O Reino Unido sediará nesta semana conversas entre 35 países com o objetivo de formar uma coalizão para reabrir o Estreito de Ormuz, à medida que as nações reagem à ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de encerrar o conflito com o Irã sem garantir a segurança da vital via marítima.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou nesta quarta-feira que a reunião de ministros das Relações Exteriores discutirá formas de “tornar o estreito acessível e seguro após o fim dos combates”. Planejadores militares também se reunirão nesta semana para discutir opções navais.
Starmer disse que a chanceler britânica, Yvette Cooper, irá sediar as conversas ministeriais para “avaliar todas as medidas diplomáticas e políticas viáveis que podemos adotar para restaurar a liberdade de navegação, garantir a segurança de navios e tripulações retidos e retomar o fluxo de commodities vitais”.
Outros países, incluindo França, Holanda e Estados do Golfo, têm participado de discussões privadas sobre quais recursos navais estariam dispostos a fornecer para uma possível coalizão, disseram ao jornal Financial Times (FT) quatro autoridades informadas sobre as negociações.
Escoltas militares, operações de desminagem e outras defesas contra possíveis ataques do Irã estão sendo consideradas, segundo essas autoridades consultadas pelo jornal.
A coalizão proposta não operaria como uma missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), afirmaram as autoridades ao FT, e envolveria países de fora da aliança militar. A proposta é para ser implementada após um cessar-fogo na guerra entre EUA, Israel e Irã, mas está sendo acelerada em resposta às ameaças de Trump.
Na terça-feira, o presidente dos EUA disse que países como o Reino Unido deveriam “buscar seu próprio petróleo” caso enfrentassem escassez devido à crise em Ormuz, criticando-os por se recusarem a se envolver diretamente na guerra entre EUA, Israel e Irã.
Teerã fechou o estreito, por onde anteriormente passavam cerca de 20% do petróleo e gás natural do mundo, em retaliação aos ataques dos EUA e de Israel no fim de fevereiro. Os preços globais de energia dispararam em resposta, aumentando temores de uma crise econômica.
Os países europeus inicialmente rejeitaram no mês passado o pedido de Trump para enviar suas marinhas ao estreito, temendo serem arrastados para o conflito. Diplomatas também disseram ao FT, em privado, que seus governos não estavam dispostos a ajudar Trump a resolver um problema que ele próprio havia criado.
Mas a gravidade da crise energética e as preocupações com um bloqueio prolongado das exportações de petróleo e gás, além das críticas recorrentes de Trump aos aliados da Otan por não apoiá-lo, forçaram uma reavaliação, disseram as autoridades ao jornal.
Starmer afirmou que o Reino Unido está “explorando todas as vias diplomáticas disponíveis” como parte dos esforços para reabrir o Estreito de Ormuz.
“Após essa reunião, também reuniremos nossos planejadores militares para avaliar como podemos mobilizar nossas capacidades”, acrescentou.
No entanto, o premiê britânico disse, em entrevista coletiva em Downing Street, que qualquer operação internacional para manter o estreito aberto pode ser complexa e difícil.
“Não se pode presumir que uma desescalada do conflito trará automaticamente a reabertura segura do Estreito de Ormuz”, afirmou.
Ele acrescentou: “Preciso ser franco: não será fácil.” Segundo ele, o problema para a navegação na região não é a disponibilidade de seguros, mas sim a “segurança da passagem”.
Duas das autoridades informadas sobre as negociações disseram ao FT que a formação da coalizão naval tem sido complicada pela natureza desigual dos recursos oferecidos por cada participante. Alguns países, por exemplo, ofereceram navios de desminagem, mas não fragatas para protegê-los.
Um porta-voz do ministro das Relações Exteriores da Bélgica disse que o esforço é “muito semelhante à coalizão de voluntários na Ucrânia”, formada para proteger um possível cessar-fogo na guerra da Rússia contra Kiev.
A Bélgica não está entre os 35 países oficialmente incluídos na iniciativa liderada pelo Reino Unido, mas está disposta a participar da coalizão em caso de cessar-fogo, disse o porta-voz, acrescentando: “Tudo dependerá da decisão do presidente Trump. Ainda não está muito claro qual será o próximo passo”.