Motoristas acostumados a reduzir a velocidade apenas ao passar por um radar podem enfrentar uma nova realidade nas rodovias brasileiras. Um sistema que calcula a velocidade média ao longo de todo o percurso monitorado começou a ser testado na BR-101, e já revelou situações preocupantes.
A tecnologia funciona de forma diferente dos radares tradicionais. Em vez de registrar a velocidade em um único ponto da estrada, ela acompanha o tempo gasto pelo veículo entre dois equipamentos instalados em locais distintos.
Com esses dados, o sistema calcula a velocidade média mantida durante o trajeto. A novidade está em fase de testes. E os primeiros resultados chamaram atenção.
Motorista manteve média de 124 km/h
Um dos registros ocorreu na BR-101. No trecho monitorado, o limite é de 60 km/h devido à proximidade de uma área de preservação ambiental.
Mesmo sem ultrapassar o limite exatamente nos pontos onde os radares estavam instalados, um motorista percorreu o trecho com velocidade média de 124 km/h.
O caso expôs uma prática comum nas estradas: frear ao se aproximar do radar e acelerar novamente logo depois.
Segundo a concessionária, o novo sistema permite identificar esse comportamento porque considera toda a distância percorrida, e não apenas um ponto específico da rodovia.
Sistema ainda não gera multas
Apesar de já estar em operação para monitoramento, o radar de velocidade média ainda não pode aplicar multas.
A legislação brasileira não prevê autuações baseadas exclusivamente no cálculo da velocidade média entre dois pontos da estrada. Por isso, os testes têm caráter educativo e servem para avaliar o funcionamento da tecnologia.
Mesmo sem penalidades, os dados obtidos ajudam a mostrar o nível de risco presente em alguns trechos das rodovias.
A própria Polícia Rodoviária Federal (PRF) reforça que não existe, atualmente, previsão legal para emitir multas utilizando apenas esse sistema.
Quanto seria a multa nesse caso?
Embora o motorista não tenha sido autuado, a situação chama atenção pelos números.
Se um radar convencional registrasse um veículo trafegando a 124 km/h em uma via limitada a 60 km/h, a infração seria considerada gravíssima.
Nesse cenário, o condutor poderia receber multa de R$ 880,41 e ainda responder à suspensão do direito de dirigir, já que a velocidade estaria mais de 50% acima do permitido.
Tecnologia pode mudar a fiscalização no futuro
A Ecovias Capixaba fornece a tecnologia utilizada nos testes e opera os equipamentos instalados na BR-101. Já a fiscalização oficial continua sob responsabilidade dos órgãos competentes, entre eles a PRF.
Por enquanto, o sistema funciona apenas como ferramenta de monitoramento. Ainda assim, os testes indicam um caminho que pode transformar a fiscalização nas rodovias brasileiras nos próximos anos.
Quem depende apenas da frenagem momentânea diante do radar já percebeu que essa estratégia pode estar com os dias contados.