Quase metade de todo o Bitcoin em circulação está hoje valendo menos do que no momento em que foi comprado, aponta um relatório da CEX.IO.
A plataforma afirma que seu Bitcoin Impact Index, indicador que mede o nível de estresse financeiro no mercado com base em dados on-chain, fluxo de ETFs, derivativos e liquidez, subiu 13 pontos na semana passada, para 57,4, entrando na chamada zona de “alto impacto”.
Segundo o relatório, esse patamar historicamente esteve associado a momentos de venda ampla no mercado, como os vistos em 2018, 2022 e no começo deste ano. A leitura da CEX.IO é que o estresse voltou a se espalhar por diferentes grupos de investidores, inclusive aqueles que costumam ser mais resilientes em ciclos de baixa.
O dado mais chamativo é que 47% da oferta total de Bitcoin está atualmente “underwater”, isto é, com preço abaixo do custo de aquisição. O relatório também afirma que mais de 4,6 milhões de BTC pertencentes a investidores de longo prazo — carteiras que carregam moedas há mais de seis meses — passaram a ficar no prejuízo, o equivalente a cerca de 30% dos saldos desse grupo. As perdas realizadas por esses investidores na semana passada foram as piores desde 2023.
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Para a CEX.IO, esse tipo de divergência entre o comportamento do preço e a convicção mostrada pelos dados on-chain costuma acender um alerta. A empresa diz que movimentos parecidos ocorreram em meados de 2018 e 2022, antes de quedas adicionais superiores a 25% no preço do ativo.
O quadro piorou também entre investidores de curto prazo. Segundo o relatório, o nível atual de moedas em perda entre esses participantes voltou a se aproximar das leituras mais estressadas vistas em fevereiro.
Ao mesmo tempo, o fluxo de capital que vinha ajudando a sustentar o mercado no início do mês perdeu força: as entradas diárias de stablecoins, que giravam em torno de US$ 250 milhões, teriam virado saída líquida de US$ 292 milhões, enquanto ETFs e mineradores passaram de acumuladores a vendedores.
Ainda assim, o relatório aponta que um sinal clássico de capitulação total ainda não apareceu. Os dados on-chain não mostram, por enquanto, uma corrida generalizada de investidores para depositar Bitcoin em exchanges, movimento que costuma anteceder ondas mais agressivas de venda. Em outras palavras, o mercado está sob forte pressão, mas ainda sem os sinais mais extremos de pânico vistos em outras fases de baixa.
O pano de fundo segue pesado. O Bitcoin continua muito abaixo do pico registrado em outubro de 2025, quando chegou em US$ 126 mil, e o mercado ainda tenta absorver uma combinação de guerra no Oriente Médio, juros altos por mais tempo nos Estados Unidos e recuo no apetite por risco.
Nesse contexto, o avanço do Bitcoin Impact Index sugere que a dor no mercado já não está restrita a traders alavancados ou investidores recentes, ela começa a atingir uma fatia bem mais ampla da base de detentores da criptomoeda.
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