Você pagaria R$ 3.500 num celular com bateria que dura três dias, tela excelente, sensor de 200 megapixels… mas com corpo de plástico, sem telephoto, e com um processador que você encontra em aparelhos pela metade do preço?
Porque é exatamente isso que a JOVI está te oferecendo com o V70 5G.
Confesso que fiquei na dúvida sobre como encarar esse aparelho. De um lado, os números impressionam, só que olhando com mais cuidado, você percebe que esse celular não é o mais potente da marca como é vendido aqui no Brasil. Câmera boa, tela e bateria ótima, vale a pena comprar?
Design
Olha, confesso que não esperava gostar tanto da ergonomia desse aparelho. Mesmo carregando uma bateria de 7.000 mAh, o V70 tem apenas 7,59 mm de espessura e pesa 200 gramas. Isso é impressionante. Na mão, ele parece leve e equilibrado, com cantos arredondados que encaixam bem na palma.
O diferencial estético é a Luz Aura, um flash em formato de aro no módulo traseiro que funciona como um mini ring light para fotos e notificações visuais. É chamativo, diferente, e funciona bem para quem cria conteúdo.
O corpo é inteiramente de plástico, enquanto o V50, antecessor direto, vinha com vidro em algumas variantes. Tudo bem, esse é um aparelho mais barato que o topo de linha, mas quando você está pagando R$ 3.500 num celular, essa mudança de material me incomodou. Dá a sensação de que a marca economizou onde não deveria.
E acredito que seja intencional, esse smartphone vendido mundialmente chama-se Vivo V70 FE, é uma variante mais barata que segue a mesma estratégia da Samsung, economizar em alguns pontos para tornar o produto mais acessível, mas aqui no Brasil é vendido como, até agora, o celular mais avançado da marca, ele que estampa a página inicial do site. Só que de acessível, não tem nada né, afinal R$ 3000 não é acessível.
Enfim, continuando a parte de design, a boa notícia é que a certificação IP68 e IP69 está aqui, ou seja, resistência a poeira e até jatos d’água de alta pressão.
Para terminar a parte de design e construção, eu posso te garantir que o kit é completinho, do jeito que gostamos. Na caixa vem capinha de silicone transparente, película pré-aplicada na tela, carregador e cabo usb, além da garantia de 12 meses do produto em solo nacional.
Tela
Agora me explica uma coisa: a indústria ainda tenta vender celular com tela ruim em 2026 né? Não é o caso do V70.
O V70 usa tela AMOLED de 6,83 polegadas com resolução 1.5K, e se você ainda não entende por que isso importa, deixa eu te explicar rapidinho. Diferente das telas LCD tradicionais, que usam uma iluminação traseira única para o painel inteiro, no OLED cada pixel tem sua própria iluminação individual. Isso significa que quando a tela precisa mostrar preto, ela simplesmente apaga aquele pixel. O resultado são os chamados contrastes infinitos, e na prática você enxerga isso claramente em cenas escuras de filmes ou games, onde o preto é de verdade preto, não um cinza escuro lavado.
A taxa de 120 Hz e suporte a HDR10+ mostram que assistir a uma série ou jogar nesse celular é uma experiência muito boa.
Por outro lado, o brilho de pico prometido é 1.900 nits. Em 2024 isso impressionava. Em 2026, com concorrentes diretos chegando a 2.500, 3.000 nits e até mais, esse número começa a parecer conservador. Na prática você vai usar o celular bem no dia a dia, mas em situações de sol forte na tela, a diferença para aparelhos mais brilhantes é perceptível.
A proteção do vidro usa Schott Diamond Shield, o que é um ponto positivo real.
Câmeras
O primeiro Jovi que testei foi o V50, aquele celular me encantou em fotos, a ideia aqui não é muito diferente, apesar de contar com sensores totalmente distintos. O principal de 200 MP com estabilização óptica entrega bons resultados. As cores são equilibradas, o HDR funciona bem, e à noite o processamento inteligente ajuda a controlar o ruído. Por padrão o celular agrupa pixels para gerar fotos de 12 MP, mas você pode ativar os 200 MP completos para edições mais detalhadas depois.
O problema começa quando você sai do sensor principal.
A ultra-wide foi de 50 MP no V50 para 8 MP no V70. Oito megapixels. Eu vivo comentando que essa diferença de sensores atrapalha mais que ajuda e fica evidente nos resultados: perda de nitidez nas bordas, desempenho pior à noite, distorções que incomodam. Sério, não faz sentido colocar um sensor de 200MP e outro de 8MP.
O zoom é exclusivamente digital, indo até 30x. A JOVI usa IA para reconstruir a imagem, mas por incrível que pareça, o zoom de 5x até que fica legal nas fotos.
Mas o que era antes destaque no V50, aqui não esta presente: a parceria com a Zeiss. Os filtros e os perfis de cor da marca alemã que fizeram o V50 se destacar em fotografia simplesmente sumiram. Mais uma concessão que a Jovi fez para deixar o produto mais barato.
A câmera frontal de 32 MP segura bem as selfies, os vídeos em 4K a 30 fps são estáveis, e o teleprompter integrado é um recurso bem-vindo para criadores de conteúdo.
O conjunto fotográfico como um todo ficou abaixo do que o preço sugere, celular de 3000 reais sem telephoto, com um sensor ultrawide mísero não está certo. A Jovi ou VIVO sabem fazer câmeras, e as fotos, especialmente na câmera principal e selfie, ficam muito boas, melhor inclusive que Samsung.
Performance
O chip aqui é o MediaTek Dimensity 7360 Turbo, produzido em 4 nanômetros, acompanhado de 8 GB de RAM física. Parece novo, mas se você pesquisar é uma versão levemente “overclocada” do Dimensity 7300, presente no Edge 60 da Motorola. Na prática, a MediaTek trocou a etiqueta e adicionou otimizações de software em cima. Até aí tudo bem, o que não faz sentido é a JOVI cobrar R$ 3.500 por um chip que é essencialmente o mesmo que equipa concorrentes mais baratos, por mais que o nome “7360 Turbo” soe moderno.
Usando na prática, o dia a dia é ágil. Redes sociais, multitarefa leve, jogos como COD Mobile e PUBG em configurações altas, tudo corre bem. No AnTuTu ele bate entre 950 mil e 1 milhão de pontos, o que coloca o aparelho ainda abaixo do Galaxy A56 da Samsung, por exemplo. Mas é bom saber que travar ele não vai. Nem agora, amanhã ou daqui quatro anos.
O som estéreo é potente, sim, mas apresenta distorções no volume máximo. Para consumo casual funciona, mas para quem usa fone na tomada, melhor.
Bateria
Aqui é onde o V70 brilha de verdade. São 7.000 mAh. A maioria dos celulares premium está na faixa de 4.000 a 5.000 mAh. O V70 tem 7.000 mAh, com tecnologia BlueVolt que promete manter a saúde da célula por quatro anos.
Nos nossos testes de bateria, o resultado foi impressionante: apenas 52% de consumo em 8 horas de tela ligada. Isso colocou o V70 na terceira posição entre os 157 smartphones que já passaram pelo nosso banco de testes. Terceiro lugar. Se você acompanha o canal, sabe que não é pouca coisa. Na prática, isso se traduz em quase três dias de autonomia em uso misto. Se você é do tipo que esquece de carregar o celular, esse aparelho foi feito para você.
O que realmente importa aqui é que a JOVI não sacrificou a velocidade de carregamento para entregar essa bateria gigante. O carregador de 90W incluído na caixa completou o ciclo de 0 a 100% em 56 minutos nos nossos testes. Menos de uma hora para encher 7.000 mAh. Isso é um resultado que muitos celulares com bateria pela metade do tamanho não conseguem igualar.
Software
O V70 sai com Android 16 e interface OriginOS 6. Eu reclamei da HyperOS 3 nos POCOS, achei um visual meio ultrapassado, por aqui não, a interface é moderna, as animações são fluidas, e o Orange Island, que aproveita o furo da câmera frontal para exibir notificações e informações dinâmicas, é uma das implementações mais bem feitas que eu vi nesse tipo de recurso.
A JOVI prometeu 4 versões do Android (até o Android 20) e 6 anos de patches de segurança. Isso é um compromisso sério e que pesa muito a favor do aparelho.
Os recursos de IA incluem o Google Gemini, ferramentas de edição de foto e resumo de gravações de voz. Funcional, sem exagero.
Preço e Conclusão
R$ 3.499 pela versão de 256 GB e R$ 3.999 pela de 512 GB. Esses são os preços de lançamento, vigentes até o final de maio de 2026.
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R$ 2.969,00
JOVI V70 5G Câmera 200MP 256GB de Memória 8GB RAM
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Agora me explica uma coisa: nessa faixa, você também pode considerar o Galaxy S25 base, o S25 FE ou alguns outros Motorola que estão com mais recursos. Eles entregam processamento mais robusto e câmeras mais equilibradas. O que eles não entregam é a autonomia do V70, e alguns não têm essa qualidade de tela. Então a decisão depende do que você prioriza.
O que realmente importa aqui é que o JOVI V70 5G é um celular muito bom para quem precisa de bateria e quer uma tela de qualidade premium. O retrocesso nas câmeras, especialmente na ultra-wide e no abandono da Zeiss, é real e precisa ser pesado na decisão. Aconstrução em plástico é outro ponto que fazem o preço parecer um pouco salgado.
Se o preço cair abaixo dos R$ 2.300, a recomendação fica muito mais fácil. Acima disso, você precisa ter certeza que bateria e tela são suas prioridades, e que câmera versátil não está no topo da lista.
A JOVI tem produção de smartphones no Brasil, e essa era uma carta na manga que a marca poderia usar para deixar os preços mais competitivos em solo nacional. Só que, sinceramente, nem o V70 e nem os modelos mais baratos da linha Y se beneficiaram disso. A tal produção nacional que deveria baratear o produto simplesmente não apareceu no preço final.
E eu de fato não entendo o posicionamento da marca aqui. Se a intenção é brigar de igual para igual com Samsung, Motorola e Xiaomi no mercado nacional, você precisa de preço agressivo. Não tem outro caminho. Mas olhando para o que a JOVI, a Honor e algumas outras têm feito, nenhuma delas está disposta a essa briga de preço. E quem paga a conta dessa indecisão é você, que abre a carteira e fica se perguntando se o que está levando para casa realmente vale o que está gastando ou então continua a comprar os mesmos produtos de sempre.
Acho que algum dia teremos um mercado mais aberto, mas está longe de acontecer.