De repente, parece que o mundo descobriu a ansiedade. E que só recentemente, na aceleração da vida moderna, passamos a conviver com seus sintomas. Mas, redes sociais e excesso de estímulos à parte, as raízes desse transtorno — e da sua manifestação aguda, o pânico — remontam à Grécia Antiga. Quem afirma é o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, conhecido por suas pesquisas pioneiras sobre síndrome do pânico no Brasil.
Recém empossado presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), Nardi trata também de outros mitos, como o de que há sempre uma causa emocional para transtornos como a ansiedade e a depressão. Ele destaca as origens genéticas desses quadros e a influência de ainda pouco compreendidos processos inflamatórios do cérebro que “bagunçam” nossos neurotransmissores.
Na entrevista a seguir, o especialista, que é fundador do Laboratório de Pânico & Respiração e do Ambulatório de Depressão Resistente do Instituto de Psiquiatria da UFRJ e editor-chefe do Brazilian Journal of Psychiatry, fala desses temas, da importância da respiração e da atividade física para a saúde mental e do estigma em torno da eletroconvulsoterapia.
Vivemos em uma era com índices crescentes de ansiedade e depressão. Seu tema de estudo, o pânico, tem a ver com esse cenário?
Sem dúvida. O transtorno de pânico é um quadro agudo de ansiedade. A pessoa está bem, distraída, estudando, trabalhando, dormindo, e de repente tem um ataque. Em geral, ele dura em torno de 20 a 30 minutos. Os primeiros dez são os piores. A pessoa tem falta de ar, tremor, onda de frio, de calor, tontura, palpitação, pressão no peito, e a sensação de que vai morrer, de que está perdendo o controle.