Ter o celular roubado virou um dos maiores pesadelos dos brasileiros. E o problema não termina quando o aparelho desaparece. Em muitos casos, os criminosos conseguem acessar aplicativos bancários em poucos minutos e fazem transferências via Pix, TED e pagamentos de boletos antes mesmo da vítima bloquear as contas.
Esse tipo de golpe cresceu rápido no Brasil. Por isso, bancos digitais e instituições tradicionais começaram a lançar ferramentas extras de proteção. Entre elas, uma ganhou destaque nos últimos anos: o chamado “Modo Rua”.
O recurso surgiu primeiro no Nubank, em 2022. Depois, outros bancos passaram a oferecer sistemas parecidos, embora com nomes diferentes, como Modo Seguro, Lugar Seguro, Modo Protegido e Modo Vigilante.
Na prática, todos funcionam de forma parecida. O objetivo é impedir movimentações altas quando o cliente estiver fora de locais considerados seguros.
O que é o Modo Rua
O Modo Rua permite limitar transações financeiras quando o usuário está longe das redes Wi-Fi cadastradas como confiáveis.
Funciona assim: a pessoa escolhe redes seguras, geralmente a da casa ou do trabalho. Sempre que o celular sair desses ambientes, o aplicativo ativa automaticamente restrições extras.
Com isso, o banco reduz o limite de:
- Pix
- TED
- pagamento de boletos
- movimentações em investimentos
- acesso a caixinhas e cofres digitais
- visualização de saldo, em alguns aplicativos
Se alguém tentar movimentar um valor acima do limite definido, o aplicativo pede biometria facial ou outra autenticação adicional.
Isso muda bastante o cenário em casos de roubo. Mesmo que o criminoso esteja com o celular desbloqueado e saiba a senha do banco, ele encontra uma barreira extra antes de transferir grandes quantias.
Medo de golpes digitais cresce no Brasil
Os números ajudam a explicar por que esse recurso ganhou força.
Segundo pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha, 83,2% dos brasileiros dizem ter medo de golpes digitais. O índice praticamente empata com o receio de assaltos à mão armada, que aparece com 82,3%.
Além disso, fraudes ligadas a celulares roubados dispararam cerca de 340% no país, especialmente no fim de 2025.
Os dados também mostram outra realidade preocupante: somente em 2023, o Brasil registrou 937 mil ocorrências de roubo e furto de celulares. A média chega perto de dois aparelhos levados por minuto.
E o impacto não fica apenas na perda do telefone.
Segundo o próprio Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os celulares passaram a funcionar como porta de entrada para crimes financeiros, estelionatos e golpes virtuais.
A pesquisa ainda aponta que 1 em cada 10 brasileiros teve o celular roubado ou furtado em apenas um ano. Na projeção nacional, isso representa cerca de 14,7 milhões de vítimas.
Como ativar o recurso em cada banco
Nubank — Modo Rua
- Abra o aplicativo
- Toque no ícone de escudo na Central de Proteção
- Ative o “Modo Rua”
- Defina o limite de transações
- Cadastre redes Wi-Fi seguras
- Finalize a configuração
Depois disso, o sistema ativa e desativa automaticamente as restrições conforme a localização do aparelho.
PicPay — Modo Seguro
O recurso fica na Central de Segurança do aplicativo. O sistema restringe Pix por geolocalização e também oculta valores ligados ao Open Finance.
Itaú — Modo Protegido
- Entre no aplicativo
- Vá em “Segurança”
- Clique em “Modo Protegido”
- Escolha redes seguras
- Defina limites de transações
BTG Pactual — Modo Lugar Seguro
- Abra a Central de Segurança
- Entre em “Modo Lugar Seguro”
- Cadastre redes Wi-Fi
- Faça autenticação biométrica
O banco também oculta investimentos quando o usuário estiver fora dos locais cadastrados.
C6 Bank — Locais Seguros
- Vá ao Menu de Segurança
- Entre em “Locais Seguros”
- Cadastre ambientes confiáveis
- Configure limites diários
O aplicativo ainda permite esconder informações do cheque especial e bloquear exportação de extratos.
Inter — Modo Vigilante
- Toque na foto de perfil
- Acesse a Central de Segurança
- Cadastre redes e endereços confiáveis
- Configure limites para Pix
- Ative biometria ou reconhecimento facial
Mercado Pago — Modo Blindado
Dentro do aplicativo, o usuário encontra o recurso na aba “Segurança”.
O sistema esconde automaticamente:
- cofrinhos
- investimentos
- criptoativos
- contas conectadas via Open Finance
Sicoob — Modo Guardião
- Abra o aplicativo
- Entre no menu de atalhos
- Ative o Modo Guardião
- Siga o passo a passo de autenticação
Fora dos ambientes seguros, o sistema exige biometria facial para confirmar transações.
XP — Espaço Seguro
- Entre no app XP
- Vá em “Central de Segurança”
- Clique em “Espaço Seguro”
- Faça a configuração
A XP permite cadastrar até 10 endereços confiáveis e ainda oferece um “Modo Viagem”, útil para quem precisa acessar investimentos durante deslocamentos.
Celular Seguro também reforça a proteção
Outra ferramenta importante veio do Governo Federal: o programa Celular Seguro.
A plataforma funciona via aplicativo ou navegador. O usuário entra com a conta Gov.br e cadastra uma pessoa de confiança.
Se ocorrer roubo ou furto, essa pessoa consegue emitir rapidamente dois tipos de alerta:
- Modo recuperação, que bloqueia linha telefônica e contas parceiras
- Bloqueio total, que inutiliza aparelho, linha e acessos vinculados
Esse processo reduz o tempo de reação da vítima, justamente o período em que os criminosos costumam agir mais rápido.
Medidas simples ajudam a evitar prejuízos
Especialistas em segurança digital alertam que ativar o Modo Rua já faz diferença. Mesmo assim, outras práticas aumentam a proteção:
- manter aplicativos atualizados
- evitar senhas fáceis
- ativar autenticação em duas etapas
- reduzir limites noturnos do Pix
- cadastrar o aparelho no Celular Seguro
A Federação Brasileira de Bancos informou que os bancos investiram cerca de R$ 5 bilhões em prevenção a fraudes e segurança digital em 2024.
Ainda assim, boa parte da proteção depende do próprio usuário. E poucos minutos de configuração podem evitar perdas de milhares de reais.