Em funcionamento desde terça-feira, (31), a Linha 17-Ouro do Metrô, que conecta o Aeroporto de Congonhas às linhas 9-Esmeralda e 5-Lilás, é cerca de grandes números, a começar pelo custo bilionário na sua construção. O projeto, inicialmente previsto para 2014, foi retomado em setembro de 2023 e demandou investimento total de R$ 5,97 bilhões, segundo o governo do estado. Para se ter uma ideia, o valor gasto até agora é equivalente ao orçamento anual previsto para a cidade de Teresina, capital do Piauí, em todo ano de 2026.
O governo promete a operação plena da linha para outubro. O trecho inaugurado tem 6,7 quilômetros de extensão e está operando em fase inicial com funcionamento parcial: de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h. Nesta etapa, apenas dois trens estão em circulação, com intervalos entre 7 e 14 minutos, no modelo shuttle, em que as composições fazem o trajeto de ida e volta pela mesma via. A previsão é que a operação seja ampliada gradualmente até atingir o funcionamento integral, das 4h40 à 0h.
Quando estiver em operação total, a estimativa do governo é de que a linha transporte cerca de 100 mil passageiros por dia. Ao todo o metrô de São Paulo transporta diariamente cerca de 4 milhões de pessoas e a CPTM, perto de 1,6 milhões. O trajeto inicial da nova linha inclui sete estações: Morumbi, com conexão à Linha 9-Esmeralda; Campo Belo, com integração à Linha 5-Lilás; além de Chucri Zaidan, Vila Cordeiro, Vereador José Diniz, Brooklin Paulista e Aeroporto de Congonhas. A estação Washington Luís não integra a fase inicial e deve ser incorporada posteriormente, conforme a entrada de novas composições.
A linha terá frota total de 14 trens, cada um com capacidade para 616 passageiros. Até o momento, o governo do estado informa que 11 composições já estão no Brasil, sendo oito já passaram pelo teste obrigatórios. As demais unidades vão entrar em operação de forma gradual. O investimento na compra dos trens foi de R$ 989 milhões.
Operação e Tecnologia
Os trens foram projetados para operar em sistema automatizado, sem condutor, por meio da tecnologia UTO (Unattended Train Operation), com controle por sinalização CBTC. Cada composição é formada por cinco carros interligados, com ar-condicionado, iluminação em LED, câmeras de monitoramento e sistemas de segurança embarcados.
Segundo o governo estadual, a operação elétrica do sistema deve resultar na redução anual de 25.937 toneladas de emissões de poluentes e gases de efeito estufa, além de uma economia estimada de 11,7 milhões de litros de combustível por ano.
Durante a inauguração, também foi autorizada a expansão da linha, com mais 4,6 quilômetros de extensão e quatro novas estações, em projeto que prevê futura conexão com a Linha 4-Amarela. A ampliação ainda depende das próximas etapas de desenvolvimento e execução.