O Ibovespa fechou em alta de mais de 2% nesta terça-feira (31), superando os 187 mil pontos, mas ainda assim registrou o primeiro mês negativo desde meados do ano passado, contaminado pela aversão a risco global com a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã que ultrapassa quatro semanas.
A performance positiva no pregão paulista no dia apoiou-se em noticiário sobre possível alívio no conflito no Oriente Médio, enquanto a cena corporativa brasileira destacou acordo para a Advent comprar participação na Natura, o que fez a ação da fabricante de cosméticos disparar.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 2,71%, a 187.461,84 pontos, tendo marcado 187.507,77 na máxima e 182.515,40 na mínima do dia. No mês, acumulou perda de 0,70%, mas ainda assegurou alta de 16,35% no primeiro trimestre.
O volume financeiro no pregão desta terça-feira somava R$ 37,9 bilhões.
Também repercutiram reportagens, incluindo da Bloomberg, de que o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse que o país estava pronto para encerrar a guerra, mas quer garantias.
De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, esses sinais de potencial arrefecimento no conflito animaram a bolsa, embora ainda exista muita cautela em relação ao cenário geopolítico.
A sessão também foi marcada por novo ataque a um petroleiro no Oriente Médio e alerta do secretário de Defesa dos EUA sobre dias decisivos no conflito, enquanto a Guarda Revolucionária do Irã também disse que atingirá empresas dos EUA na região a partir de 1º de abril, em retaliação a ataques contra o Irã.
“A guerra entre EUA, Israel e Irã transformou o conflito no Golfo em variável central do cenário global”, afirmaram economistas do Bradesco em relatório a clientes, acrescentando que o conflito continua sendo fonte importante de incerteza e que as próximas semanas serão decisivas.
“Os principais riscos para o cenário global são assimétricos: petróleo mais caro, mais pressão inflacionária e crescimento mais fraco”, destacaram Fernando Honorato e equipe.
Apesar da queda do Ibovespa e do clima de incertezas no mundo com a guerra, a bolsa paulista registrava saldo positivo de capital externo em março até o último dia 26 de quase R$ 7,9 bilhões, totalizando uma entrada líquida de estrangeiros R$ 49,6 bilhões no mercado secundário de ações brasileiro em 2026.
“Já vínhamos com uma visão construtiva para o Brasil no início deste ano e ao longo de todo o ano passado”, afirmou à Reuters Rashmi Gupta, gestora de portfólio multiativos no JPMorgan Private Bank, em Nova York.
“Diante do atual ambiente macro e do aumento do risco geopolítico, posso dizer que ampliamos ainda mais nossa alocação em Brasil…. É um dos mercados com exposição relevante a energia e commodities, que pode ser favorecido em um ambiente de alta nos preços do petróleo”, acrescentou.
Dólar
O dólar fechou o dia em queda firme ante o real e novamente abaixo dos R$ 5,20, acompanhando o recuo quase generalizado da moeda norte-americana ante as demais divisas no exterior, em meio à expectativa de que a guerra no Oriente Médio possa desescalar.
O dólar à vista fechou em queda de 1,28%, aos R$ 5,17. No acumulado de março — que coincide com o primeiro mês da guerra de EUA e Israel contra o Irã — o dólar subiu 0,87%. No primeiro trimestre do ano, a divisa dos EUA acumulou baixa de 5,65%.
Na primeira metade do dia, os investidores operaram no Brasil em meio à disputa pela formação da Ptax do fim de março. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros.
No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).
Em função da disputa, é comum haver maior volatilidade na primeira metade da sessão, em especial nos horários próximos às janelas de coleta de valores pelo BC, às 10h, 11h, 12h e 13h. No início da tarde, a Ptax fechou em R$ 5,2194 na venda.
No exterior, os mercados foram novamente conduzidos pelo noticiário sobre a guerra. Na noite de segunda-feira, o Wall Street Journal havia informado que Trump disse a assessores estar disposto a encerrar a campanha militar contra o Irã, mesmo que o Estreito de Ormuz permaneça em grande parte fechado.