O governo está preocupado e tenta encontrar uma solução para o grande número de famílias com dívidas. O alto nível de endividamento representa um problema para o governo, especialmente no contexto eleitoral. Apesar de indicadores econômicos positivos como desemprego baixo, aumento de renda e inflação controlada, a população não sente esse conforto econômico, porque a dívida sequestra essa percepção de bem-estar. O consumidor perde capacidade de compra para pagamento dos juros. Tanto que, segundo a última pesquisa Quaest, 48% dos brasileiros acreditam que a economia piorou no último ano, enquanto apenas 24% viram melhora.
Ainda não foi divulgada a proposta final, mas o objetivo é que ela tenha efeito rápido. Como foi no programa “Desenrola”, trocar dívidas mais caras por dívidas mais baratas, com incentivo do governo. O “Desenrola” conseguiu uma melhora, mas muitas famílias permaneceram endividadas. Segundo os dados divulgados ontem, 49,7% da renda anual do consumidor está comprometida com dívidas. Além disso, um terço da renda mensal é destinado ao pagamento de juros.
A taxa de juros do Brasil é elevada: enquanto a Selic está em torno de 15%, o juro médio de empréstimos pessoais chega a 62%. Um dos maiores perigos é o rotativo do cartão de crédito: em fevereiro, a taxa atingiu 435,9%, acima dos 424% de janeiro. A primeira medida é sair desse crédito rotativo e buscar modalidades mais baratas.Muitas pessoas não sabem que é possível renegociar ou fazer portabilidade para obter juros menores. Existem caminhos para ajudar os endividados, mas é preciso orientação e esforço conjunto, inclusive dos bancos.