As exportações do agronegócio brasileiro encerraram 2025 com alta de 2,9% em relação a 2024, somando US$ 169,2 bilhões — o maior valor da série histórica, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Com crescimento de 11,2% no ano, a China respondeu por 32,7% desse total, com destaque para produtos do agronegócio como soja, carne bovina e celulose.
“A relação do agronegócio brasileiro com o mercado chinês é hoje uma das mais estratégicas do mundo. Os dois países construíram uma parceria sólida, baseada em complementaridade: o Brasil como fornecedor confiável de alimentos e a China como principal mercado consumidor”, afirma Victor Oliveira de Queiroz, chefe do escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) para Ásia e Pacífico.
Apesar da forte presença de commodities, há espaço para ampliar a pauta exportadora e avançar para uma relação comercial ainda mais madura, incluindo novos segmentos, como frutas e pescados. O fortalecimento da relação comercial entre os dois países tende a ganhar novo impulso na agenda bilateral prevista para os próximos anos, incluindo 2026.
Segundo a ApexBrasil, a China permanece como principal parceira comercial do Brasil. Em 2025, a balança comercial entre os dois países registrou superávit para o Brasil, com saldo de US$ 29,0 bilhões, e crescimento das exportações brasileiras para a China de 5,9%. (Fonte: ComexStat/MDIC)
O peso da parceria também se reflete na expansão dos investimentos chineses no Brasil.
A China é o principal investidor asiático no Brasil e o 7º maior investidor considerando o mundo, atingindo estoque de IED de US$ 53,6 bilhões em 2023. Além disso, há expectativa de que os aportes nos próximos anos cheguem a R$ 27 bilhões em setores como energia renovável, tecnologia, mineração e infraestrutura — um indicativo do reconhecimento do país como destino relevante para investimentos na América Latina.
Nesse cenário, a ApexBrasil atua para diversificar a pauta exportadora brasileira, ainda concentrada em produtos como soja, petróleo bruto e minério de ferro. A agência mapeou 385 itens com potencial de expansão no mercado chinês e desenvolve estratégias para ampliar a presença da indústria de transformação nas exportações para o país asiático. (Fonte: Mapa de Oportunidades da ApexBrasil)
Volume com valor agregado
Além de preservar o volume de exportações, a estratégia busca ampliar a pauta exportadora brasileira para incluir produtos de maior valor agregado para a China. A proposta é fortalecer a parceria estratégica entre os dois países por meio da integração entre agro, comércio e investimentos, ampliando a agenda bilateral para além da pauta tradicional de commodities.
O Brasil trabalha para se posicionar como protagonista tanto na atração de investimentos estratégicos quanto na promoção do agronegócio, com potencial para a oferta de alimentos, inovação e soluções sustentáveis, diz Queiroz.
“Nos últimos anos, a relação do agronegócio brasileiro evoluiu para além de uma lógica transacional, com mais previsibilidade, diálogo e abertura de novos produtos. É muito mais madura. Hoje há mais confiança, mecanismos institucionais consolidados e melhor entendimento do mercado chinês”, acrescenta ele.
A agenda também tende a avançar com a construção de marcas brasileiras na China. “Os consumidores chineses estão cada vez mais curiosos e interessados em consumir produtos brasileiros”, relata o chefe do escritório da ApexBrasil na região.
O fortalecimento do posicionamento brasileiro no mercado chinês se apoia em diferentes fatores. Entre eles estão a expansão do consumo alimentar no país asiático e a competitividade do agronegócio brasileiro. Esse cenário abre oportunidades para novas parcerias com redes chinesas e para a oferta de produtos como frutas premium, cafés especiais e alimentos processados.
“Há uma evolução clara. O Brasil começa a ampliar sua presença em produtos de maior valor agregado, como alimentos processados, bebidas e ingredientes, com destaque para o avanço de categorias como café, mel e açaí no mercado chinês”, destaca ele.
Alguns movimentos recentes ilustram essa tendência. Um exemplo é a parceria com a Luckin Coffee, que tem ampliado o uso de café especial brasileiro em suas operações. Outro é a entrada da Mixue Group no Brasil, com impactos em cadeias produtivas ligadas a frutas e alimentos.
Além de impulsionar as exportações, o agronegócio também funciona como porta de entrada para investimentos em outras áreas da economia brasileira, especialmente logística, energia e tecnologia.
“O agronegócio é a principal porta de entrada do Brasil na China e pode desempenhar um papel ainda mais estratégico. A partir dele, o Brasil constrói confiança, presença e escala no mercado chinês, elementos essenciais para a expansão para outros setores. O agro abre canais comerciais, estrutura logística e cria relacionamento com grandes empresas e plataformas locais”, afirma o chefe do escritório da ApexBrasil para Ásia e Pacífico.
Esse movimento já se reflete na ampliação de parcerias em áreas como e-commerce, alimentos processados, tecnologia aplicada ao setor produtivo e investimentos industriais no Brasil.
“Em outras palavras, o agro não apenas lidera a relação, mas pavimenta o caminho para uma presença brasileira mais diversificada e sofisticada na China”, diz ele.
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua na promoção das exportações brasileiras e na atração de investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia. Mais informações sobre iniciativas e programas da agência podem ser encontradas em https://apexbrasil.com.br.