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domingo, abril 12, 2026

Após ameaça de destruir civilização do Irã, EUA aceitam cessar-fogo; Israel diz que acordo não vale para o Líbano

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O presidente Donald Trump anunciou na noite desta terça-feira um cessar-fogo bilateral de duas semanas com o Irã, após negociações mediadas pelo Paquistão e ao final de um dia tenso — no qual o líder americano declarou que “toda a civilização” iraniana seria destruída. Os EUA suspenderão os ataques aos iranianos que, em troca, concordaram com a reabertura do Estreito de Ormuz durante o período, que será usado para discutir um acordo definitivo para encerrar a guerra.

“Com base em conversas com o premiê Shehbaz Sharif e o marechal Asim Munir, do Paquistão — nas quais solicitaram que eu suspendesse a força destrutiva que seria enviada esta noite contra o Irã — e condicionado ao fato de a República Islâmica do Irã concordar com a abertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz, concordo em suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas. Este será um cessar-fogo bilateral”, anunciou Trump na Truth Social.

Post de Trump na Truth Social sobre cessar-fogo com o Irã — Foto: Reprodução

Na postagem, Trump afirmou ter recebido uma proposta de dez pontos do Irã, que, segundo ele, “constitui uma base viável para negociação”. “Quase todos os diversos pontos de divergência do passado já foram acordados entre EUA e Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e concluído”, disse.

A primeira rodada de conversas está marcada para ocorrer em Islamabad, capital do Paquistão, na sexta-feira, segundo a imprensa estatal iraniana. Autoridades da Casa Branca afirmaram que o governo de Israel também concordou com a trégua temporária e outras fontes disseram que o Paquistão disse que o Líbano também seria envolvido nas negociações.

O preço do barril do petróleo do tipo Brent, que subiu para além dos US$ 110 durante o dia, caía 14,45% à noite, para US$ 93,48.

Segundo a imprensa estatal iraniana, o plano de dez pontos proposto a Trump prevê o trânsito controlado por Ormuz coordenado com as Forças Armadas do país, o fim da guerra contra o Irã e grupos aliados e a retirada militar dos EUA de todas as bases na região.

O plano também incluiria, segundo Teerã, a suspensão de todas as sanções econômicas contra o país, o pagamento de compensações devido à guerra e o descongelamento de ativos iranianos em bancos internacionais.

Trump não deu detalhes sobre a proposta, mas disse ter aceitado o acordo porque os EUA já teriam “superado todos os objetivos militares” da guerra — alterados por ele a cada semana — e estariam “muito avançados em um acordo definido sobre a paz de longo prazo com o Irã e no Oriente Médio”.

O anúncio da trégua foi feito menos de duas horas antes do fim do prazo que Trump havia imposto para que o Irã aceitasse um acordo para reabrir Ormuz. Depois de ameaçar destruir pontes e usinas de energia do país em seu mais recente ultimato, o presidente americano chocou o mundo com sua ameaça na manhã de ontem, nas redes sociais, que eliminar “toda a civilização iraniana”.

“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser trazida de volta. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá”, escreveu Trump nas redes sociais.

A mudança repentina coroou um dia turbulento, dominado pelas trocas de ameaças entre Trump e o Irã o que alarmou líderes mundiais, abalou os mercados financeiros e de energia globais e gerou ampla condenação, incluindo críticas do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e do papa Leão XIV.

À medida que o prazo das 20 horas de Washington (21 horas de Brasília) imposto por Trump se aproximava, ataques dos EUA e de Israel contra o Irã se intensificaram, atingindo pontes ferroviárias e rodoviárias, um aeroporto e uma planta petroquímica. Forças americanas atacaram alvos na Ilha de Kharg, onde fica o principal terminal exportador de petróleo do Irã.

Em resposta, o Irã declarou que não se conteria mais de atacar a infraestrutura de seus vizinhos do Golfo Pérsico e afirmou ter realizado novos ataques contra um navio na região e um grande complexo petroquímico saudita. Explosões foram ouvidas em Doha e em outras capitais no final da noite de ontem, antes do anúncio da trégua pelas partes.

O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa quase um quinto do petróleo global transportado por navios, elevou fortemente os preços da commodity, aumentando o risco de desaceleração econômica global ou até recessão. Alertas nesse sentido foram reforçados nesta semana por instituições como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.

Com a campanha para as eleições de meio de mandato nos EUA ganhando força, a taxa de aprovação de Trump atingiu seu nível mais baixo já registrado, colocando seu Partido Republicano em risco de perder o controle do Congresso. Pesquisas mostram que a maioria dos americanos é contrária à guerra e está frustradas com o aumento do preço da gasolina.

Trump e autoridades iranianas não abordaram sobre o destino dos cerca de 440 kg de urânio enriquecido próximo ao grau necessário para armas nucleares de Teerã, assim como a exigência dos EUA de que o Irã limite o alcance e o tamanho de seu arsenal de mísseis, reduzido pela guerra.

Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca nesta segunda-feira (6) — Foto: Reuters/Nathan Howard
Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca nesta segunda-feira (6) — Foto: Reuters/Nathan Howard

O governo de Israel anunciou na manhã desta quarta-feira que o cessar-fogo de duas semanas acordado entre Irã e Estados Unidos não valerá para a disputa entre Israel e Líbano, onde travam um conflito com o grupo Hezbollah, apoiado pelos iranianos.

No plano de dez pontos que serviu de base para o cessar-fogo, o fim do conflito no Líbano é um dos itens exigidos pelo Irã como base para negociar um fim para o conflito no Oriente Médio.

Em suas declarações a respeito do cessar-fogo de duas semanas, Trump não fez menção sobre o Líbano. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que ajudou a mediar o cessar-fogo provisório, afirmou que a suspensão das hostilidades valia inclusive para o caso do Líbano.

O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou apoio ao trato entre Estados Unidos e Irã para que as negociações possam prosseguir.

[Fonte Original]

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