O grupo Votorantim, que reúne participação em 12 empresas, pode se valer do seu portfólio diversificado para apaziguar os efeitos da guerra dos Estados Unidos contra o Irã e da alta no petróleo que o conflito vem provocando, segundo o CEO, João Schmidt. Ele falou ao Valor a respeito do balanço anual da companhia, divulgado nesta quinta-feira (2).
“No ano passado, olhávamos para as tarifas com pouca clareza, certa preocupação, e vemos que o portfólio segurou muito bem”, disse. “Neste ano, tem boa probabilidade de o próprio portfólio resolver essa questão”.
O maior impacto direto do conflito, na visão do executivo, está mesmo no preço do petróleo, que subiu 63% em março e voltou a subir nesta quinta-feira, após discurso de Donald Trump sobre a guerra. Após ficar perto dos US$ 110, o barril tipo Brent estava cotado pouco acima dos US$ 106, por volta das 12h30.
“Se o preço fica elevado por muito tempo, em decorrência desse evento, é natural que o preço do combustível, do coque, seja impactado”, afirmou Schmidt. O coque é usado nos fornos de cimenteiras, e a Votorantim tem a maior fabricante do produto no Brasil, a Votorantim Cimentos. O negócio responde por 47% do Ebitda econômico do grupo — o indicador reflete a participação da Votorantim em todas as 12 empresas nas quais tem fatias.
Por outro lado, o aumento do petróleo tende a fazer com que outras commodities subam, principalmente as metálicas. O cobre, por exemplo, está mais exposto aos investimentos em transição energética, que tendem a aflorar com a volatilidade do petróleo.
“Se o preço das commodities metálicas sobe, também nos beneficia”, disse, já que o grupo tem participação em negócios da área, com a Nexa e a Acerbrag.
Schmidt lembrou que o Oriente Médio é grande produtor de alumínio e, com restrições ao trânsito de navios pela região, pode haver uma escassez de oferta do metal. A Votorantim detém 69% de participação na produtora de alumínio CBA, mas assinou a venda dessa participação em janeiro. O negócio, no entanto, ainda deve levar alguns meses para ser finalizado.
Já o impacto indireto da guerra e do aumento do petróleo é “um ambiente de incerteza”, que afeta o custo de capital e oportunidades de crescimento, diz o executivo, embora o fato de o grupo estar com o balanço reforçado também possa permitir que se beneficie desse cenário, em sua visão. “Mas é imprevisível”, ressaltou.
O grupo Votorantim terminou 2025 com lucro líquido de R$ 4,8 bilhões, avanço de 482% em um ano, e dívida líquida em queda de 23%, a R$ 11,7 bilhões, com alavancagem de 1,01 vez a dívida sobre o Ebitda ajustado.