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terça-feira, maio 5, 2026

Crítica | Planeta Mulher-Hulk – Vol. 1 – Plano Crítico

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O evento cósmico Imperial, da Marvel Comics, foi, para todos os efeitos, um retumbante fracasso de vendas a ponto de os cinco títulos mensais que derivariam dessa história e que haviam ganhado one-shots como parte da saga, deixaram de ser mensais e se tornaram minisséries, isso quando não foram cancelados antes mesmo de um arco chegar ao fim como foi o caso de Pantera Negra: Intergaláctico e Guardiões Imperiais ou nem começaram, como foi o caso de Exilados. Os único dois títulos que escaparam parcialmente do machado da editora e alcançaram um semblante de “fim” foram Nova: Centurião, em que Richard Rider precisa arrumar dinheiro para manter a Mente Global Xandariana funcionando e Planeta Mulher-Hulk, em que Jennifer Walters fica em Sakaar en Nevo a pedido do primo para servir como regente temporária.

Planeta Mulher-Hulk foi o mais interessante one-shot conectado com Imperial, pois a roteirista Stephanie Phillips soube manejar bem um whodunnit em meio a um lugar selvagem como a segunda versão do planeta gladiatorial que Hulk havia governado com a pegada sempre bem humorada da protagonista depois que ela classicamente ganhou essa característica na fase de John Byrne. Phillips retorna para a série mensal transformada em minissérie com a Mulher-Hulk lá em Sakaar, depois do prazo de cinco dias que o Hulk prometeu voltar, já percebendo que ela se meteu em uma enrascada grande que se materializa principalmente na forma de Korven Blackjaw, que se autodeclara rei do planeta depois que sua noiva – uma das viúvas de Hiro-Kala – é assassinada durante um misterioso ataque em sua festa de casamento. O que segue daí é o caos total, com conspirações, revelações e reviravoltas que, surpreendentemente, são razoavelmente eficientes, mantendo o tipo de violência que se espera de uma história passada em Sakaar e que, principalmente, mantém a personalidade da heroína intacta.

Ainda que a pancadaria divirta, o que faz a minissérie valer a pena é a forma como Phillips caracteriza a Mulher-Hulk, mantendo-se fiel à sua segurança como mulher e como Hulk, unindo inteligência, humor, sarcasmo, ironia, autodepreciação e a perfeita consciência de quem ela é e isso tudo sem perder a sensualidade que marca a personagem e, mais ainda, a consciência disso por ela, algo que o desenho de Aaron Kuber, responsável pela arte de quase quatro das seis edições, consegue colocar muito bem nas páginas sem jamais vulgarizar a heroína. O que fica, portanto, é a essência de Jennifer Walters mesmo em um planeta em que tudo é resolvido em combate e morte, com sua metade advogada tendo que mais uma vez lutar contra sua metade superpoderosa em uma sucessão de situações criadas para ela tentar encontrar o equilíbrio entre a aplicação de conceitos de justiça e o mero uso da força para resolver tudo.

Diria que o ritmo frenético das reviravoltas e revelações intercaladas por pura pancadaria cansa um pouco, mas eu não sei o quanto Phillips precisou contrair do que imaginava ser uma publicação mensal para o formato de minissérie. O que realmente incomoda é a edição final, essa sim claramente criada para dar um fim apressado à história, que começa com a Mulher-Hulk de volta à Terra, atuando no tribunal e sem memória do que aconteceu, somente para, então, em flashback, aprendermos como as pontas soltas foram amarradas. Entendo perfeitamente que a roteirista acabou sendo basicamente obrigada a fazer isso para pelo menos chegar a algum tipo de fim à linha narrativa da Mulher-Hulk em Sakaar, mas a forma escolhida é um pouco frustrante e infelizmente corrida demais, na mais curta das seis edições muito provavelmente por exigência da editora. Não é que Planeta Mulher-Hulk tivesse o potencial para manter-se no ar durante muito tempo sem esgarçar a premissa, mas a história merecia pelo menos chegar às 10 edições que, segundo consta, era a quantidade “de teste” originalmente planejada para, eventualmente, a publicação realmente tornar-se uma mensal padrão. Mas, entre mortos (muitos mortos) e feridos, até que o resultado final desse spin-off de Imperial rendeu uma simpática histórica com uma das melhores heroínas da Marvel Comics.

Planeta Mulher-Hulk – Vol. 1 (Planet She-Hulk – EUA, 2025/26)
Contendo: Planet She-Hulk #1 a 6
Roteiro: Stephanie Phillips
Arte: Aaron Kuder (#1, 2, 5 e 6), Scott Hanna (#2), Emilio Laiso (#3, 4 e 6)
Cores: Sonia Oback (#1 a 3 e 5), Fabi Marques (#4)
Letras: Joe Caramagna
Editoria: Emerald Bensadoun, Jordan D. White, C.B. Cebulski
Editora: Marvel Comics
Datas originais de publicação: 05 de novembro e 17 de dezembro de 2025; 21 de janeiro, 11 de fevereiro, 18 de março e 29 de abril de 2026
Páginas: 144



[Fonte Original]

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