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domingo, março 29, 2026

Crítica | Doctor Who: A Supremacia dos Cybermen – Plano Crítico

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Os Cybermen foram os primeiros a desafiar a popularidade dos Daleks como os grandes inimigos do Doutor. Surgidos em The Tenth Planet, que marcou o fim da era do 1º Doutor, os ciborgues se tornaram os principais vilões do show pelo resto da era preto e branco. No fim, os Cybermen nunca conseguiram superar os monstros de Skaro em popularidade, e creio que um dos motivos que explique isso seja a maleabilidade temática deles, o que funciona tanto como força quanto como fraqueza para os personagens. As boas histórias dos Daleks sempre são sobre fascismo e xenofobia, temas que insistem em se atualizar. Assim, a oposição temática entre os Daleks e o Doutor é clara. Os Cybermen são mais diversos tematicamente. Eles surgem nos anos 60 como metáforas do pavor comunista, mas em anos posteriores, eles se tornariam representantes dos medos da crise industrial dos anos Thatcher. Russel T. Davies, por sua vez, usou os monstros para tecer comentários sobre a dependência tecnológica, enquanto Steven Moffat utilizou os androides como símbolo máximo do medo da morte. Essa fluidez temática os torna menos representativos como antagonistas, mas permite uma infinidade de abordagens. Assim, havia muito potencial na proposta apresentada por A Supremacia Dos Cybermen. Minissérie da Titan Comics lançada em comemoração aos 50 anos dos vilões do título.

Escrita por George Mann e Cavan Scott, com arte de Alessandro Vitti, Ivan Rodriguez e Tazio Bettin, a minissérie traz o , o 10º, o 11º e o 12º Doutor enfrentando os Cybermen em diferentes pontos do tempo e espaço. A aventura do 12º Doutor é a que guia a trama, onde vemos o Time Lord procurando a ajuda da Irmandade de Karn para investigar uma série de anomalias no vórtice do tempo, que só podem ser reparadas pela tecnologia de Gallifrey, onde ele não está conseguindo chegar. Paralelamente, o 9º Doutor, junto de Rose e Jack, chega à Inglaterra moderna, só para descobrir que a Terra está sob o controle dos Cybermen. No século 24, o 10º Doutor e suas companions Gabby e Cindy se divertem em um planeta shopping center, quando são recrutados pelos Sontaran, que querem a ajuda dele para salvar o seu mundo dos Cybermen. Por fim, na pré-história, a viagem do 11º Doutor e de sua Companion Alice para achar uma fruta extinta para dar de presente para Madame Vastra é interrompida, quando eles descobrem que os Cybermen chegaram ao planeta e transformaram os Silurianos adormecidos em seu exército particular. Os Cybermen são uma ameaça maior do que jamais foram, e o Doutor deve agir antes que os androides remodelem todo o tempo e espaço.

Apesar do que possa parecer, a minissérie não se enquadra no formato Multi-Doctor, já que nenhum dos Doutores se encontra na trama. Ainda que a trama do 12º Doutor crie a espinha dorsal que liga vagamente as quatro histórias, cada aventura funciona sozinha. A mais fraca é a estrelada pelo 9º Doutor, recheada dos mais cansados clichês de tramas de cenários apocalípticos, e sem um conflito ou visuais fortes, ainda que seja o plot que traga os personagens mais reconhecíveis. Já a trama do 10º Doutor é a mais interessante da minissérie, pela forma como explora os Sontarans e os paralelos que o roteiro faz entre eles e o Time Lord. A história que acompanha o 11º Doutor na pré-história não tem uma trama tão interessante, mas compensa por ter a arte mais inventiva, com um bom uso das cores para retratar os cenários das florestas e das cavernas tecnológicas Silurianas, além de possuir designs bem criativos para retratar Silurianos e dinossauros Cyber-convertidos. Por fim, a história do 12º Doutor funciona como uma sequência direta do episódio Hell Bent, mostrando o Doutor ainda amargurado pelo que os Time Lords fizeram naquele episódio, e tendo a chance de acertar as suas contas com Rassilon, que está por trás desse ataque dos Cybermen, em uma história com bons momentos, mas mediana no geral.

Mas, apesar de possuir as suas qualidades, a minissérie tem problemas estruturais sérios. Começando pelo fato de que, no fim das contas, a única história que importa para a narrativa macro é a história do 12º Doutor. O roteiro deixa isso claro, inclusive, quando mostra rápidas passagens com os Doutores da Série Clássica também enfrentando os Cybermen e falhando, expondo a inconsequência das narrativas na Terra e no Planeta dos Sontaran. Mas talvez o maior problema seja que a minissérie parece não ter quase nenhum interesse nos vilões do título. A revista tem muito mais a dizer sobre os Sontarans, ou até mesmo Rassilon, que assume o principal antagonismo no clímax da história, do que sobre os Cybermen. De fato, com alguns ajustes, não é difícil imaginar qualquer outra raça alienígena sendo posta no lugar dos androides nessa história, o que é um desperdício, pois os Cybermen são personagens muito mais ricos do que isso quando bem utilizados.

A Supremacia dos Cybermen parte de uma premissa interessante ao colocar diferentes Doutores enfrentando os Cybermen em contextos diversos, como Gallifrey e a Terra pré-histórica. Entretanto, não só a qualidade das quatro histórias é diferente, como elas muitas vezes parecem mal articuladas ao longo dos cinco capítulos da minissérie. Entretanto, o que acaba sendo mais frustrante no roteiro de George Mann e Cavan Scott é o total desinteresse nos Cybermen, reduzindo-os a robôs assassinos cujo único truque parece ser transformar outros em robôs assassinos. Sim, eles podem ser só isso mesmo, mas para uma história que se propõe a celebrar os cinquenta anos dos personagens, eu esperava que a minissérie tivesse algo mais a dizer sobre esses vilões e seu longo histórico de rivalidade com o Doutor. Em resumo, A Supremacia Dos Cybermen é uma festa de aniversário que dá muita pouca atenção para os aniversariantes.

Doctor Who: A Supremacia dos Cybermen (Supremacy of the Cybermen) – Reino Unido. (6 de Julho de 2016 a 16 de Novembro de 2016)
Editora: Titan Comics
Roteiro: George Mann, Cavan Scott
Arte: Alessandro Vitti, Ivan Rodriguez, Tazio Bettin
145 páginas.



[Fonte Original]

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