Resumo da notícia:
Senado discute rimos da regulamentação de data centers de IA no país.
Investimentos devem alcançar R$ 500 bilhões até 2030.
Demanda energética se apresenta como desafio.
Estruturas de financiamento também se movimentam.
A Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática do Senado promoveu uma audiência pública na última quarta-feira (15) para instrução do Projeto de Lei (PL) 3.018/2024, que regulamenta data centers de inteligência artificial (IA). Enquanto isso, as estruturas de financiamento se movimentam.
De acordo com o relator do projeto, senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), o texto deverá sofrer alterações, mesmo sem concordância do autor, senador Styvenson Valentim (Podemos-RN). Cardoso disse ainda que o tema é sensível demais para receber modificações desconectadas ou alinhadas a “interesses de terceiros”.
Em sua apresentação na audiência pública, Gisele Santos, diretora de Infraestrutura de Data Centerda empresa de tecnologia Everest Digital, disse que a estimativa é de que os data centers de IA atraiam R$ 500 bilhões em investimentos até 2030. Ela defendeu a regulamentação como forma de promover segurança jurídica, isonomia regulatória, acesso à energia e regras estáveis de longo prazo.
A vice-presidente de Investimentos e Hidrogênio Verde da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Camila Ramos, saiu em defesa da retomada do Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data center), que prevê isenção/suspensão de tributos por cinco anos a empresas que construam ou ampliem data centers no país. Segundo ela, sem o Redata, o Brasil pode perder uma “janela histórica” de oportunidades.
Em relação à capacidade de atendimento da demanda energética dos data centers, a apresentação da Absolar destacou que o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035 prevê que a carga exigida pelos data centers de IA chegue a 13,4 gigawatts (GW) até 2038, concentrados em São Paulo, Rio Grande do Sul e Ceará.
De olho nos rumos da regulamentação dos data centers de IA no país, as estruturas financeiras se movimentam na América Latina, segundo o relatório “Estruturas financeiras estão evoluindo para apoiar a expansão de data centers na região”, divulgado esta semana pela Moody’s. Segundo o levantamento, as opções de financiamento mais limitadas da América Latina para operadoras de data centers estão desaceleradas ou com crescimento, apesar da forte demanda.
Mais desafios
Para a agência global de classificação de risco, é difícil obter financiamento financeiro para um novo desenvolvedor de data center, especialmente no início da vida do desenvolvedor. Nesse caso, a Moody’s destacou que a carga instalada de tecnologia de informação (TI) da América Latina atingiu cerca de 1,4 gigawatt (GW) no final de 2025. Cerca de 1 GW de capacidade adicional de data centers está em construção, principalmente no mercado de colocation.
A maior parte dos desenvolvedores buscou patrocinadores fortes e reconhecidos internacionalmente, em vez de capital de risco, para garantir compromissos de locatários de hiperescala e apoiar o crescimento inicial, observou a agência em nota.
O relatório também apontou que os operadores de data centers da América Latina utilizam mais dívida durante os estágios iniciais de desenvolvimento do projeto, retirando-se de estruturas de financiamento predominantemente baseadas em capital próprio. Segundo o documento, a mudança na forma de financiamento ocorre normalmente uma vez que os operadores garantam um contrato de locação de longo prazo com um locatário de hiperescala, tenham acesso a fontes de energia adequadas e tenham demonstrado sua capacidade operacional.
Os contratos de longo prazo com locatários de hiperescala fornecem visibilidade de receita, permitindo maior alavancagem e redução da incerteza em torno do fluxo de caixa e do risco de refinanciamento, salientou a Moody’s.
O relatório concluiu ainda que os operadores de data centers buscam cada vez mais alternativas de financiamento para refinanciar dívidas de construção e apoiar um aumento da expansão. A sondagem indicou que a América Latina ainda não viu operadoras de data centers obterem estruturas de empréstimos com títulos lastreados em ativos (ABS, em inglês) e títulos comerciais lastreados em hipotecas (CMBS, em inglês) e que as estruturas semelhantes aos fundos de investimento imobiliário (REITs, em inglês) exigiam escala de carteira suficiente e familiaridade do investidor.
Para a agência, os indicadores-chave de desempenho (KPIs, em inglês) de sustentabilidade e sociais têm se tornado cada vez mais importantes para o financiamento de data centers na América Latina. Enquanto isso, os operadores enfrentam um crescente escrutínio sobre o consumo de energia e água e a intensidade de carbono resultante da rápida expansão dos data centers.
Os KPIs de sustentabilidade podem ampliar o universo de investidores de um projeto e oferecer suporte a preços mais competitivos, mas também introduzir riscos de desempenho, pontuou a Moody’s.
O estudo também concluiu que vários riscos afetaram a qualidade do perfil de crédito de projetos de data centers na América Latina, já que as concentrações altas de um número limitado de hiperescaladores globais na região ampliam o risco de os contratos de arrendamento não serem renovados. Nessa direção, as locações denominadas em moeda local e em dólares dos EUA criam risco cambial, a complexidade da construção e a dificuldade de organizar o fornecimento de energia e água podem aumentar as despesas de um projeto e sua necessidade de financiamento.
Apesar dos desafios, a Finep e BNDES lançaram um edital para escolha de um gestor de fundo de aceleração de startups de IA no país, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.