O presidente da Argentina, Javier Milei, pediu aos argentinos que tenham paciência com a recuperação econômica do país, em meio a queda nas pesquisas de opinião e a piora das perspectivas para as indústrias de mão de obra operária.
Em uma longa postagem na rede social X na quinta-feira, Milei criticou duramente a mídia por exagerar os problemas da economia e seus principais rivais políticos, os “psicopatas irresponsáveis”, por tentar desestabilizar os mercados antes das eleições de meio de mandato do ano passado. No entanto, o presidente também reiterou um pedido que fez em seu discurso de posse há mais de dois anos.
“Sabemos que os últimos meses foram difíceis”, disse Milei. “Por isso, pedimos paciência. Este é o caminho certo. Mudá-lo seria jogar tudo o que já foi conquistado”.
Milei admitiu que a volatilidade do mercado antes das eleições de meio de mandato de outubro teve efeito duradouro, como “taxas de juros mais altas, menos atividade econômica e mais inflação”.
Sua postagem foi feita uma hora depois do instituto nacional de estatística ter informado que a produção industrial caiu 8,7% em fevereiro em comparação com o ano anterior, e que a construção civil também apresentou queda, apesar de ter sido inferior a 1%.
Ambos os setores registraram perdas significativas de empregos desde que Milei assumiu o cargo e representam uma parcela importante da força de trabalho do setor privado.
O presidente argentino obteve algumas vitórias nos últimos dias. A pobreza caiu para 28% no segundo semestre do ano passado, o nível mais baixo desde 2018 e quase metade do nível registrado no início do governo Milei.
Ao mesmo tempo que o desemprego teve alta, a inflação ficou em 2,9% em fevereiro, acima do esperado, e o Ministro da Economia, Luis Caputo, alertou recentemente que o índice iria acelerar novamente em março devido à alta dos preços do petróleo por conta da guerra no Oriente Médio.
O índice de aprovação de Milei caiu para 36,4% em março, menor nível desde que assumiu o cargo, segundo a LatAm Pulse, uma pesquisa realizada pela AtlasIntel para a Bloomberg News.
Embora a economia tenha crescido em 2025, esse crescimento desacelerou e os trabalhadores com carteira assinada ainda não viram o retorno aos níveis pré-Milei, considerando a inflação.
De modo geral,Milei insistiu que a Argentina está em melhor situação hoje, mesmo sabendo que nem todos concordam com essa opinião.
“A Argentina está muito, MUITO, melhor do que em 2023”, disse Milei, referindo-se a quando iniciou o cargo.
“Isso significa que todos estão em melhor situação? Não. E seria intelectualmente desonesto afirmar isso. Os processos de melhoria não acontecem na mesma velocidade para todos: estatísticas refletem médias, e sabemos que há pessoas vivendo nos extremos da distribuição”.