Série Especial | Saúde em Colapso | Episódio 2 | A crise na saúde pública de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, tem rosto, nome e idade. São mães que convivem com a angústia diária de não saber como manter o tratamento dos próprios filhos. A falta de medicamentos na rede municipal já interrompe terapias essenciais e expõe falhas graves na gestão da Prefeitura, sob responsabilidade do prefeito Del Soares (União), e da Secretaria Municipal de Saúde.
Nesta segunda reportagem da série “Saúde em colapso: a realidade que mata em Simões Filho”, mães relatam uma rotina marcada por sofrimento, humilhação e tratamentos interrompidos, o que agrava os quadros clínicos das crianças.
Abandono da Prefeitura está causando situações graves dentro de casa
Dona Juliana, mãe atípica, relata um cenário de desgaste extremo diante da ausência de profissionais e medicamentos na rede pública de Simões Filho.
“Meu filho precisa de médico, precisa de remédio. A gente elegeu você pra isso, prefeito. A gente tá largado. Meu menino precisa de neuropediátrico, de fono, ele não desenvolve. Ele precisa de medicamento, porque tem várias crises. Eu não tô aguentando mais”, desabafa Juliana.
Dona Juliana, mãe atípica
Segundo ela, as crises já provocaram situações graves dentro de casa. “O irmãozinho dele tá com o braço inchado porque ele teve uma crise e mordeu o próprio irmão”, contou.
“Prefeito, olha pra nós, a gente tá sofrendo. Se fosse seu filho, ele ia passar por isso? Não ia”, questionou Juliana.
O sofrimento Jéssica Carolina
Jessica Carolina da Silva, de 32 anos
Jessica Carolina da Silva, 32 anos, relata a dificuldade para manter o tratamento da filha. Segundo ela, a falta de medicamentos começou no início de 2026 e piorou nas últimas semanas.
Sem condições financeiras para comprar os remédios, ela depende da farmácia básica do município, que está desabastecida.
“Minha filha está sem remédio. De fevereiro pra cá, eu venho comprando medicamento, porque eu não consigo pegar pelo SUS. Nem no CECAD, nem nas farmácias básicas do município. Sempre dizem que não tem, que não tem. Sempre falam isso. Eu não consegui comprar o remédio dela nesse mês. Inclusive, ela está sem remédio”, contou Jessica.
Entre os medicamentos em falta estão:
Risperidona 1mg
Depakene 250mg
Atentah 25mg
Melatonina 210mcg
A situação vai além. Jessica também não consegue fraldas para a filha, item essencial no dia a dia. Ao mesmo tempo, ela relata ausência de atendimento com especialistas, como neuropediatra e psiquiatra, além da falta de terapias indicadas em laudo médico.
Na escola, outro obstáculo. Faltam profissionais preparados para acompanhar crianças com necessidades específicas.
Luciana Santos também está abandona pela Prefeitura de Simões Filho
O relato de Jessica não é isolado. Outras mães enfrentam o mesmo cenário. Luciana Santos, de 28 anos, afirma que tenta conseguir medicamentos para a filha de 3 anos desde novembro de 2025.
Ela procurou unidades de saúde e o CECAD, mas não encontrou solução. O estoque continua zerado.
“Muitas vão para Salvador buscar lá, já que aqui no município não tem”, disse Luciana.
A repetição dos casos revela um problema maior. Não se trata de atraso pontual, mas de um colapso no fornecimento de itens básicos para a população.
Pressão aumenta sobre a gestão municipal
Sem respostas claras, cresce a cobrança sobre a Prefeitura de Simões Filho e a Secretaria Municipal de Saúde. As famílias querem mais do que explicações. Precisam de ação imediata.
A interrupção de tratamentos pode agravar quadros clínicos e comprometer o desenvolvimento das crianças. O impacto não é abstrato, ele acontece dentro de casa, todos os dias.
Enquanto o poder público não apresenta soluções, mães seguem sem saber o que fazer. Entre idas a postos de saúde e tentativas frustradas, resta o desespero. E, para muitas dessas famílias, esperar já não é mais uma opção.
Série especial vai aprofundar problemas da saúde
Esta é a segunda reportagem de uma série que investiga a saúde pública em Simões Filho.
No próximo conteúdo, serão analisados outros pontos críticos: Quanto o município recebe para saúde? Como o dinheiro está sendo usado? Além de contratos, licitações e transparência.