Foi então que surgiu uma ideia inusitada: transformar os restos da embarcação em fibra têxtil. “Comecei a me perguntar se os fragmentos de madeira ainda poderiam ser úteis de alguma forma”, contou a arqueóloga marítima Minna Koivikko, da Agência Finlandesa do Patrimônio.
Da arqueologia para a moda
Para tornar o projeto possível, os pesquisadores utilizaram uma tecnologia chamada Ioncell, desenvolvida pela própria Universidade Aalto. O método converte materiais ricos em celulose, como a madeira, em fibras de alta qualidade que podem ser transformadas em fios e tecidos.
Apesar de ter permanecido enterrada por séculos, parte da madeira conservou propriedades suficientes para ser reaproveitada. O núcleo do material resultou em um fio naturalmente amarronzado, que manteve sua tonalidade original durante a produção dos vestidos.
Este projeto demonstrou que o método Ioncell pode ser usado para produzir fibras a partir de praticamente qualquer material à base de celulose. O mais empolgante foi o entusiasmo e a disposição de dezenas de pessoas da Universidade Aalto para celebrar um material tão singular. Inge Schlapp-Hackl, pesquisadora da Universidade Aalto
O design das peças ficou a cargo da professora Anna-Mari Leppisaari. O primeiro vestido foi criado para ficar em exibição na Universidade Aalto, enquanto o segundo foi produzido para integrar o acervo do Museu de Arte de Oulu.