O Nubank avançou na corrida para comprar o Banco Caixa Geral Brasil, braço da estatal portuguesa Caixa Geral de Depósitos. A fintech aparece entre os quatro interessados na aquisição, ao lado de Garantia Capital, MD Capital e Sputnik LLC. A seleção para a segunda fase saiu na quarta-feira, 25 de março, com confirmação do Finsiders Brasil.
A instituição portuguesa atua no país como banco múltiplo e integra o segmento S4 do Banco Central. Para o Nubank, o ativo tem valor estratégico. A compra pode acelerar um objetivo já declarado: conquistar uma licença bancária no Brasil ainda este ano.
Criar um banco do zero exige tempo e paciência. O processo regulatório leva entre 12 e 18 meses. Ao comprar uma instituição já autorizada, o caminho encurta. Ainda assim, o aval do regulador continua obrigatório.
O Nubank participa da disputa por meio da Nu Financeira S.A., sua subsidiária local. A partir de 1º de abril, os candidatos terão entre 60 e 90 dias para apresentar propostas vinculativas.
Movimento estratégico no setor bancário
O interesse não vem isolado. Neste mês, o Nubank se filiou à Federação Brasileira de Bancos, a Febraban. A entrada chama atenção. Durante anos, a fintech operou fora desse círculo mais tradicional.
Agora, passa a dividir espaço com grandes bancos e participar das decisões do setor. Esse movimento tende a reduzir atritos regulatórios e políticos, especialmente se a compra avançar.
Ao mesmo tempo, o ambiente regulatório mudou. Em novembro de 2025, o Banco Central proibiu fintechs sem licença bancária de usar termos como “banco” ou “bank”. A regra atinge diretamente empresas como o Nubank, que ainda opera com licenças de pagamento, financeira e DTVM.
Venda marcada por tentativas frustradas
Do lado português, a venda do Banco Caixa Geral Brasil já enfrentou vários obstáculos. A intenção de saída surgiu em 2017, dentro de um plano de reestruturação da CGD.
Desde então, o processo acumula idas e vindas:
- 2019, propostas consideradas inadequadas
- 2021, tentativa de retomada
- 2023, novo cancelamento
Os motivos se repetem. Falta de interesse suficiente ou ofertas abaixo do esperado.
Segundo Francisco Cary, vice-presidente da CGD, a conclusão depende das autorizações no Brasil. Ele já indicou que esse tipo de processo costuma levar alguns meses. A expectativa atual aponta para um desfecho ainda em 2026.
Nubank mantém cautela
Em nota, o Nubank afirmou que avalia diferentes caminhos para obter a licença bancária. A empresa reforçou que não há decisão final sobre a operação.
Também destacou o compromisso com transparência, comum em companhias abertas. Qualquer avanço relevante será comunicado ao mercado.
Por enquanto, o cenário segue em aberto. Não existe proposta definitiva nem negociação exclusiva. Ainda assim, o movimento indica uma possível virada de posição. Se avançar, o Nubank pode ampliar sua presença e ganhar novo peso no sistema financeiro brasileiro.