentro de um ecossistema de mídia fragmentado”, explica.

Sua atuação gerou premiações no Sabre Awards e participação em campanhas premiadas no Festival de Cannes. “Um dos nossos principais objetivos tem sido inspirar a construção de uma Nação Esportiva, que consuma esportes em todos os momentos, não necessariamente para virarem atletas, mas para praticar uma atividade física. Vejo minha atuação como uma forma de levar o Movimento Olímpico, os valores olímpicos, os personagens olímpicos para as pessoas conhecerem.”

Esse esforço teve reflexos no desempenho. Nos Jogos Olímpicos de Verão em Paris 2024, o Brasil consolidou sua posição como uma das 20 maiores potências esportivas do mundo, encerrando a competição na 20ª colocação do quadro geral. A delegação brasileira conquistou 20 medalhas, sendo 3 de ouro, 7 de prata e 10 de bronze, o segundo melhor desempenho da história, atrás apenas dos 21 pódios de Tóquio 2020.

Fotos: Victor Affaro

“O marketing precisa respeitar o contexto local de suas marcas.”

Natural de Niterói (RJ), Pethra Ferraz trilhou um caminho atípico no marketing corporativo. Formada em engenharia química pela UFRJ, a executiva iniciou sua trajetória no programa de trainee da Ambev em 2002, onde descobriu que a lógica da engenharia poderia ser aplicada à estratégia de canais, precificação e posicionamento de marca. Com passagens pela Whirlpool (Brastemp e Consul) e BRF (Perdigão), Pethra consolidou sua reputação na indústria de bens de consumo antes de realizar uma transição para o mercado financeiro em 2019, ao assumir o marketing da XP Inc.

Em 2022, aceitou o desafio de liderar o marketing do Mercado Pago para a América Latina, cargo que ocupa em 2026. Sob sua liderança, a plataforma deixou de ser vista apenas como uma solução de pagamentos para se consolidar como um “banco digital” de acordo com os dois rankings Top of Mind, de 2024 e 2025.

Pethra e seu time lideraram a estratégia de integração visual entre as duas marcas, inaugurando um novo posicionamento mais conectado ao ecossistema do Grupo Mercado Livre. A campanha regional contou com nomes como Anitta e Marcos Mion, em meio a um aumento de 118% nos investimentos em patrocínio, especialmente por meio de grandes iniciativas midiáticas e de entretenimento, como a estreia no Big Brother Brasil e o patrocínio oficial do Carnaval em São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro.

Para Pethra Ferraz, a missão que lidera é clara: “democratizar o acesso financeiro na América Latina, reconhecendo as particularidades de cada país, mas conseguindo manter uma visão única e estratégia integrada para a região como um todo”.

“Minha trajetória profissional é marcada por uma transição clara da engenharia para um marketing que entendo como gestão estratégica e motor de crescimento, indo muito além do pilar publicitário para focar em como mover o ponteiro do negócio”, afirma. Ela considera que a decisão planejada de migrar para o setor de tecnologia, especialmente na XP, transformou sua atuação por lhe dar acesso a dados em tempo real para medir e escalar resultados. Hoje, o desafio de gerir a complexidade do Mercado Pago na América Latina lhe exige “um equilíbrio constante entre manter a consistência regional da marca e customizar as operações para as particularidades regulatórias e culturais de cada país”.

Fotos: Victor Affaro

“A responsabilidade em entrar nas conversas cotidianas é muito grande.”

Stella Colucci assumiu a diretoria de marketing da Motorola Brasil no final de 2024, em um momento crucial de reposicionamento para a fabricante. Formada em publicidade e propaganda pela Universidade São Judas Tadeu, com pós-graduação pela FGV e especialização em gestão de pessoas por Harvard, a executiva consolida uma trajetória que intercala gestão de produtos com a comunicação de massa em marcas ícones como Nextel, Samsung e Amazon, onde atuou como head regional de mídia para o Prime Video e Amazon Studios na América Latina.

A executiva defende que os smartphones devem ser ferramentas de atitude e expressão pessoal e não podem se limitar às especificações técnicas. Atualmente, a Motorola ocupa a segunda posição em vendas no Brasil, atrás apenas da Samsung. A empresa tem focado no pilar de lifestyle tech para se distanciar da antiga imagem de marca associada apenas a custo-benefício e se consolidar no segmento ultra premium com as linhas Edge, Razr e a nova família Motorola Signature.

A companhia, diz ela, “vive um momento muito forte de marca, resultado de uma estratégia clara de marketing”. A estratégia inclui parcerias com nomes como Pantone, Swarovski, além de presença na Fórmula 1 e na Copa do Mundo da Fifa, movimentos que a executiva classifica como essenciais para ampliar a “relevância e conexão emocional” com o público. Sobre o desafio de liderar a comunicação de uma gigante global, ela destaca o prazer de encontrar “equilíbrio entre identidade pessoal e consistência de marca”.

O futuro da Motorola no Brasil, em sua visão, passa por humanizar a tecnologia e ocupar territórios da cultura nacional. Ela destaca o impacto de participar de marcos como a Copa do Mundo, o que traz uma “camada emocional e simbólica muito forte ao trabalho”.

Da mesma forma, a associação com a Fórmula 1 é vista como um trunfo estratégico, pois o ambiente “reúne performance, inovação, precisão e storytelling global”. Stella faz questão de atribuir o sucesso dessa nova fase ao suporte de sua equipe, afirmando que tem o “privilégio de trabalhar com um time brilhante” e que está cercada de profissionais que “elevam as ideias, provocam reflexões e agregam valor real a cada entrega”.

Fotos: Victor Affaro

“A Mastercard é uma das marcas mais valiosas do mundo, mas precisa evoluir para ser lembrada como um ecossistema de tecnologia.”

Quando deixou a cidade de Formiga, no oeste de Minas, para estudar na UFMG, em Belo Horizonte, Taciana Lopes já aplicava um olhar pragmático sobre a construção de marcas. Para a executiva, o encantamento de grandes campanhas só atinge seu propósito quando acompanhado de resultados concretos. Essa filosofia, que une marketing e métricas, foi moldada em passagens pela Coca-Cola FEMSA e consolidada em sete anos na Visa.

A virada para a tecnologia ocorreu no WhatsApp, onde permaneceu por cinco anos, até aceitar, em 2024, o desafio de liderar a Mastercard Brasil como CMO. Desde então, Taciana lida com os desafios locais e regionais de posicionar a companhia como uma empresa de infraestrutura tecnológica. Atualmente, a Mastercard possui uma operação global que conecta 3,7 bilhões de cartões em mais de 210 países. A receita líquida no ano de 2025 foi de US$ 32,8 bilhões. No Brasil, a companhia completa 30 anos em 2026 e é líder da indústria de meios de pagamentos há nove anos, segundo dados do Banco Central.

“Estamos em um momento de inflexão. A Mastercard é uma das marcas mais valiosas do mundo, mas precisa evoluir para ser lembrada como um ecossistema de tecnologia para pagamentos e comércio”, afirma. Essa relevância é chancelada pelo ranking Kantar BrandZ, que posiciona a Mastercard como a 12ª marca mais valiosa do planeta, e pela Interbrand, que avalia o ativo de branding em mais de US$ 30 bilhões.

No Brasil, um dos três maiores mercados da companhia, Taciana trabalha em duas frentes: parceiros B2B e consumidores finais. No foco aos parceiros, ela lidera a narrativa da invisibilidade dos pagamentos, com a segurança biométrica e o pagamento por agentes permitindo transações autônomas, eliminando fricções no consumo.

Já no olhar do consumidor, o marketing liderado por Taciana reforça o pilar de experiência. Essa estratégia se estende ao segmento World Legend, focado na altíssima renda e um dos grandes lançamentos da gestão da executiva. Além do patrocínio à McLaren na Fórmula 1, com vários desdobramentos no Brasil, e a parceria local com o Guia Michelin, anunciada em maio de 2025.

“Vivo o momento mais maduro da minha carreira. Mais de 20 anos de experiência me trazem para um lugar de completude. Tenho energia, mas já não tenho a ansiedade de querer todas as respostas”, conclui.

*TEXTOS: BEATRIZ POLIDO E LUIZ GUSTAVO PACETE
FOTOS: VICTOR AFFARO
ASSISTENTES FOTO: FÁBIO DEL MONTE NETO E YURI REUTERS
ARTE: ANDERSON MIGUEL E PEDRO NASCIMENTO
BELEZA: RENAN TAVARES E RODRIGO FROIS
RETOUCH: SANDRO IUNG
PRODUÇÃO EXECUTIVA: LUCAS MANO
MOBILIÁRIO: LUIZ SOLANO
EDIÇÃO: DAVID COHEN

Veja também as listas anteriores:

Os 10 melhores CMOs do Brasil em 2025
Os 10 melhores CMOs do Brasil em 2024
Os 10 melhores CMOs do Brasil em 2023
Os 10 Melhores CMOs do Brasil em 2022
Os 10 melhores CMOs do Brasil em 2021

[Fonte Original]

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