16.5 C
Brasília
sábado, abril 25, 2026

Bons e baratos: ETFs crescem 70% e viram a nova febre do mercado brasileiro

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

Os números não deixam dúvida: os ETFs estão crescendo em relevância e conquistando um lugar na carteira do investidor brasileiro. O número de fundos de índice listados no Brasil disparou 70% entre janeiro de 2025 e março de 2026. Considerando os BDRs de ETFs, o salto foi de 49%, com com aumento de 38% no volume negociado. Além disso, a classe registrou a segunda maior captação líquida entre os fundos no primeiro trimestre de 2026, o melhor resultado para o período nos últimos cinco anos. 

Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta para o InfoMoney, o Brasil tem 189 ETFs listados na B3. Em janeiro do ano passado, eram 111 fundos de índice. O número sobe para 398 ao considerar os BDRs de fundos de índice estrangeiros listados aqui. 

Fonte: Elos Ayta

Para especialistas, o “boom de ETFs” ainda não acabou: há espaço para crescimento no volume negociado e número de estratégias disponíveis para o investidor à medida que as gestoras correm para encher suas prateleiras para permitir a montagem de uma carteira completa com seus fundos de índice. 

Continua depois da publicidade

Leia também: Fundos de renda fixa pagam 1% em 2 semanas com alívio nos juros; vale entrar agora?

Renda fixa é a porta de entrada

Dos R$ 17,8 bilhões em entradas líquidas na indústria no 1T26, R$ 15,5 bilhões foram direcionados a ETFs de renda fixa, refletindo a busca do investidor por estratégias eficientes em um cenário de juros ainda elevados. Não à toa, casas como XP Asset, Itaú Asset e Galapagos Capital aceleraram o lançamento de ETFs de renda fixa. 

Nos últimos meses, as instituições financeiras lançaram fundos para cobrir as principais classes de ativos, com o objetivo de oferecer opções para que os investidores montem portfólios completos utilizando apenas fundos de índice.

A XP Asset exemplifica esse movimento. A gestora saltou de uma grade de oito fundos para 22 em um intervalo de seis meses. “Houve uma corrida para ter produtos em todas as caixinhas. O mercado de forma geral fez isso para virar para o investidor e oferecer um menu completo”, detalha Danilo Gabriel, sócio e gestor de fundos indexados e internacionais da XP Asset. 

Para Bruno Stein, head de ETFs da Galapagos Capital, a experiência positiva com o produto de renda fixa vai acelerar o resto da indústria: “uma dificuldade dentro de ETF é o entendimento do veículo, é uma coisa nova (para os investidores e dificilmente você entende aquilo que você não tem. Ao comprar um ETF de renda fixa, as pessoas vão gostar, porque a experiência é boa e depois vão querer partir para outras estratégias”. 

Leia também: Poupança ainda reina no Brasil, mas perde terreno para CDB, LCI e LCA

Continua depois da publicidade

Na avaliação de Danilo Gabriel, a ineficiência de alguns fundos de investimento tradicionais acelera essa migração no varejo. Ele destaca que o mercado ainda possui fundos DI que cobram taxas de administração elevadas e sofrem incidência da tabela regressiva do Imposto de Renda. “Os ETFs entram e conseguem ajudar nessa estrutura e vão ganhar volume em função disso”, diz.

Apesar da concentração recente em produtos atrelados a juros e inflação, Gabriel avalia que a adoção do veículo prepara o investidor para os ciclos econômicos futuros. “O ETF será um dos grandes ganhadores, se não o grande ganhador, do próximo bull market (ciclo de alta de preços das ações com duração razoavelmente longa). Quando os investidores começarem a alocar capital em risco, eles vão utilizar os ETFs como o principal instrumento de alocação em função de ser líquido, transparente, acessível e barato”.

Os motores do crescimento

O crescimento acelerado do mercado de ETFs no último ano e meio é explicado por uma tempestade perfeita que uniu vantagens tributárias, mudanças regulatórias e uma nova postura na distribuição de investimentos.

Continua depois da publicidade

1. Tributação

Enquanto o investidor está sujeito a come-cotas, IOF e recolhimento de Imposto de Renda no vencimento dos papéis em fundos convencionais e no Tesouro Direto, o ETF de renda fixa elimina esses atritos. Segundo Bruno Stein, a ausência de prazo de vencimento é uma vantagem da indústria: “se você ficar 20 anos investido, não vai pagar um centavo de IR ao longo do caminho, só no resgate. Esse dinheiro que iria para o governo continua rendendo para você.”

2. Distribuição

Continua depois da publicidade

Pedro Rudge, diretor da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), destaca o impacto na virada do modelo de remuneração dos distribuidores. Historicamente, ETFs não pagam comissões, o que desincentivava sua oferta. 

Com a ascensão do modelo fee based (taxa fixa sobre o patrimônio) e a transparência exigida pela CVM 179, o jogo virou. “Na medida em que o conceito de fee based é cada vez mais adotado em troca dos rebates por produto, a tendência é que os assessores incentivem a adoção maior desse tipo de produto, que é mais competitivo e não tem come-cotas”.

3. Regulação

Continua depois da publicidade

Além desses fatores, uma mudança regulatória ainda pode impulsionar o crescimento desse mercado. A expectativa pela liberação dos ETFs de gestão ativa pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é apontada como o próximo vetor de desenvolvimento do setor. Rudge explica que a flexibilização das regras permitirá a oferta de uma gama maior de produtos nas plataformas.

Danilo Gabriel lembra que a CVM incluiu o ETF ativo em sua pauta estratégica para 2026 e já concedeu dispensa para um BDR de ETF do JP Morgan. “Não será a bala de prata do crescimento da indústria, mas será um bom contribuinte”, avalia o gestor da XP Asset. 

[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img